Nas últimas décadas, a dengue deixou de ser apenas uma doença endêmica para se consolidar como um dos principais desafios contemporâneos da saúde global, impulsionada pela expansão geográfica do vírus, pela adaptação do vetor Aedes aegypti aos ambientes urbanos e pela intensificação dos surtos e epidemias.
Esse é o ponto de partida do livro ‘Evolução do vírus da dengue: do surgimento a uma crise global de saúde – Insights sobre genômica, ecologia e epidemiologia’.
A obra é editada pelas pesquisadoras Claudia Nunes Duarte, da Fiocruz Paraná, e Marta Giovanetti, do Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
O livro reúne cientistas de diferentes áreas e países para apresentar uma visão abrangente dos fatores biológicos, ambientais e sociais que moldam a dinâmica de transmissão da dengue.
Segundo Marta, que também atua como professora na Universidade Campus Biomédico de Roma, da Itália, a motivação central foi organizar, em um único volume, conhecimentos que hoje estão dispersos em artigos científicos e relatórios técnicos.

Diante desse cenário, o livro se propôs a construir um material sintético, crítico e aplicável, capaz de aproximar a produção científica da tomada de decisão em saúde pública.
“Buscamos preencher uma lacuna importante entre a ciência produzida e sua tradução prática. A dengue exige uma abordagem integrada, e o livro foi pensado justamente para apoiar tanto pesquisadores quanto gestores”, explicou.
Os capítulos foram estruturados a partir de eixos considerados centrais para compreender e enfrentar a doença hoje, como dinâmica de transmissão, fatores ambientais e urbanos, espectro clínico, vigilância e diagnóstico, evolução viral e estratégias de prevenção.
Já a seleção dos autores priorizou trajetórias científicas, experiências em vigilância e atuações em áreas estratégicas, buscando complementaridade entre diferentes perfis.
Representando o IOC, assinam os cientistas Ana Maria Bispo de Filippis, Myrna Cristina Bonaldo e Rafael Maciel de Freitas, além da própria Marta Giovanetti.
“O livro ajuda a orientar prioridades, como onde investir, interpretar sinais precoces e como transformar dados, inclusive genômicos, em respostas mais rápidas e direcionadas”, afirmou Marta.
“Nosso objetivo foi produzir um material que não ficasse restrito ao meio acadêmico, mas que também pudesse apoiar gestores e serviços de saúde na formulação de respostas mais eficazes diante da complexidade atual da dengue, complementou Claudia Nunes Duarte.
O material foi publicado pela Springer Nature, um dos principais grupos editoriais científicos do mundo. Para Claudia, a escolha de duas pesquisadoras brasileiras para editar a publicação demonstra o reconhecimento internacional da pesquisa em dengue realizada no país.
“A Springer Nature é uma editora muito criteriosa na seleção de seus temas e editores. O fato de termos sido convidadas mostra o protagonismo do Brasil e da Fiocruz no estudo da doença”, destacou.
Do resgate histórico da dengue aos mecanismos moleculares que sustentam a circulação viral, a obra constrói uma narrativa que ajuda a compreender como o arbovírus se consolidou como um dos patógenos mais adaptáveis da atualidade.
Os capítulos iniciais traçam os caminhos evolutivos e filogenéticos do vírus da dengue e descrevem a dispersão global de diferentes linhagens, que passaram a circular simultaneamente em diversos territórios.
A obra avança, então, para a escala celular e imunológica ao detalhar as interações entre vírus e hospedeiro, bem como os mecanismos que influenciam a gravidade clínica da infecção.

Em paralelo, discute a evolução das técnicas diagnósticas, das vacinas e das estratégias antivirais, refletindo o esforço científico contínuo para acompanhar a capacidade adaptativa do vírus.
A discussão ainda aproxima a vigilância vetorial, as mudanças climáticas e o monitoramento genômico ao debate, o que evidencia que a evolução da dengue não se resume a aspectos biológicos, mas envolve também fatores ambientais e sociais.
Ao longo dos capítulos, crescimento urbano desordenado, mobilidade humana e adaptação do Aedes aegypti aparecem como fatores que vêm criando condições cada vez mais favoráveis à circulação viral, ampliando o risco de epidemias de grande escala.
Por outro lado, o livro destaca avanços importantes na capacidade do Brasil de produzir ciência aplicada, expandir redes de vigilância e incorporar a genômica e a análise integrada à rotina dos serviços de saúde.
Segundo Marta, esse movimento abre caminho para respostas mais rápidas e focalizadas, além de favorecer a inovação em estratégias de controle vetorial e ferramentas de monitoramento.
“Há espaço para fortalecer respostas territoriais baseadas em evidências, investir em novas abordagens de vigilância e transformar dados em ação concreta”, refletiu.
Claudia aponta que, em 2024, o Brasil registrou um pico histórico de casos de dengue, acompanhado por aumento da mortalidade. Para ela, nesse contexto de intensificação da transmissão e maior complexidade epidemiológica, o livro surge como uma contribuição estratégica para qualificar respostas científicas e institucionais.
“A obra reúne o que há de mais atual em termos de pesquisa, vacinas, diagnóstico, profilaxia e vigilância, contribuindo para enfrentar lacunas de conhecimento e apoiar respostas mais eficazes”, finalizou.

Evolução do vírus da dengue: do surgimento a uma crise global de saúde – Insights sobre genômica, ecologia e epidemiologia
Springer Nature
389 páginas
Como adquirir:
• Plataforma SpringerLink (eBook e PDF, via acesso institucional ou compra individual)
• Loja online da Springer Nature
Nas últimas décadas, a dengue deixou de ser apenas uma doença endêmica para se consolidar como um dos principais desafios contemporâneos da saúde global, impulsionada pela expansão geográfica do vírus, pela adaptação do vetor Aedes aegypti aos ambientes urbanos e pela intensificação dos surtos e epidemias.
Esse é o ponto de partida do livro ‘Evolução do vírus da dengue: do surgimento a uma crise global de saúde – Insights sobre genômica, ecologia e epidemiologia’.
A obra é editada pelas pesquisadoras Claudia Nunes Duarte, da Fiocruz Paraná, e Marta Giovanetti, do Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
O livro reúne cientistas de diferentes áreas e países para apresentar uma visão abrangente dos fatores biológicos, ambientais e sociais que moldam a dinâmica de transmissão da dengue.
Segundo Marta, que também atua como professora na Universidade Campus Biomédico de Roma, da Itália, a motivação central foi organizar, em um único volume, conhecimentos que hoje estão dispersos em artigos científicos e relatórios técnicos.

Diante desse cenário, o livro se propôs a construir um material sintético, crítico e aplicável, capaz de aproximar a produção científica da tomada de decisão em saúde pública.
“Buscamos preencher uma lacuna importante entre a ciência produzida e sua tradução prática. A dengue exige uma abordagem integrada, e o livro foi pensado justamente para apoiar tanto pesquisadores quanto gestores”, explicou.
Os capítulos foram estruturados a partir de eixos considerados centrais para compreender e enfrentar a doença hoje, como dinâmica de transmissão, fatores ambientais e urbanos, espectro clínico, vigilância e diagnóstico, evolução viral e estratégias de prevenção.
Já a seleção dos autores priorizou trajetórias científicas, experiências em vigilância e atuações em áreas estratégicas, buscando complementaridade entre diferentes perfis.
Representando o IOC, assinam os cientistas Ana Maria Bispo de Filippis, Myrna Cristina Bonaldo e Rafael Maciel de Freitas, além da própria Marta Giovanetti.
“O livro ajuda a orientar prioridades, como onde investir, interpretar sinais precoces e como transformar dados, inclusive genômicos, em respostas mais rápidas e direcionadas”, afirmou Marta.
“Nosso objetivo foi produzir um material que não ficasse restrito ao meio acadêmico, mas que também pudesse apoiar gestores e serviços de saúde na formulação de respostas mais eficazes diante da complexidade atual da dengue, complementou Claudia Nunes Duarte.
O material foi publicado pela Springer Nature, um dos principais grupos editoriais científicos do mundo. Para Claudia, a escolha de duas pesquisadoras brasileiras para editar a publicação demonstra o reconhecimento internacional da pesquisa em dengue realizada no país.
“A Springer Nature é uma editora muito criteriosa na seleção de seus temas e editores. O fato de termos sido convidadas mostra o protagonismo do Brasil e da Fiocruz no estudo da doença”, destacou.
Do resgate histórico da dengue aos mecanismos moleculares que sustentam a circulação viral, a obra constrói uma narrativa que ajuda a compreender como o arbovírus se consolidou como um dos patógenos mais adaptáveis da atualidade.
Os capítulos iniciais traçam os caminhos evolutivos e filogenéticos do vírus da dengue e descrevem a dispersão global de diferentes linhagens, que passaram a circular simultaneamente em diversos territórios.
A obra avança, então, para a escala celular e imunológica ao detalhar as interações entre vírus e hospedeiro, bem como os mecanismos que influenciam a gravidade clínica da infecção.

Em paralelo, discute a evolução das técnicas diagnósticas, das vacinas e das estratégias antivirais, refletindo o esforço científico contínuo para acompanhar a capacidade adaptativa do vírus.
A discussão ainda aproxima a vigilância vetorial, as mudanças climáticas e o monitoramento genômico ao debate, o que evidencia que a evolução da dengue não se resume a aspectos biológicos, mas envolve também fatores ambientais e sociais.
Ao longo dos capítulos, crescimento urbano desordenado, mobilidade humana e adaptação do Aedes aegypti aparecem como fatores que vêm criando condições cada vez mais favoráveis à circulação viral, ampliando o risco de epidemias de grande escala.
Por outro lado, o livro destaca avanços importantes na capacidade do Brasil de produzir ciência aplicada, expandir redes de vigilância e incorporar a genômica e a análise integrada à rotina dos serviços de saúde.
Segundo Marta, esse movimento abre caminho para respostas mais rápidas e focalizadas, além de favorecer a inovação em estratégias de controle vetorial e ferramentas de monitoramento.
“Há espaço para fortalecer respostas territoriais baseadas em evidências, investir em novas abordagens de vigilância e transformar dados em ação concreta”, refletiu.
Claudia aponta que, em 2024, o Brasil registrou um pico histórico de casos de dengue, acompanhado por aumento da mortalidade. Para ela, nesse contexto de intensificação da transmissão e maior complexidade epidemiológica, o livro surge como uma contribuição estratégica para qualificar respostas científicas e institucionais.
“A obra reúne o que há de mais atual em termos de pesquisa, vacinas, diagnóstico, profilaxia e vigilância, contribuindo para enfrentar lacunas de conhecimento e apoiar respostas mais eficazes”, finalizou.

Evolução do vírus da dengue: do surgimento a uma crise global de saúde – Insights sobre genômica, ecologia e epidemiologia
Springer Nature
389 páginas
Como adquirir:
• Plataforma SpringerLink (eBook e PDF, via acesso institucional ou compra individual)
• Loja online da Springer Nature
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)