Em pleno verão carioca, universitários de diferentes regiões do país trocaram a rotina das férias pelas bancadas de laboratório, em uma imersão científica promovida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
A experiência fez parte da 34ª edição dos Cursos de Férias, que reuniu mais de 80 jovens na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro. Para muitos participantes, foram duas semanas que significaram o primeiro mergulho profundo no dia a dia da ciência.
Nos bastidores das aulas, mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-graduação do Instituto assumiram o papel de docentes e monitores. Alguns experimentaram, pela primeira vez, o desafio de ensinar.
Segundo a coordenadora dos Cursos de Férias, Luciana Ordunha Araripe, essa dupla função formativa é justamente um dos pilares da iniciativa. De um lado, fortalece a formação pedagógica dos pós-graduandos; do outro, apresenta aos estudantes externos a rotina da pesquisa.
“Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”, refletiu Luciana, citando Paulo Freire.
“Para os pós-graduandos, a prática em docência vai desde a preparação das aulas e da apostila à organização do tempo e à postura de interação com os alunos”, complementou.

A coordenadora destacou o impacto do contato com os laboratórios e com as aulas práticas na descoberta de novas possibilidades profissionais para os graduandos.
“Muitos passam a vislumbrar um futuro na academia. O contato com a rotina e com os temas de dissertações e teses dos pós-graduandos desperta o interesse pela carreira científica nos alunos de graduação”, explicou.
Gabrielly Ribeiro, de 20 anos, se inscreveu no curso de ‘Fisiologia dos insetos vetores’ após conhecer a iniciativa pelas redes sociais. Aluna de Biomedicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA), campus de Marabá, ela contou que a vivência prática foi um dos pontos altos da experiência.
“Para quem vem do interior, os Cursos de Férias são ainda mais especiais, porque temos acesso a técnicas que talvez não tivéssemos em nossos campi. Eu fiz uma prática de PCR, por exemplo, que eu nunca imaginei que conseguiria realizar”, relatou.

Para viabilizar a viagem, Gabrielly economizou parte da bolsa de Iniciação Científica que recebe da UEPA para comprar as passagens e contou com a ajuda dos pais para a complementação dos custos.
Apesar da ansiedade que antecedeu a viagem, segundo a estudante, a experiência superou as expectativas.
“Eu sabia que ia ser bom, mas não tão bom quanto foi. Foi muito divertido, conheci pessoas muito legais e tive contato com outras áreas do conhecimento”, contou.

No curso de ‘Técnicas diagnósticas de doenças parasitárias’, Ester Brandão, aluna de Enfermagem da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), de 21 anos, também destacou a imersão na rotina de laboratório e admitiu que a experiência ‘revolucionou a sua forma de pensar sobre o mestrado’.
“Não esperava aprender tanto em tão pouco tempo. Na graduação, muitas vezes só acompanhamos mestrandos e doutorandos e não temos a liberdade de colocar os conhecimentos em prática no laboratório. Aqui, realmente praticamos e aprendemos junto”, apontou.
Em meio à alta procura pelos Cursos de Férias, Márcio dos Santos, estudante de Farmácia no campus de Macaé da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de 23 anos, revelou que tentou participar em outras edições até ser selecionado neste verão.

Ele também escolheu o curso de ‘Técnicas diagnósticas de doenças parasitárias’ por dialogar diretamente com sua Iniciação Científica, voltada à toxoplasmose.
“Eu já queria fazer há muito tempo. Consegui ligar o conteúdo do curso com a minha pesquisa, então fiquei muito feliz”, disse Márcio, que se hospedou na casa de familiares na cidade do Rio.
Na modalidade remota síncrona, o curso ‘Inclusão, saúde e práticas de ensino: educação para a diversidade’ contribuiu para ampliar o alcance dos Cursos de Férias.
Catarine Ornelas, estudante de licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), de 31 anos, destacou a qualidade das aulas e das trocas realizadas no ambiente virtual.
“Aprendi sobre educação inclusiva, determinantes sociais, uso de jogos adaptados e tive muita troca com professores e colegas. Mesmo de casa, consegui participar ativamente”, revelou.
Para quem ensina, a experiência também se mostrou transformadora. Doutoranda do Programa de Biologia Parasitária, Cinthia Magalhães Rodolphi ministrou, na atual edição, o curso de ‘Técnicas diagnósticas’, mas, poucos anos antes, esteve do outro lado da bancada.
“Fui aluna do curso em 2020. Agora, estou como professora. É muito gratificante transmitir o conhecimento que adquirimos ao longo da Pós-graduação e ver o brilho no rosto deles”, refletiu.

Para Cinthia, a iniciativa cumpre um papel complementar importante na formação acadêmica.
Segundo ela, os cursos de férias permitem ampliar o contato dos estudantes com procedimentos que nem sempre fazem parte da graduação.
“O que eu mais escuto dos alunos é que eles não viram certas técnicas na faculdade e estão vendo aqui. Então, os Cursos de Férias se tornam uma parte importante da formação”, afirmou.
Vivendo sua primeira experiência docente nos Cursos de Férias, a doutoranda em Biologia Celular e Molecular, Victória de Moraes Silva, uma das responsáveis pelo curso de ‘Clonagem e expressão de proteínas recombinantes em sistemas procarióticos’, destacou o desenvolvimento da didática.
“Esse contato com os alunos é fundamental para a nossa formação. Ao apresentar técnicas importantes do dia a dia do laboratório aos graduandos, nós aprendemos a ensinar”, apontou.
Ao reunir estudantes de diferentes regiões e promover a troca entre graduação e pós-graduação, os Cursos de Férias do IOC reforçam seu papel como espaço de formação científica, pedagógica e humana.
Desde a sua criação em 2007, a iniciativa já formou mais de 3 mil estudantes e ofereceu mais de 175 cursos. A próxima edição está prevista para o inverno de 2026, mantendo o compromisso do Instituto de estimular vocações e formar novas gerações de cientistas.
Em pleno verão carioca, universitários de diferentes regiões do país trocaram a rotina das férias pelas bancadas de laboratório, em uma imersão científica promovida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
A experiência fez parte da 34ª edição dos Cursos de Férias, que reuniu mais de 80 jovens na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro. Para muitos participantes, foram duas semanas que significaram o primeiro mergulho profundo no dia a dia da ciência.
Nos bastidores das aulas, mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-graduação do Instituto assumiram o papel de docentes e monitores. Alguns experimentaram, pela primeira vez, o desafio de ensinar.
Segundo a coordenadora dos Cursos de Férias, Luciana Ordunha Araripe, essa dupla função formativa é justamente um dos pilares da iniciativa. De um lado, fortalece a formação pedagógica dos pós-graduandos; do outro, apresenta aos estudantes externos a rotina da pesquisa.
“Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”, refletiu Luciana, citando Paulo Freire.
“Para os pós-graduandos, a prática em docência vai desde a preparação das aulas e da apostila à organização do tempo e à postura de interação com os alunos”, complementou.

A coordenadora destacou o impacto do contato com os laboratórios e com as aulas práticas na descoberta de novas possibilidades profissionais para os graduandos.
“Muitos passam a vislumbrar um futuro na academia. O contato com a rotina e com os temas de dissertações e teses dos pós-graduandos desperta o interesse pela carreira científica nos alunos de graduação”, explicou.
Gabrielly Ribeiro, de 20 anos, se inscreveu no curso de ‘Fisiologia dos insetos vetores’ após conhecer a iniciativa pelas redes sociais. Aluna de Biomedicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA), campus de Marabá, ela contou que a vivência prática foi um dos pontos altos da experiência.
“Para quem vem do interior, os Cursos de Férias são ainda mais especiais, porque temos acesso a técnicas que talvez não tivéssemos em nossos campi. Eu fiz uma prática de PCR, por exemplo, que eu nunca imaginei que conseguiria realizar”, relatou.

Para viabilizar a viagem, Gabrielly economizou parte da bolsa de Iniciação Científica que recebe da UEPA para comprar as passagens e contou com a ajuda dos pais para a complementação dos custos.
Apesar da ansiedade que antecedeu a viagem, segundo a estudante, a experiência superou as expectativas.
“Eu sabia que ia ser bom, mas não tão bom quanto foi. Foi muito divertido, conheci pessoas muito legais e tive contato com outras áreas do conhecimento”, contou.

No curso de ‘Técnicas diagnósticas de doenças parasitárias’, Ester Brandão, aluna de Enfermagem da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), de 21 anos, também destacou a imersão na rotina de laboratório e admitiu que a experiência ‘revolucionou a sua forma de pensar sobre o mestrado’.
“Não esperava aprender tanto em tão pouco tempo. Na graduação, muitas vezes só acompanhamos mestrandos e doutorandos e não temos a liberdade de colocar os conhecimentos em prática no laboratório. Aqui, realmente praticamos e aprendemos junto”, apontou.
Em meio à alta procura pelos Cursos de Férias, Márcio dos Santos, estudante de Farmácia no campus de Macaé da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de 23 anos, revelou que tentou participar em outras edições até ser selecionado neste verão.

Ele também escolheu o curso de ‘Técnicas diagnósticas de doenças parasitárias’ por dialogar diretamente com sua Iniciação Científica, voltada à toxoplasmose.
“Eu já queria fazer há muito tempo. Consegui ligar o conteúdo do curso com a minha pesquisa, então fiquei muito feliz”, disse Márcio, que se hospedou na casa de familiares na cidade do Rio.
Na modalidade remota síncrona, o curso ‘Inclusão, saúde e práticas de ensino: educação para a diversidade’ contribuiu para ampliar o alcance dos Cursos de Férias.
Catarine Ornelas, estudante de licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), de 31 anos, destacou a qualidade das aulas e das trocas realizadas no ambiente virtual.
“Aprendi sobre educação inclusiva, determinantes sociais, uso de jogos adaptados e tive muita troca com professores e colegas. Mesmo de casa, consegui participar ativamente”, revelou.
Para quem ensina, a experiência também se mostrou transformadora. Doutoranda do Programa de Biologia Parasitária, Cinthia Magalhães Rodolphi ministrou, na atual edição, o curso de ‘Técnicas diagnósticas’, mas, poucos anos antes, esteve do outro lado da bancada.
“Fui aluna do curso em 2020. Agora, estou como professora. É muito gratificante transmitir o conhecimento que adquirimos ao longo da Pós-graduação e ver o brilho no rosto deles”, refletiu.

Para Cinthia, a iniciativa cumpre um papel complementar importante na formação acadêmica.
Segundo ela, os cursos de férias permitem ampliar o contato dos estudantes com procedimentos que nem sempre fazem parte da graduação.
“O que eu mais escuto dos alunos é que eles não viram certas técnicas na faculdade e estão vendo aqui. Então, os Cursos de Férias se tornam uma parte importante da formação”, afirmou.
Vivendo sua primeira experiência docente nos Cursos de Férias, a doutoranda em Biologia Celular e Molecular, Victória de Moraes Silva, uma das responsáveis pelo curso de ‘Clonagem e expressão de proteínas recombinantes em sistemas procarióticos’, destacou o desenvolvimento da didática.
“Esse contato com os alunos é fundamental para a nossa formação. Ao apresentar técnicas importantes do dia a dia do laboratório aos graduandos, nós aprendemos a ensinar”, apontou.
Ao reunir estudantes de diferentes regiões e promover a troca entre graduação e pós-graduação, os Cursos de Férias do IOC reforçam seu papel como espaço de formação científica, pedagógica e humana.
Desde a sua criação em 2007, a iniciativa já formou mais de 3 mil estudantes e ofereceu mais de 175 cursos. A próxima edição está prevista para o inverno de 2026, mantendo o compromisso do Instituto de estimular vocações e formar novas gerações de cientistas.
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)