CONHECENDO UM POUCO MAIS SOBRE DENGUE, CHIKUNGUNYA E ZIKA, OS 3 PRINCIPAIS VÍRUS TRANSMITIDOS PELO Aedes aegypti

Por Rafael Benjamim
Edição Danielle Grynszpan

O Brasil tem registrado números alarmantes de 3 doenças ligadas ao mesmo vetor: Dengue, Chikungunya e Zika. Em 2015, infelizmente, batemos recorde de infecções por Dengue (1,59 milhão de casos). O governo federal reagiu com um conjunto de ações, dentre elas uma que é primordial: a sensibilização da população quanto ao perigo causado pelo desequilíbrio ambiental, que contribui para a proliferação exagerada dos mosquitos Aedes e provoca a ampliação dos casos de Dengue, Chicungunya e Zika pelo país.

Para resolução do problema, seria desejável que todos estivessem a par sobre o assunto. Para começo de conversa, conhecer as formas de manifestação das 3 doenças –  Zika, Dengue e Chikungunya .

Zika, Chikungunya e Dengue: como diferenciar?

Dengue, Chikungunya e Zika são doenças transmitidas pelo mesmo vetor: o mosquito Aedes aegypti. A similaridade clínica causa confusões entre pacientes na hora de fazer a primeira identificação e ainda não há um método clínico para fazer um diagnóstico preciso. Então, quais os sinais que podem ajudar a saber qual é a infecção?

Chikungunya:

Segundo o Ministério da Saúde, a principal manifestação clínica de Chikungunya é a dor nas articulações, clinicamente chamada artralgia. Sua manifestação pode aparecer em todas as articulações, especialmente as dos pés, mãos, tornozelos e pulsos. O sintoma se manifesta pelo desenvolvimento de um processo inflamatório nos locais, que pode ser acompanhado de rigidez. As dores físicas são intensas e provocam redução da produtividade e da qualidade de vida. O tratamento é fundamental para evitar que as dores persistam por longo tempo (meses ou, até mesmo, ano) em pacientes com idades mais avançadas.

Dengue:

Na Dengue a febre é, geralmente, mais forte e um dos primeiros sintomas a aparecer. Os sintomas dessa doença aparecem entre o terceiro e o 15º dia, após a vítima ser picada. Além disso ela possui variações, sendo a pior delas a Dengue hemorrágica que pode levar a óbito. Neste caso os principais sintomas são o aparecimento de manchas vermelhas na pele, sangramentos (principalmente pelo nariz e nas gengivas), dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes.

Zika:

A Zika se caracteriza pelo aparecimento de exantema (vermelhidão pelo corpo) – sintoma quase sempre presente, manifestando-se nas primeiras 24h pós infecção. Além disso o paciente pode ter febre contínua.

A grande preocupação com o Zika é sua relação com a microcefalia congênita, que acontece quando um bebê, na fase gestativa, é infectado pelo vírus através da mãe.

Microcefalia é uma anomalia em que o Perímetro Cefálico (PC) é menor que dois centímetros em relação a referência para o sexo da criança (XX para meninos e XX para meninas). É importante também ressaltar que a microcefalia não é transmissível. Sua ocorrência está relacionada à exposição a fatores biológicos, químicos, físicos e genéticos durante a formação dos embriões. (Fiocruz)

O quadro abaixo, divulgado pela Agência Fiocruz, resume as características e as frequências dos sintomas em cada uma das doenças provocadas pelo Aedes aegypti:

SABEMOS QUE HÁ INVESTIMENTO PARA RESOLVER O PROBLEMA DA DENGUE, MAS SERÁ QUE OS MÉTODOS UTILIZADOS ESTÃO SENDO REALMENTE EFICAZES?

Em 2002, o governo federal implantou o Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD). Desde então, bilhões de reais foram investidos anualmente para a realização de trabalhos de prevenção e promoção da saúde, conscientização e mobilização social para trabalhar o enfrentamento deste problema de saúde pública no país.

Na época em que o plano começou havia uma preocupação com o número de casos de Dengue registrados em 2002 (305 mil) e uma das metas era reduzir esse número em 50%, em 2003, e gradativamente, em 25%, a cada ano.

Em 2003 o número caiu para 152 mil casos, mas isso não significou que a plano de ação tenha sido o responsável pela redução. Hoje a meta inicial, de reduzir 25% a cada ano, ficou para trás. Os números ligados a infecções por Dengue variam anualmente e dependem de uma série de fatores ambientais que envolvem, por exemplo, saneamento básico e educação. Hoje o país continua convivendo com o vetor dessas 3 doenças se reproduzindo descontroladamente, com capacidade de transmitir três tipos de vírus diferentes.

Pesquisas revelam que o país gasta, em média, 1,2 bilhão de reais por ano em ações contra a dengue.  Grande parte deste gasto se concentrou em ações de combate ao mosquito em sua fase adulta, especialmente em períodos de alta ocorrência da doença. É uma ação que se considerarmos o ciclo, soa como enxugar gelo.

Ações pontuais, que tentam “exterminar” os mosquitos vetores em sua fase adulta acabam gerando gastos elevados – é o caso de estratégias com base no fumacê, por exemplo, que polui o ambiente e não resolve a causa do problema. Só no ano de 2008 foram gastos 20 milhões de reais com inseticidas. As pessoas matam o mosquito, mas os ovos e larvas seguem seu ciclo nos milhares de focos espalhados. É ou não é enxugar gelo?

O PNCD também tem prevê investimentos na prevenção, conscientização e mobilização social. A população precisa entender e perceber as causas do problema. Entender que o mosquito tem um ciclo, que ele não nasce para causar doenças e morte de forma deliberada.

Tornar o Aedes um “inimigo público” com frases como “xô Dengue” ou “Todos contra o mosquito” tiram a atenção para a possibilidade de tratar as causas ligadas à transmissão da doença, ligadas aos determinantes socioambientais da saúde. A população precisa estar empoderada por meio de, por exemplo, educação de qualidade. Afinal, como proceder para fazer face aos problemas de saúde causados por questões de desequilíbrio socioambiental?

Educação e Saneamento Ambiental!

No caso do Aedes aegypti, qualquer recipiente que acumule água é potencial foco de proliferação. E não adianta apenas tirar a água, é preciso cuidar para que na próxima chuva o local não acumule água novamente. Os ovos são resistentes e podem permanecer no local por meses, basta uma nova chuva e, ao entrarem em contato com a água, continuarão o ciclo. Para fazer a população entender e perceber o perigo o trabalho não pode ser apenas pontual e superficial, tratando apenas de “exterminar” o mosquito. Programas de educação de longo prazo podem ser fundamentais para que a população compreenda as causas e os riscos.

 

A ideia não é, e nem pode ser, levar a espécie à extinção, como aparentam as campanhas como “Todos contra o mosquito”. Nosso ambiente é tropical, com chuvas e altas temperaturas, cenário que favorece a reprodução das espécies vetoras. É preciso agir no sentido de inibir essa super-reprodução do Aedes e, assim, resgatar o equilíbrio socioambiental, evitando, consequentemente, epidemias causadas pela transmissão desenfreada das doenças que os insetos transportam.

Sala de Educadores

 

 

Microcefalia é uma anomalia em que o Perímetro Cefálico (PC) é menor que dois centímetros em relação a referência para o sexo da criança (XX para meninos e XX para meninas). É importante também ressaltar que a microcefalia não é transmissível. Sua ocorrência está relacionada à exposição a fatores biológicos, químicos, físicos e genéticos durante a formação dos embriões. (Fiocruz)

 

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