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Instituto celebra 20 anos de capacitação em biossegurança com agenda estratégica

Programação reuniu especialistas para discutir regulação, biotecnologia e desafios contemporâneos da área
Abertura do primeiro dia de atividades em celebração aos 20 anos de capacitação em biossegurança. Foto: Rudson Amorim

Nos dias 6, 9 e 10 de abril, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) promoveu uma série de atividades comemorativas pelos 20 anos do Curso de Capacitação em Biossegurança, reafirmando o compromisso com a formação de profissionais qualificados e com o fortalecimento da cultura de biossegurança em ambientes de pesquisa, ensino e assistência.

A cerimônia incluiu homenagem aos coordenadores e professores dos nove módulos do Curso de Biossegurança Laboratorial e Coleções Científicas, além da aula inaugural ministrada pelo professor Sylvio Valle, com o tema “Passado, Presente e Futuro da Biossegurança”.

Plateia participativa, com troca de ideias sobre o tema. Foto: Rudson Amorim

A mesa de abertura reuniu a diretora do IOC, Tania Araujo-Jorge; a diretora de Ensino e Extensão do IOC, Norma Brandão; a presidente da CIBio/IOC, Dalziza de Almeida; e Maria de Nazaré Soeiro, chefe do Laboratório de Biologia Celular do IOC e docente do curso.

As especialistas ressaltaram o papel histórico do Instituto na consolidação de práticas científicas éticas e seguras, com a biossegurança como elemento estruturante das atividades. Também foram destacados o caráter coletivo da construção de políticas institucionais e sua contribuição para a soberania científica e o enfrentamento ao negacionismo.

Presidente da CIBio/IOC, Dalziza de Almeida, durante a mesa de abertura do evento. Foto: Rudson Amorim

Nesse contexto, Dalziza enfatizou a relevância da biossegurança no cotidiano laboratorial, destacando seu papel transversal nas atividades de pesquisa e na garantia de qualidade dos processos desenvolvidos na instituição.

“A biossegurança, muitas vezes percebida como silenciosa, é uma das bases que sustentam com qualidade e segurança o nosso trabalho”, frisou a presidente da CIBio.

Por sua vez, Tania reforçou a conexão entre biossegurança e o papel da instituição.

“Estamos em uma luta permanente contra o negacionismo científico, pela soberania nacional a partir da ciência e do conhecimento”, comentou a diretora do IOC.

Nazaré destacou a trajetória da iniciativa ao longo de duas décadas, ressaltando a importância da construção coletiva e da atuação integrada entre diferentes áreas do conhecimento para o fortalecimento da biossegurança na instituição.

Maria de Nazaré Soeiro, chefe do Laboratório de Biologia Celular do IOC e docente do curso. Foto: Rudson Amorim

“A gente constrói junto, porque a gente não quer duplicar, a gente não quer subtrair, a gente quer somar. Uma instituição é feita de pessoas, não de paredes”, salientou a docente do curso.

Reconhecimentos e homenagens

Um dos destaques da programação foi a homenagem aos docentes e coordenadores dos nove módulos do curso, que totalizam de 196 horas.

Conheça os módulos:

  • Introdutório de Fundamentos em biossegurança e Saúde única
  • Boas Práticas Laboratoriais
  • Risco Biológico
  • Risco Físico e de Prevenção de Incêndios em Laboratórios
  • Segurança Química
  • Gestão da Qualidade
  • Biossegurança em Coleções Científicas
  • Experimentação Animal
  • Captura de Animais Silvestres
     
Homenageados reunidos em momento de celebração. Foto: Rudson Amorim

Em seguida, aconteceu a aula inaugural ministrada pelo professor Sylvio Valle, que apresentou uma retrospectiva da evolução da biossegurança no Brasil, desde suas práticas iniciais até a consolidação de marcos normativos e éticos.

Professor Sylvio Valle, durante sua apresentação sobre a trajetória da biossegurança no país. Foto: Rudson Amorim

Ao abordar a trajetória da área e o papel formativo, o professor destacou a contribuição do curso para o fortalecimento de uma cultura científica orientada pela responsabilidade.

“Mais do que formar profissionais, esse curso ajudou a consolidar uma cultura baseada na ética”, enfatizou.

O evento também prestou homenagem ao pesquisador Herman Schatzmayr, cuja atuação foi fundamental para a implementação da biossegurança no país e para a criação do curso, hoje consolidado como referência na qualificação profissional e na promoção de práticas seguras no IOC e na Fiocruz.

Mesas estratégicas

A programação teve continuidade no dia 9 de abril, com a realização de uma plenária da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), recepcionada pelo Diretor Executivo do IOC, Guilherme de Beaurepaire Pereira da Silva.

A mesa foi composta por membros da CTNBio: Marcelo Menossi, coordenador das Setoriais Vegetal e Ambiental; Mário Murakami, presidente da Comissão; Maria Luiza Saraiva Pereira, coordenadora das Setoriais das Áreas de Saúde Humana e Animal; e Rubens José Nascimento, coordenador da Secretaria Executiva.

O encontro reuniu representantes de empresas de biotecnologia e Comissões Internas de Biossegurança do estado do Rio de Janeiro, promovendo a troca de experiências e o alinhamento de práticas regulatórias.

Com caráter estratégico, a reunião incluiu a aprovação de projetos nas áreas animal e vegetal, reforçando o papel da CTNBio na avaliação e no acompanhamento de atividades envolvendo organismos geneticamente modificados no Brasil.

A plenária contou com a participação de Mario Murakami, presidente do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais e da CTNBio, que ressaltou a importância do espaço para a tomada de decisões estratégicas.

Mesa composta pelos membros da CTNBio. Foto: Rudson Amorim

Encerrando as atividades, no dia 10 de abril, foi realizada uma sessão extraordinária do Centro de Estudos do IOC, com programação organizada em duas apresentações que abordaram, de forma complementar, a regulação da inovação em saúde e o papel da biossegurança no país. A iniciativa integrou-se à disciplina Fundamentos em Biologia Molecular da PGBCM, sob coordenação de Patrícia Cuervo e Raquel Teixeira.

O primeiro tema, “Regulação da Inovação em Saúde: Biossegurança das Terapias Avançadas”, foi apresentado pela tecnologista do Ministério da Saúde, Ninive Colonello, que discutiu os desafios relacionados à regulação de terapias gênicas e produtos biológicos, com ênfase na necessidade de garantir segurança, eficácia e qualidade, além do monitoramento contínuo ao longo do ciclo de vida dessas tecnologias.

A palestrante destacou a importância de uma análise crítica sobre o cenário atual da inovação em saúde.

Ninive Colonello, tecnologista do Ministério da Saúde, abordou os desafios da regulação de terapias gênicas e produtos biológicos. Foto: Rudson Amorim

“Mais do que acumular informações, é importante refletir sobre o momento atual e os caminhos da inovação”, disse a especialista.

O segundo tema, “CTNBio e a Estruturação da Regulação da Pesquisa em Biotecnologia no Brasil”, foi conduzido pelo coordenador da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, Rubens Nascimento.

Rubens Nascimento apresentou o papel da CTNBio na regulação da pesquisa em biotecnologia no Brasil. Foto: Rudson Amorim

Em sua apresentação, foram abordados os fundamentos do sistema brasileiro de biossegurança, com base na Lei nº 11.105/2005, e o papel da comissão na avaliação de risco e na normatização de atividades envolvendo biotecnologia.

O palestrante enfatizou a atuação da CTNBio na análise de tecnologias emergentes e na consolidação de diretrizes para o setor.

“Estamos examinando os processos biotecnológicos mais inovadores, ou seja, a fronteira do conhecimento”, comentou Nascimento.

Durante o debate, foram discutidos desafios estratégicos para o avanço das terapias avançadas no país, como a ampliação da capacidade produtiva nacional de insumos farmacêuticos, a atualização regulatória frente às novas tecnologias e os riscos associados a inovações emergentes, como os xenotransplantes, além da importância de integrar pesquisa e assistência na transição para a aplicação clínica.

Com auditório lotado, público acompanhou as palestras sobre biossegurança e regulação em biotecnologia. Foto: Rudson Amorim

Ao reunir diferentes perspectivas técnicas, as atividades comemorativas evidenciaram a biossegurança como eixo estruturante para o desenvolvimento científico. Além disso, reforçam o papel do Instituto Oswaldo Cruz na formação de pessoas, na consolidação de marcos regulatórios e na promoção de uma ciência orientada pelo compromisso com a sociedade.

Programação reuniu especialistas para discutir regulação, biotecnologia e desafios contemporâneos da área
Por: 
jornalismo
Abertura do primeiro dia de atividades em celebração aos 20 anos de capacitação em biossegurança. Foto: Rudson Amorim

Nos dias 6, 9 e 10 de abril, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) promoveu uma série de atividades comemorativas pelos 20 anos do Curso de Capacitação em Biossegurança, reafirmando o compromisso com a formação de profissionais qualificados e com o fortalecimento da cultura de biossegurança em ambientes de pesquisa, ensino e assistência.

A cerimônia incluiu homenagem aos coordenadores e professores dos nove módulos do Curso de Biossegurança Laboratorial e Coleções Científicas, além da aula inaugural ministrada pelo professor Sylvio Valle, com o tema “Passado, Presente e Futuro da Biossegurança”.

Plateia participativa, com troca de ideias sobre o tema. Foto: Rudson Amorim

A mesa de abertura reuniu a diretora do IOC, Tania Araujo-Jorge; a diretora de Ensino e Extensão do IOC, Norma Brandão; a presidente da CIBio/IOC, Dalziza de Almeida; e Maria de Nazaré Soeiro, chefe do Laboratório de Biologia Celular do IOC e docente do curso.

As especialistas ressaltaram o papel histórico do Instituto na consolidação de práticas científicas éticas e seguras, com a biossegurança como elemento estruturante das atividades. Também foram destacados o caráter coletivo da construção de políticas institucionais e sua contribuição para a soberania científica e o enfrentamento ao negacionismo.

Presidente da CIBio/IOC, Dalziza de Almeida, durante a mesa de abertura do evento. Foto: Rudson Amorim

Nesse contexto, Dalziza enfatizou a relevância da biossegurança no cotidiano laboratorial, destacando seu papel transversal nas atividades de pesquisa e na garantia de qualidade dos processos desenvolvidos na instituição.

“A biossegurança, muitas vezes percebida como silenciosa, é uma das bases que sustentam com qualidade e segurança o nosso trabalho”, frisou a presidente da CIBio.

Por sua vez, Tania reforçou a conexão entre biossegurança e o papel da instituição.

“Estamos em uma luta permanente contra o negacionismo científico, pela soberania nacional a partir da ciência e do conhecimento”, comentou a diretora do IOC.

Nazaré destacou a trajetória da iniciativa ao longo de duas décadas, ressaltando a importância da construção coletiva e da atuação integrada entre diferentes áreas do conhecimento para o fortalecimento da biossegurança na instituição.

Maria de Nazaré Soeiro, chefe do Laboratório de Biologia Celular do IOC e docente do curso. Foto: Rudson Amorim

“A gente constrói junto, porque a gente não quer duplicar, a gente não quer subtrair, a gente quer somar. Uma instituição é feita de pessoas, não de paredes”, salientou a docente do curso.

Reconhecimentos e homenagens

Um dos destaques da programação foi a homenagem aos docentes e coordenadores dos nove módulos do curso, que totalizam de 196 horas.

Conheça os módulos:

  • Introdutório de Fundamentos em biossegurança e Saúde única
  • Boas Práticas Laboratoriais
  • Risco Biológico
  • Risco Físico e de Prevenção de Incêndios em Laboratórios
  • Segurança Química
  • Gestão da Qualidade
  • Biossegurança em Coleções Científicas
  • Experimentação Animal
  • Captura de Animais Silvestres
     
Homenageados reunidos em momento de celebração. Foto: Rudson Amorim

Em seguida, aconteceu a aula inaugural ministrada pelo professor Sylvio Valle, que apresentou uma retrospectiva da evolução da biossegurança no Brasil, desde suas práticas iniciais até a consolidação de marcos normativos e éticos.

Professor Sylvio Valle, durante sua apresentação sobre a trajetória da biossegurança no país. Foto: Rudson Amorim

Ao abordar a trajetória da área e o papel formativo, o professor destacou a contribuição do curso para o fortalecimento de uma cultura científica orientada pela responsabilidade.

“Mais do que formar profissionais, esse curso ajudou a consolidar uma cultura baseada na ética”, enfatizou.

O evento também prestou homenagem ao pesquisador Herman Schatzmayr, cuja atuação foi fundamental para a implementação da biossegurança no país e para a criação do curso, hoje consolidado como referência na qualificação profissional e na promoção de práticas seguras no IOC e na Fiocruz.

Mesas estratégicas

A programação teve continuidade no dia 9 de abril, com a realização de uma plenária da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), recepcionada pelo Diretor Executivo do IOC, Guilherme de Beaurepaire Pereira da Silva.

A mesa foi composta por membros da CTNBio: Marcelo Menossi, coordenador das Setoriais Vegetal e Ambiental; Mário Murakami, presidente da Comissão; Maria Luiza Saraiva Pereira, coordenadora das Setoriais das Áreas de Saúde Humana e Animal; e Rubens José Nascimento, coordenador da Secretaria Executiva.

O encontro reuniu representantes de empresas de biotecnologia e Comissões Internas de Biossegurança do estado do Rio de Janeiro, promovendo a troca de experiências e o alinhamento de práticas regulatórias.

Com caráter estratégico, a reunião incluiu a aprovação de projetos nas áreas animal e vegetal, reforçando o papel da CTNBio na avaliação e no acompanhamento de atividades envolvendo organismos geneticamente modificados no Brasil.

A plenária contou com a participação de Mario Murakami, presidente do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais e da CTNBio, que ressaltou a importância do espaço para a tomada de decisões estratégicas.

Mesa composta pelos membros da CTNBio. Foto: Rudson Amorim

Encerrando as atividades, no dia 10 de abril, foi realizada uma sessão extraordinária do Centro de Estudos do IOC, com programação organizada em duas apresentações que abordaram, de forma complementar, a regulação da inovação em saúde e o papel da biossegurança no país. A iniciativa integrou-se à disciplina Fundamentos em Biologia Molecular da PGBCM, sob coordenação de Patrícia Cuervo e Raquel Teixeira.

O primeiro tema, “Regulação da Inovação em Saúde: Biossegurança das Terapias Avançadas”, foi apresentado pela tecnologista do Ministério da Saúde, Ninive Colonello, que discutiu os desafios relacionados à regulação de terapias gênicas e produtos biológicos, com ênfase na necessidade de garantir segurança, eficácia e qualidade, além do monitoramento contínuo ao longo do ciclo de vida dessas tecnologias.

A palestrante destacou a importância de uma análise crítica sobre o cenário atual da inovação em saúde.

Ninive Colonello, tecnologista do Ministério da Saúde, abordou os desafios da regulação de terapias gênicas e produtos biológicos. Foto: Rudson Amorim

“Mais do que acumular informações, é importante refletir sobre o momento atual e os caminhos da inovação”, disse a especialista.

O segundo tema, “CTNBio e a Estruturação da Regulação da Pesquisa em Biotecnologia no Brasil”, foi conduzido pelo coordenador da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, Rubens Nascimento.

Rubens Nascimento apresentou o papel da CTNBio na regulação da pesquisa em biotecnologia no Brasil. Foto: Rudson Amorim

Em sua apresentação, foram abordados os fundamentos do sistema brasileiro de biossegurança, com base na Lei nº 11.105/2005, e o papel da comissão na avaliação de risco e na normatização de atividades envolvendo biotecnologia.

O palestrante enfatizou a atuação da CTNBio na análise de tecnologias emergentes e na consolidação de diretrizes para o setor.

“Estamos examinando os processos biotecnológicos mais inovadores, ou seja, a fronteira do conhecimento”, comentou Nascimento.

Durante o debate, foram discutidos desafios estratégicos para o avanço das terapias avançadas no país, como a ampliação da capacidade produtiva nacional de insumos farmacêuticos, a atualização regulatória frente às novas tecnologias e os riscos associados a inovações emergentes, como os xenotransplantes, além da importância de integrar pesquisa e assistência na transição para a aplicação clínica.

Com auditório lotado, público acompanhou as palestras sobre biossegurança e regulação em biotecnologia. Foto: Rudson Amorim

Ao reunir diferentes perspectivas técnicas, as atividades comemorativas evidenciaram a biossegurança como eixo estruturante para o desenvolvimento científico. Além disso, reforçam o papel do Instituto Oswaldo Cruz na formação de pessoas, na consolidação de marcos regulatórios e na promoção de uma ciência orientada pelo compromisso com a sociedade.

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)