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Pesquisa sobre dengue vence Prêmio Capes de Teses

Estudo sobre esporotricose ganhou menção honrosa. Melhores teses produzidas no IOC receberam Prêmio Alexandre Peixoto em cerimônia integrada às atividades de greve
Por Maíra Menezes03/09/2015 - Atualizado em 23/03/2021

O estudo que analisou mecanismos envolvidos em quadros graves de dengue, desenvolvido durante o doutorado pelo biólogo Eugenio Damaceno Hottz, foi anunciado como um dos vencedores do Prêmio Capes de Teses 2015. Desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a pesquisa ‘Mecanismos de Ativação Plaquetária na Dengue: Contribuições para a Patogênese’ foi considerada a melhor tese do ano na categoria Ciências Biológicas II. Também aluno do IOC, o médico Dayvison Francis Saraiva Freitas recebeu uma menção honrosa na categoria Medicina II por seu estudo dedicado à esporotricose, defendido no Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical. O resultado da premiação foi divulgado no dia 31/08.

Eugenio Hottz e Patrícia Bozza, ao lado da coordenadora da Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular, Leila de Mendonça Lima, receberam o certificado do Prêmio Capes de Teses. Foto: Haydée Vieira – CCS/Capes

Os dois trabalhos destacados no Prêmio Capes estão entre os sete vencedores do Prêmio IOC de Teses Alexandre Peixoto 2015, que foi entregue nesta sexta-feira, 04/09, em cerimônia integrada às ações de greve da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em sua terceira edição, o Prêmio Alexandre Peixoto foi concedido a quatro pesquisas indicadas para o Prêmio Capes de Teses e a três estudos selecionados para disputar o Prêmio Capes-Interfarma de Inovação e Pesquisa. A premiação faz parte das atividades da Semana de Pós-graduação Stricto sensu do IOC.

Plaquetas ativadas: sinal de alerta

Vencedora dos Prêmios Capes e Alexandre Peixoto, a tese de Eugenio Hottz traz importantes descobertas sobre o papel das plaquetas durante a infecção por dengue. Componentes do sangue conhecidos pela sua atuação na coagulação, as plaquetas são constantemente monitoradas em pacientes com a doença: uma contagem baixa indica o agravamento da infecção, evoluindo, por exemplo, para um quadro de dengue grave, com sangramentos, aumento da permeabilidade vascular e diminuição da pressão arterial, o que pode levar à morte. Para descobrir exatamente de que forma o vírus da dengue afeta estes componentes do sangue, o biólogo realizou tanto experimentos com plaquetas infectadas in vitro quanto análises de amostras de pacientes. A investigação revelou que as plaquetas liberam substâncias que ativam a resposta inflamatória do organismo contra o patógeno e contribuem para aumentar a permeabilidade dos vasos sanguíneos. Além de apontar para mecanismos moleculares que podem estar por trás dos casos graves da infecção, a pesquisa identificou um processo inédito nas plaquetas: a formação de inflamassoma, uma estrutura importante para a defesa do organismo descrita em leucócitos.

O caráter inovador do trabalho foi ressaltado pela pesquisadora Patrícia Torres Bozza, chefe do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC e orientadora da tese. Ela explica que a redução no número de plaquetas é um dos processos associados à gravidade da dengue. No entanto, a forma como esses componentes do sangue participam da resposta à infecção ainda não tinha sido descrita. “Eugenio sempre foi um aluno diferenciado, com grande capacidade de trabalho e de fazer contribuições originais, que enriqueceram o projeto”, afirma. O estudo contou ainda com a co-orientação do pesquisador Fernando Augusto Bozza, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), e foi desenvolvido parcialmente na Universidade de Utah, nos Estados Unidos, durante período de doutorado sanduíche.

Antes das premiações, a pesquisa já havia conquistado repercussão no meio acadêmico, com artigos destacados pelas revistas científicas internacionais ‘Blood’ e ‘The journal of Immunology’. Para Eugênio, os resultados do trabalho podem ajudar na busca de novas formas para enfrentar a dengue. “Compreender como uma mesma infecção pode gerar tanto uma forma febril branda quanto formas graves e quais são os eventos moleculares envolvidos nessas diferentes apresentações clínicas pode contribuir para identificar novos alvos terapêuticos e biomarcadores de gravidade, melhorando o manejo clínico da doença”, avalia o autor.

Formas raras de uma micose em expansão

O aumento do número de casos de esporotricose no Rio de Janeiro foi um dos fatores que motivaram Dayvison Freitas, ganhador de menção honrosa no Prêmio Capes de Teses e do Prêmio Alexandre Peixoto, a desenvolver o estudo ‘Avaliação de fatores epidemiológicos, micológicos, clínicos e terapêuticos associados à esporotricose’. Causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, a infecção afeta principalmente gatos, que podem transmitir a doença para pessoas por meio de arranhões e mordidas, além do contato direto com machucados do animal. Nos pacientes, o primeiro sintoma costuma ser o surgimento de lesões na pele, com caroços avermelhados e feridas. Em sua tese de doutorado, Dayvison analisou mais de 3.500 casos de esporotricose registrados nos arquivos do INI/Fiocruz. O levantamento revelou a ocorrência de quadros raros e inéditos e mostrou o impacto da doença em pacientes vulneráveis, especialmente portadores de HIV, que podem desenvolver formas fatais da infecção. “O maior conhecimento sobre as peculiaridades da esporotricose, doença que vem assolando a região metropolitana do Rio de Janeiro, deve ajudar os profissionais de saúde na abordagem diagnóstica. Além disso, com maior conscientização das autoridades responsáveis, acreditamos que a população será mais bem assistida e informada sobre medidas de prevenção e controle do agravo”, avalia o autor.

A investigação contou também com experimentos em laboratório, que apontaram para um possível aumento na virulência dos fungos causadores da esporotricose no Rio de Janeiro e para a capacidade destes patógenos se adaptarem ao organismo dos pacientes, dificultando o tratamento da infecção. A tese foi orientada pela médica Maria Clara Gutierrez Galhardo e co-orientada pela bióloga Rosely Maria Zancopé Oliveira, pesquisadoras do INI/Fiocruz. Maria Clara ressaltou a extensão do estudo realizado. “Foi um trabalho árduo, que chegou a vários resultados importantes. Dayvison demonstrou ter espírito de pesquisador, com a seriedade e a responsabilidade necessárias para a ciência”, disse a orientadora.

Cerimônia de premiação

A entrega do Prêmio Capes de Teses 2015 ocorreu no dia 10 de dezembro, em Brasília. Os autores das melhores teses em cada uma das 48 áreas de pós-graduação reconhecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) receberam certificado e medalha, além de uma bolsa de estudos para realização de pós-doutorado.

Sobre o Prêmio Alexandre Peixoto

O Prêmio IOC de Teses Alexandre Peixoto destaca os melhores trabalhos defendidos nos Programas de Pós-graduação do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A premiação foi criada em 2013 após uma consulta pública à comunidade do Instituto, que escolheu a melhor forma de homenagear o pesquisador Alexandre Peixoto, morto prematuramente, aos 50 anos, em fevereiro daquele ano. Especialista em genética de insetos, o pesquisador era chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos e coordenador do Programa de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do IOC. Reconhecido em programas nacionais e internacionais de fomento à pesquisa pela sua produtividade, Alexandre também se destacava pela dedicação à formação de pós-graduandos, que se refletiu no número de orientações realizadas por ele. Durante os cerca de 15 anos em que atuou como pesquisador titular da Fiocruz, o geneticista orientou 18 dissertações de mestrado e o mesmo número de teses de doutorado, sendo que quatro destas estavam em andamento quando ele faleceu.

Os vencedores do Prêmio Alexandre Peixoto são escolhidos pelos Programas de Pós-graduação do IOC. Entre os critérios para seleção são considerados a originalidade do trabalho e sua relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação do país, entre outros fatores. Na primeira edição do evento, realizada em outubro de 2013, quatro teses foram premiadas. Já no ano passado, três trabalhos receberam a premiação. Em 2015, a seleção contemplou pesquisas indicadas parar disputar o Prêmio Capes-Interfarma de Inovação e Pesquisa, além daquelas escolhidas para recomendação ao Prêmio Capes de Teses.

Estudo sobre esporotricose ganhou menção honrosa. Melhores teses produzidas no IOC receberam Prêmio Alexandre Peixoto em cerimônia integrada às atividades de greve
Por: 
maira

O estudo que analisou mecanismos envolvidos em quadros graves de dengue, desenvolvido durante o doutorado pelo biólogo Eugenio Damaceno Hottz, foi anunciado como um dos vencedores do Prêmio Capes de Teses 2015. Desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a pesquisa ‘Mecanismos de Ativação Plaquetária na Dengue: Contribuições para a Patogênese’ foi considerada a melhor tese do ano na categoria Ciências Biológicas II. Também aluno do IOC, o médico Dayvison Francis Saraiva Freitas recebeu uma menção honrosa na categoria Medicina II por seu estudo dedicado à esporotricose, defendido no Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical. O resultado da premiação foi divulgado no dia 31/08.

Eugenio Hottz e Patrícia Bozza, ao lado da coordenadora da Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular, Leila de Mendonça Lima, receberam o certificado do Prêmio Capes de Teses. Foto: Haydée Vieira – CCS/Capes

Os dois trabalhos destacados no Prêmio Capes estão entre os sete vencedores do Prêmio IOC de Teses Alexandre Peixoto 2015, que foi entregue nesta sexta-feira, 04/09, em cerimônia integrada às ações de greve da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em sua terceira edição, o Prêmio Alexandre Peixoto foi concedido a quatro pesquisas indicadas para o Prêmio Capes de Teses e a três estudos selecionados para disputar o Prêmio Capes-Interfarma de Inovação e Pesquisa. A premiação faz parte das atividades da Semana de Pós-graduação Stricto sensu do IOC.

Plaquetas ativadas: sinal de alerta

Vencedora dos Prêmios Capes e Alexandre Peixoto, a tese de Eugenio Hottz traz importantes descobertas sobre o papel das plaquetas durante a infecção por dengue. Componentes do sangue conhecidos pela sua atuação na coagulação, as plaquetas são constantemente monitoradas em pacientes com a doença: uma contagem baixa indica o agravamento da infecção, evoluindo, por exemplo, para um quadro de dengue grave, com sangramentos, aumento da permeabilidade vascular e diminuição da pressão arterial, o que pode levar à morte. Para descobrir exatamente de que forma o vírus da dengue afeta estes componentes do sangue, o biólogo realizou tanto experimentos com plaquetas infectadas in vitro quanto análises de amostras de pacientes. A investigação revelou que as plaquetas liberam substâncias que ativam a resposta inflamatória do organismo contra o patógeno e contribuem para aumentar a permeabilidade dos vasos sanguíneos. Além de apontar para mecanismos moleculares que podem estar por trás dos casos graves da infecção, a pesquisa identificou um processo inédito nas plaquetas: a formação de inflamassoma, uma estrutura importante para a defesa do organismo descrita em leucócitos.

O caráter inovador do trabalho foi ressaltado pela pesquisadora Patrícia Torres Bozza, chefe do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC e orientadora da tese. Ela explica que a redução no número de plaquetas é um dos processos associados à gravidade da dengue. No entanto, a forma como esses componentes do sangue participam da resposta à infecção ainda não tinha sido descrita. “Eugenio sempre foi um aluno diferenciado, com grande capacidade de trabalho e de fazer contribuições originais, que enriqueceram o projeto”, afirma. O estudo contou ainda com a co-orientação do pesquisador Fernando Augusto Bozza, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), e foi desenvolvido parcialmente na Universidade de Utah, nos Estados Unidos, durante período de doutorado sanduíche.

Antes das premiações, a pesquisa já havia conquistado repercussão no meio acadêmico, com artigos destacados pelas revistas científicas internacionais ‘Blood’ e ‘The journal of Immunology’. Para Eugênio, os resultados do trabalho podem ajudar na busca de novas formas para enfrentar a dengue. “Compreender como uma mesma infecção pode gerar tanto uma forma febril branda quanto formas graves e quais são os eventos moleculares envolvidos nessas diferentes apresentações clínicas pode contribuir para identificar novos alvos terapêuticos e biomarcadores de gravidade, melhorando o manejo clínico da doença”, avalia o autor.

Formas raras de uma micose em expansão

O aumento do número de casos de esporotricose no Rio de Janeiro foi um dos fatores que motivaram Dayvison Freitas, ganhador de menção honrosa no Prêmio Capes de Teses e do Prêmio Alexandre Peixoto, a desenvolver o estudo ‘Avaliação de fatores epidemiológicos, micológicos, clínicos e terapêuticos associados à esporotricose’. Causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, a infecção afeta principalmente gatos, que podem transmitir a doença para pessoas por meio de arranhões e mordidas, além do contato direto com machucados do animal. Nos pacientes, o primeiro sintoma costuma ser o surgimento de lesões na pele, com caroços avermelhados e feridas. Em sua tese de doutorado, Dayvison analisou mais de 3.500 casos de esporotricose registrados nos arquivos do INI/Fiocruz. O levantamento revelou a ocorrência de quadros raros e inéditos e mostrou o impacto da doença em pacientes vulneráveis, especialmente portadores de HIV, que podem desenvolver formas fatais da infecção. “O maior conhecimento sobre as peculiaridades da esporotricose, doença que vem assolando a região metropolitana do Rio de Janeiro, deve ajudar os profissionais de saúde na abordagem diagnóstica. Além disso, com maior conscientização das autoridades responsáveis, acreditamos que a população será mais bem assistida e informada sobre medidas de prevenção e controle do agravo”, avalia o autor.

A investigação contou também com experimentos em laboratório, que apontaram para um possível aumento na virulência dos fungos causadores da esporotricose no Rio de Janeiro e para a capacidade destes patógenos se adaptarem ao organismo dos pacientes, dificultando o tratamento da infecção. A tese foi orientada pela médica Maria Clara Gutierrez Galhardo e co-orientada pela bióloga Rosely Maria Zancopé Oliveira, pesquisadoras do INI/Fiocruz. Maria Clara ressaltou a extensão do estudo realizado. “Foi um trabalho árduo, que chegou a vários resultados importantes. Dayvison demonstrou ter espírito de pesquisador, com a seriedade e a responsabilidade necessárias para a ciência”, disse a orientadora.

Cerimônia de premiação

A entrega do Prêmio Capes de Teses 2015 ocorreu no dia 10 de dezembro, em Brasília. Os autores das melhores teses em cada uma das 48 áreas de pós-graduação reconhecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) receberam certificado e medalha, além de uma bolsa de estudos para realização de pós-doutorado.

Sobre o Prêmio Alexandre Peixoto

O Prêmio IOC de Teses Alexandre Peixoto destaca os melhores trabalhos defendidos nos Programas de Pós-graduação do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A premiação foi criada em 2013 após uma consulta pública à comunidade do Instituto, que escolheu a melhor forma de homenagear o pesquisador Alexandre Peixoto, morto prematuramente, aos 50 anos, em fevereiro daquele ano. Especialista em genética de insetos, o pesquisador era chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos e coordenador do Programa de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do IOC. Reconhecido em programas nacionais e internacionais de fomento à pesquisa pela sua produtividade, Alexandre também se destacava pela dedicação à formação de pós-graduandos, que se refletiu no número de orientações realizadas por ele. Durante os cerca de 15 anos em que atuou como pesquisador titular da Fiocruz, o geneticista orientou 18 dissertações de mestrado e o mesmo número de teses de doutorado, sendo que quatro destas estavam em andamento quando ele faleceu.

Os vencedores do Prêmio Alexandre Peixoto são escolhidos pelos Programas de Pós-graduação do IOC. Entre os critérios para seleção são considerados a originalidade do trabalho e sua relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação do país, entre outros fatores. Na primeira edição do evento, realizada em outubro de 2013, quatro teses foram premiadas. Já no ano passado, três trabalhos receberam a premiação. Em 2015, a seleção contemplou pesquisas indicadas parar disputar o Prêmio Capes-Interfarma de Inovação e Pesquisa, além daquelas escolhidas para recomendação ao Prêmio Capes de Teses.

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)