Exposições da Coleção Entomológica divulgam conhecimento
sobre biodiversidade de insetos e história da ciência

A diversidade de insetos da fauna brasileira e a importância desses espécimes para a história da ciência são o foco das exposições Insetos: a explosão estética da biodiversidade e Conhecendo a história da ciência através de insetos , realizadas em parceria pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e a Casa de Oswaldo Cruz (COC). Na varanda do 2º andar, o público encontra o acervo da mostra Insetos: a explosão estética da biodiversidade , composto por material coletado desde as primeiras expedições científicas realizadas por pesquisadores do IOC pelo Brasil no início do século 20. Na sala 307, onde está abrigada a mostra Conhecendo a história da ciência através dos insetos , os visitantes são apresentados às 12 Coleções Históricas do IOC, que homenageiam pesquisadores eméritos do Instituto que contribuíram para a composição do acervo da Coleção Entomológica. Entre eles, estão os entomólogos Herman Lent, Hugo de Souza Lopes e Sebastião José de Oliveira , cassados durante o Regime Militar, no episódio histórico conhecido como Massacre de Manguinhos.

“As exposições fazem parte de uma iniciativa para a divulgação da Coleção Entomológica que está apenas começando. Esse acervo faz parte da história da ciência e da história do Brasil e é nosso dever colocá-lo à disposição da população”, apresenta Jane Costa, chefe do Laboratório da Coleção Entomológica do IOC. Integrando a estratégia de divulgação científica das coleções, o evento contou com uma cerimônia de abertura, na terça-feira, 28, em que foram apresentadas as palestras Coleção Entomológica & Biodiversidade e Coleção Enotmológica & História da Ciência , seguidas de debates.

“O objetivo das exposições é divulgar a história da ciência, mostrando a diversidade de insetos que existe no Brasil. Muitos ficam surpresos com a variedade de espécie, algumas muito belas, e passam a se interessar mais pela ciência”, comenta Danielle Cerri, da equipe de curadores das mostras.

Gutemberg Brito
Coleção
No primeiro dia de visitação, os estudantes se surpreenderam ao conhecer espécies inusitadas de insetos

A professora Sebastiana Rosa da Silva, do Instituto de Educação Rangel Pestana, escola pública de Nova Iguaçu que atende crianças com deficiência auditiva, trouxe 26 alunos para visitar a exposição. “Mesmo que não faça parte do dia-a-dia das crianças, é muito importante que elas saibam que existem trabalhos como estes”, a professora avaliou. Para Renan Aprígio, de 13 anos, um dos estudantes do grupo, a visita foi um momento de aprendizado. “Gostei muito. Achei interessante porque os insetos vieram das matas”.

As exposições estão em cartaz até o dia 15 de dezembro e as visitas guiadas pelo Museu da Vida para turmas escolares, podem ser agendadas pelo telefone (21) 2590-6747 ou pelo e-mail recepcaomv@coc.fiocruz.br .

Debates deram início à mostra

A importância da biodiversidade e sua representatividade nas coleções entomológicas foram os temas abordados pelas palestras realizadas durante abertura das exposições da Coleção Entomológica do IOC na última terça-feira (28). O debate foi mediado por Elizabeth Rangel, chefe do Departamento de Entomologia do IOC, que introduziu o tema e destacou a valor do evento: “A Coleção Entomológica é um patrimônio institucional que nos dá muito orgulho. É nosso dever colocá-la à disposição de todos”, sintetizou.

O debate teve início com a palestra Coleção Entomológica & Biodiversidade , proferida pelo pesquisador Márcio Félix, do Laboratório da Coleção Entomológica do IOC, que apresentou um amplo panorama sobre a fauna e flora brasileiras e ressaltou a importância da biodiversidade para a manutenção do equilíbrio de ecossistemas. “O Brasil concentra de 15% a 20% das espécies do planeta, contendo 17% da fauna e 22% da flora mundiais. Temos por isso o grande desafio de preservar esta biodiversidade. Com um acervo de 5 milhões de insetos, a Coleção Entomológica do IOC forma um catálogo organizado da biodiversidade brasileira, que além de constituir uma fonte de dados para pesquisas científicas é um patrimônio nacional e internacional de incalculável valor histórico e cultural”, Félix considerou. 

Gabriel Mejdalane, pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que há 20 anos trabalha com coleções, complementou a palestra com dados sobre a situação atual da taxonomia de espécies e ressaltou a necessidade de formação de colaborações e redes internacionais para o estudo da biodiversidade. “A estimativa [10 a 100 milhões de espécies] é muito imprecisa. Seria necessário um esforço muito grande para descrever as espécies e aumentar nosso limitado conhecimento e para isso é fundamental uma ação conjunta entre países, pois grande parte das nossas espécies está em coleções no exterior”, alertou.

O debate científico teve continuidade com o pesquisador Márcio Rangel, do Departamento de Museus do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que apresentou a pesquisa Um entomólogo chamado Costa Lima – a construção de um saber e a consolidação de um patrimônio científico , dedicada a Ângelo Moreira da Costa Lima , pesquisador emérito da Fiocruz.

A palestra foi comentada pelo professor Luiz Fernando Ferreira, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp), e pela pesquisadora Danielle Grynszpan , do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do IOC, que relataram suas experiências relativas às coleções. Luiz Fernando Ferreira, que conheceu Costa Lima pessoalmente, contou como as histórias de Julio Verne influenciaram sua formação e apresentou um pouco de seu trabalho como paleoparasitologista; Danielle Grynszpan, que estudou no Museu de História Natural em Paris, tratou da relação entre a História Natural e as artes.


Bel Levy, Gustavo Barreto e Renata Fontoura

01/11/06