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Coleção da Seção de Anatomia Patológica

O acervo da Seção de Anatomia Patológica(CSAP) é composto, atualmente, por 854  peças anatômicas, resultante do trabalho de grandes vultos da ciência nacional, que “contam” todo o início da história da Patologia (1903) e o seu desenvolvimento até a década de 1970, no Rio de Janeiro, e as contribuições da Patologia para a ciência nacional e internacional. Embora tenham ocorrido perdas de material principalmente durante as décadas de 1960 e 1970, as peças anatômicas remanescentes constituem o próprio documento histórico do trabalho de famosos patologistas da Escola de Manguinhos. 

 

 

 

                               

 

 Histórico da CSAP 

A história do Museu da Patologia / IOC se confunde com a da histopatologia nacional. A histologia patológica só começou a se desenvolver no princípio do século XX (por volta de 1903) em dois núcleos: um deles no Hospital Nacional de Alienados, então localizado na Praia Vermelha, onde a pesquisa anátomo-patológica não teve longa duração; o outro no Instituto Oswaldo Cruz (iniciado por Henrique da Rocha Lima) onde, realmente, se criou e desenvolveu a primeira Escola Brasileira de Anatomia e Histologia Patológicas.

Foram difíceis e acidentados os primeiros quinze anos de sua história. Embora sejam múltiplas as contribuições originais da Escola de Manguinhos para o conhecimento anátomo-patológico das doenças observadas em nosso País, destacam-se aquelas referentes à febre amarela e à Doença de Chagas. 

 

Hospital Nacional de Alienados e o Hospital de Manguinhos 1919.

 

  No seu apogeu, a Divisão de Patologia contava com elementos competentes nos mais diversos aspectos da anatomia patológica especial. Esta divisão gerou um vasto acervo de peças anatômicas, fruto de um movimento de necrópsias de até seis indivíduos por dia, oriundos do Hospital do Instituto (hoje, Instituto de Pesquisa Evandro Chagas), da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e do Hospital São Francisco de Assis.

 Em determinado momento, este acervo ocupava 40 grandes armários expositivos, localizados onde hoje fica o Pavilhão Carlos Chagas, campus de Manguinhos. Infelizmente, no período compreendido entre o final da década de 1960 e a década de 1970, a Divisão, bem como o Instituto como um todo, atravessou grave crise que resultou em perda significativa desse patrimônio. Em 1981, o IOC foi reorganizado em Departamentos e a Divisão de Patologia deu origem ao Departamento de Patologia do IOC que tem ainda hoje a guarda do acervo de peças macroscópicas e respectivas lâminas histológicas que “contam” a história e as contribuições da Patologia para a ciência nacional e internacional.

 

 

 Contribuição pregressa

Dentre as várias contribuições da Seção/Divisão de Anatomia Patológica para a ciência nacional podemos citar:

 

  - Os estudos fundamentais de Rocha-Lima e de Magarinos Torres, sobre a anatomia patológica da febre amarela. A lesão de Rocha-Lima sempre observada nos casos avançados dessa doença, e a degeneração oxicromática do núcleo das células hepáticas, lesão de Magarinos Torres, com a presença das inclusões nucleares características nas fases mais recentes da infecção, como que representam a assinatura da doença e o rasto de sua passagem pelo organismo;
 
  - As lesões histológicas da doença de Chagas, foram pela primeira vez, e magistralmente, descritas por Gaspar Vianna e ilustradas por Castro-Silva, depois longamente estudadas por Magarinos Torres e por Henrique da Rocha-Lima. São clássicos os trabalhos de Torres sobre a patologia da cardiopatia chagásica que, sob o ponto de vista clínico, foi muito bem estudada pelo próprio Carlos Chagas e por Eurico Villela, mais tarde por Evandro Chagas e em seguida por Genard Nobrega, Francisco da Silva Laranja e outros médicos de Manguinhos;

 

   - Gaspar Vianna traçou pela primeira vez em linhas gerais todo o quadro clínico e anátomo-patológico da micose de Lutz, esclarecendo sua patogenia e mostrando que, após as localizações cutâneo-mucosas iniciais, a infecção se propagava por via linfática, antes de, numa fase final hematogênica, se espalhar por todo o organismo. Parte desse trabalho foi publicada em colaboração com Miguel Pereira e parte constituiu sua tese para a obtenção da livre docência e foi apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Ficavam assim completados os estudos de Splendore, os quais já deixavam entrever a existência de localizações múltiplas da infecção, quando esse autor assinalava a existência de sinais clínicos de localização pulmonar e a presença de formas parasitárias no escarro e na urina dos pacientes; 

    

Henrique de Rocha Lima                  Gaspar Vianna 

 

 

   
    Carlos Chagas                      Magarino Torres

 Fonte: http://www.ioc.fiocruz.br/personalidades

 

 - Em 1913, Henrique Aragão e Gaspar Vianna estudaram o granuloma venéreo publicando um bem documentado trabalho (uma nota no Brasil-Médico e, depois, nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz (Vol. V)) com a descrição clínica, o estudo histopatológico e o resultado terapêutico brilhante que obtiveram pelo uso do tártaro-emético. Esses estudos foram importantes também porque permitiram que se afastassem definitivamente as hipóteses de origem sifilítica ou tuberculosa do granuloma venéreo, as quais até então ainda eram admitidas por vários autores. Aragão e Vianna, outrossim, confirmaram a presença, nos cortes histológicos das lesões de granuloma venéreo, dos corpúsculos que Donovan (1905), Siebert (1907) e Flu (1911) tinham anteriormente encontrado e descrito. Quanto, porém, às culturas de bacilos encapsulados (Klebsiella) obtidas de lesões de granuloma venéreo, considerou-as Henrique Aragão como representando contaminantes acidentais;

 
  - A. Penna-de-Azevedo procedeu à revisão do material existente de glândula tireóide, de indivíduos com diagnóstico, clínica e parasitologicamente comprovado de doença de Chagas. Uma circunstância digna de nota é a de que a parte do trabalho de Penna-de-Azevedo, referente às lesões da tireóide nos casos agudos de doença de Chagas por ele estudados, foi publicada ainda em vida do próprio Chagas;
 
  - Os trabalhos de Magarinos Torres e José Castro-Teixeira sobre a histopatologia da varíola e do alastrim vieram trazer novos e importantes subsídios para a distinção entre essas duas doenças que se diferenciam pelas manifestações clínicas e pelas lesões produzidas na membrana córioalantóide do embrião de galinha, o que, também em Manguinhos, foi demonstrado por Antonio Sotero Cabral; 
 
  - Os estudos sobre a histopatologia das cromoblastomicoses por Magarinos Torres e sobre a blastomicose benígna (doença ou micose de Lobo), realizados por Penna-de-Azevedo;
 
  - Entre os trabalhos de Manguinhos no domínio da neuro patologia, devemos destacar aqueles realizados por Alexandre Alencar sobre as pan-encefalites sub-agudas esclerosantes. Em primeiro lugar, porque foram estes os estudos iniciais realizados no Brasil sobre o que então se considerava como “encefalites atípicas” (formas de Dawson, Van Bogaert e Pette-Doring). Alencar descreveu as alterações nucleares e nucleolares encontradas, pela primeira vez sendo demonstrado nessas doenças o fenômeno da “extrusão dos nucleolinos”. Pelos trabalhos de Alencar também ficou provado que esse fenômeno não ocorre apenas nas pan-encefalites sub-agudas esclerosantes, mas ainda na poliomielite anterior aguda e na raiva, sendo este um fenômeno geral observado nas neuroviroses.

 

 

 Missão e Visão 

  • Missão
         Promover a salvaguarda do Patrimônio material referente ao acervo denominado “Coleção da Seção de Anatomia Patológica do Instituto Oswaldo Cruz”, gerado a partir do material coletado para estudo e diagnóstico durante os trabalhos realizados por esta Seção/Divisão durante as décadas de 1903 e 1970, procedentes de todo o Brasil, inclusive promovendo a divulgação científica desta coleção, bem como a busca por fomento e colaborações para a pesquisa científica em seu acervo biológico.
 
  • Visão 
          Re-estruturar, organizar e modernizar o acervo da Coleção da Seção de Anatomia Patológica através da recuperação das peças anatômicas, da realização de um inventário informatizado contemplando a criação de um banco de dados para gerenciamento das informações, transformando-a em um espaço não-formal de ensino-aprendizagem que permita/favoreça a fruição dos conhecimentos científicos para os visitantes e fomente a pesquisa pluridisciplinar neste acervo, suscitando parcerias nacionais e internacionais

 

 Equipe 

A equipe de trabalho é multidisciplinar possuindo expertise em patologia, processamento de tecidos, biologia molecular, manejo e informatização de acervos biológicos, virologia, história do Brasil, análise de documentos históricos, processamento de imagens e produção de vídeos científicos

 

 Recuperação e Reorganização

As peças anatômicas estão sendo recuperadas através da limpeza física dos vidros que as armazenam e a troca do fixador utilizado para a conservação do tecido. 

 

  
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1. Amostra pertencente ao CSAP, Este Coração foi extraído pelo Dr. Cezar Guerreiro.

2. Mais uma amostra de um coração, desta vez extraído pelo Dr. A. Penna de Azevedo.

3. Uma amostra de fígado. Abaixo temos um dos armários originais utilizado para exposição, plenamente restaurado.

4. Etiqueta pertencente a amostra acima.

5. Lãminas da CSAP.

6. Armario para exposição das peças de anatomia.

 

 Informatização da CSAP

O inventário de peças anatômicas já foi realizado sendo o acervo museológico atualmente composto por 854 peças anatômicas resultante do trabalho de grandes vultos da ciência nacional. O banco de dados está sendo implementado utilizando plataforma Access e está sendo alimentado com as informações geradas durante o inventário.