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Internacionalização, debates climáticos e extensão 

Programação discutiu editais para ações de ensino no exterior, emergências climáticas e apresentou projetos extensionistas que levam ciência à sociedade 
Por Yuri Neri23/09/2025 - Atualizado em 25/09/2025

:: Confira a cobertura especial

No terceiro dia (17/9) da 11ª Semana da Pós-graduação do IOC, os debates sobre a formação acadêmica atravessaram fronteiras, encararam a crise climática e mostraram como é possível que a ciência chegue à sociedade por meio de atividades de extensão. 

Com mesas dedicadas à mobilidade internacional, às emergências ambientais e às práticas extensionistas na Pós-graduação, a programação evidenciou o potencial de transformar pesquisa em ação, seja a partir de políticas públicas, jogos educativos ou iniciativas de letramento digital. 

Oportunidades de internacionalização 

Iniciando a programação do dia, a mesa ‘Relações internacionais e ensino para a pós-graduação’ apresentou experiências, editais e oportunidades de atuação no exterior para estudantes da Pós do IOC.  

A atividade contou com a participação do professor da Universidade de Aveiro, de Portugal, Davi Nunes Resende, e da assessora de Relações Internacionais da Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Analice Braga.  

A mediação ficou a cargo do coordenador de Saúde Global e Relações Internacionais do IOC, Carlos Eduardo Rocha, que ressaltou os diferenciais da Fiocruz no cenário global.  


Carlos Eduardo Rocha está à frente da nova Coordenação de Saúde Global e Relações Internacionais do IOC. Foto: Rudson Amorin

Segundo o pesquisador, aspectos como a presença em todo o território nacional articulada ao Sistema Único de Saúde (SUS), a participação em centros colaboradores da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a atuação em redes de pesquisa no exterior fortalecem a instituição em editais e consórcios.  

Rocha também apresentou aos estudantes da Pós-graduação a Plataforma Internacional para Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PICTIS). A iniciativa é fruto do acordo de cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do IOC, com a Universidade de Aveiro, em Portugal. O projeto oferece oportunidades de mobilidade de curta duração, conexões de ensino, pesquisa e inovação em parceria com universidades e empresas europeias.  

Em participação remota, Davi Nunes Resende discorreu sobre a Universidade de Aveiro, considerada uma das mais inovadoras de Portugal, e reforçou que o acesso aos benefícios da PICTIS não depende de processos complexos.  

Segundo ele, basta que o estudante manifeste interesse e entre em contato pelo e-mail oficial da Coordenação de Saúde Global e Relações Internacionais do IOC (internacional@ioc.fiocruz.br) para que a equipe faça os encaminhamentos necessários.   


Mais uma vez, o auditório do Pavilhão Arthur Neiva permaneceu lotado durante toda a programação. Foto: Rudson Amorim

Encerrando a mesa, Analice Braga apresentou um panorama de programas de fomento, como as bolsas da Capes (DAAD, Cofecub e Fulbright) para doutorado sanduíche, com uma chamada em andamento e nova rodada prevista para 2026. Ela citou parcerias já consolidadas com instituições como Princeton, Universidade de Illinois, Rede Pasteur, Antuérpia, Sorbonne e Leiden.  

Ao final, Carlos Eduardo Rocha incentivou a adesão dos alunos. 

“As oportunidades existem e muitas dependem de o estudante dar o primeiro passo, mapear parceiros, conversar com seu orientador e acionar a coordenação de internacionalização”, apontou.  

Saúde e emergências globais 

A mesa 'Atuação da Pós-graduação nas emergências climáticas' debateu o papel da formação acadêmica do IOC diante da crise ambiental e seus impactos em saúde e políticas públicas.   

O encontro reuniu a pesquisadora do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do IOC, Teresa Favre, e a assessora da Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Juliana Villardi. A pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Maria Fernanda Lemos, e a auditora de atividades urbanas do Ministério das Cidades, Anamaria Aragão, também participaram. 


Mesa sobre emergências climáticas refletiu os impactos da crise ambiental em políticas públicas de saúde. Foto: Rudson Amorin

As palestrantes ressaltaram a necessidade de aproximar a formação acadêmica das decisões que afetam a vida cotidiana. Isso envolve transformar pesquisas em dados e análises que orientem gestores, criar disciplinas e projetos interdisciplinares na pós-graduação e fortalecer redes de colaboração entre laboratórios e instituições.   

“Combater as mudanças climáticas é um esforço em escala global. É preciso mobilização e ação intersetorial. Não adianta agir sozinho, mas cada ação conta”, ressaltou Teresa. 

Em sua fala, Juliana Villardi contextualizou a agenda de clima e saúde no SUS e na Fiocruz, defendendo que a pesquisa forme profissionais capazes de atuar do laboratório à formulação de políticas. Para ela, o debate precisa sair do foco exclusivo nas doenças e alcançar os determinantes sociais e ambientais que estruturam o risco.   

“Quando falamos de clima, não podemos deixar de considerar a biodiversidade nem a poluição — é a chamada tripla crise planetária, em que mudança do clima, perda de biodiversidade e poluição se interligam. Precisamos integrar esses elementos para produzir conhecimento, formar pessoas e inovar para promover a saúde”, apontou.  

O público participou ativamente, levantando questões sobre vulnerabilidade social, justiça climática e engajamento comunitário. Mateus Marques, doutorando em Biodiversidade e Saúde, destacou o papel do oceano na regulação do clima e defendeu uma ciência mais integrada.  

“Um dos grandes responsáveis pela mudança climática que vivemos hoje é o oceano. Os gases de efeito estufa vão para o mar e suas correntes modulam o clima. A nossa geração tem que olhar a pesquisa de forma interdisciplinar”, refletiu.  

A ciência como extensão da sociedade  

A programação da tarde reforçou que a ciência ganha sentido pleno quando atravessa as portas dos laboratórios e retorna à sociedade. Esse é o papel da extensão: um processo formativo que conecta ensino e pesquisa a públicos externos, por meio de programas, projetos, cursos e eventos, para produzir diálogo e transformação social.  

Na mesa 'Ensino e Extensão na Pós-graduação', a superintendente de Formação Acadêmica em Extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Inês Souza, apresentou a extensão como princípio constitucional e dimensão estruturante da formação.  

Já a coordenadora geral de cursos Lato Sensu da Fiocruz, Mariana Souza, mostrou como a Fundação vem consolidando essa prática na Pós-graduação, valorizando iniciativas que unem aprendizado, popularização da ciência e impacto nos territórios.  

“A Fiocruz realiza ações de transformação social desde sua criação, mas isso nunca foi nomeado como extensão. O momento agora é de definir o que é e o que não é extensão, o que pode ou não ser feito, para que essa dimensão passe a integrar a formação dos estudantes com objetivo pedagógico e avaliação”, contou.  


A pesquisadora Ana Inês Souza, da UFRJ, discursa na mesa  'Ensino e Extensão na Pós-graduação'. Foto: Rudson Amorim

A apresentação de iniciativas que nascem da pós-graduação, ganham forma em escolas e comunidades e retornam à sociedade em produtos concretos teve destaque na programação. 

No curso de extensão ‘Prodígias de Tecnologias Sociais Digitais em Saúde’ — ou simplesmente ‘Prodígias’ —, jovens de Manguinhos e da Maré desenvolvem tecnologias, como jogos, sites e podcasts, para promoção da saúde em contextos de vulnerabilidade social.  

Dentre os resultados do projeto, está o jogo ‘Casa dos Sonhos’, de Julianny Batista, de 19 anos. O game reflete sobre moradia saudável e convida os jogadores a resolver situações que impactam as residências e as vidas das pessoas, como pragas, infiltrações e mofo. A participante, inclusive, apresentou o game na 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).  


O projeto Prodígias é fruto do doutorado de Roberto Todor. Foto: Rudson Amorim

Ainda unindo a ciência ao lúdico, o projeto recém-aprovado ‘Ciência em Jogo’, coordenado por Roberta Olmo, transforma a vivência do programa IOC + Escolas em formação docente e materiais ativos para o ensino médio.   

A proposta é que os pós-graduandos criem — com o auxílio de professores de biologia, física, química e educação física — jogos, dinâmicas e recursos de baixo custo, fáceis de reproduzir ao longo do ano letivo.  

“Quando olhamos para um cenário como o que vivemos nos últimos anos, em que a ciência foi tão questionada, percebemos o quanto o letramento científico ainda é precário. Por isso, a aproximação entre academia e sociedade é vital para impedir que, no futuro, tenhamos novas gerações que ainda digam que vacinas não salvam vidas.  

Na sequência, a chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do IOC, Rafaela Vieira Bruno, apresentou a extensão ‘Mosquitos e barbeiros em sala de aula: jogos educacionais sobre doenças negligenciadas’. O projeto usa jogos de tabuleiro e desafios interativos para traduzir, em linguagem acessível, o controle do Aedes aegypti e de outros vetores em escolas do Rio. 


Pesquisadores e egresso do IOC que participam de projetos de extensão. Foto: Rudson Amorim

Dentre os resultados do trabalho, Rafaela apresentou o ‘Um jogo Zica’, criado por estudantes em oficinas escolares, e outros títulos como ‘12 Criadouros’ e ‘Cadê o Mosquito?’, que ensinam o ciclo de vida do Aedes e estimulam ações para eliminar criadouros.  

“Como precisamos que a população participe do controle de vetores, os jogos nos ajudam a dialogar com pessoas de diferentes idades e realidades e a transformar informação em prática”, resumiu.  

Fechando a tarde, a pesquisadora Klena Sarges apresentou o projeto Logadas, iniciativa de extensão que promove letramento digital como porta de entrada para cidadania.   

A iniciativa forma alunas do ensino médio da Maré, no Rio de Janeiro, para uso avançado de tecnologia, com ênfase em aplicativos de serviços públicos, segurança e direitos. Na segunda etapa, as jovens atuam como monitoras de mulheres adultas do território, multiplicando o conhecimento.   

“Sem escuta, o discurso acadêmico é vazio. Estar no território, ouvir as pessoas e construir com elas é o que dá sentido e efeito às nossas ações”, finalizou.  

 

Programação discutiu editais para ações de ensino no exterior, emergências climáticas e apresentou projetos extensionistas que levam ciência à sociedade 
Por: 
yuri.neri

:: Confira a cobertura especial

No terceiro dia (17/9) da 11ª Semana da Pós-graduação do IOC, os debates sobre a formação acadêmica atravessaram fronteiras, encararam a crise climática e mostraram como é possível que a ciência chegue à sociedade por meio de atividades de extensão. 

Com mesas dedicadas à mobilidade internacional, às emergências ambientais e às práticas extensionistas na Pós-graduação, a programação evidenciou o potencial de transformar pesquisa em ação, seja a partir de políticas públicas, jogos educativos ou iniciativas de letramento digital. 

Oportunidades de internacionalização 

Iniciando a programação do dia, a mesa ‘Relações internacionais e ensino para a pós-graduação’ apresentou experiências, editais e oportunidades de atuação no exterior para estudantes da Pós do IOC.  

A atividade contou com a participação do professor da Universidade de Aveiro, de Portugal, Davi Nunes Resende, e da assessora de Relações Internacionais da Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Analice Braga.  

A mediação ficou a cargo do coordenador de Saúde Global e Relações Internacionais do IOC, Carlos Eduardo Rocha, que ressaltou os diferenciais da Fiocruz no cenário global.  


Carlos Eduardo Rocha está à frente da nova Coordenação de Saúde Global e Relações Internacionais do IOC. Foto: Rudson Amorin

Segundo o pesquisador, aspectos como a presença em todo o território nacional articulada ao Sistema Único de Saúde (SUS), a participação em centros colaboradores da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a atuação em redes de pesquisa no exterior fortalecem a instituição em editais e consórcios.  

Rocha também apresentou aos estudantes da Pós-graduação a Plataforma Internacional para Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PICTIS). A iniciativa é fruto do acordo de cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do IOC, com a Universidade de Aveiro, em Portugal. O projeto oferece oportunidades de mobilidade de curta duração, conexões de ensino, pesquisa e inovação em parceria com universidades e empresas europeias.  

Em participação remota, Davi Nunes Resende discorreu sobre a Universidade de Aveiro, considerada uma das mais inovadoras de Portugal, e reforçou que o acesso aos benefícios da PICTIS não depende de processos complexos.  

Segundo ele, basta que o estudante manifeste interesse e entre em contato pelo e-mail oficial da Coordenação de Saúde Global e Relações Internacionais do IOC (internacional@ioc.fiocruz.br) para que a equipe faça os encaminhamentos necessários.   


Mais uma vez, o auditório do Pavilhão Arthur Neiva permaneceu lotado durante toda a programação. Foto: Rudson Amorim

Encerrando a mesa, Analice Braga apresentou um panorama de programas de fomento, como as bolsas da Capes (DAAD, Cofecub e Fulbright) para doutorado sanduíche, com uma chamada em andamento e nova rodada prevista para 2026. Ela citou parcerias já consolidadas com instituições como Princeton, Universidade de Illinois, Rede Pasteur, Antuérpia, Sorbonne e Leiden.  

Ao final, Carlos Eduardo Rocha incentivou a adesão dos alunos. 

“As oportunidades existem e muitas dependem de o estudante dar o primeiro passo, mapear parceiros, conversar com seu orientador e acionar a coordenação de internacionalização”, apontou.  

Saúde e emergências globais 

A mesa 'Atuação da Pós-graduação nas emergências climáticas' debateu o papel da formação acadêmica do IOC diante da crise ambiental e seus impactos em saúde e políticas públicas.   

O encontro reuniu a pesquisadora do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do IOC, Teresa Favre, e a assessora da Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Juliana Villardi. A pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Maria Fernanda Lemos, e a auditora de atividades urbanas do Ministério das Cidades, Anamaria Aragão, também participaram. 


Mesa sobre emergências climáticas refletiu os impactos da crise ambiental em políticas públicas de saúde. Foto: Rudson Amorin

As palestrantes ressaltaram a necessidade de aproximar a formação acadêmica das decisões que afetam a vida cotidiana. Isso envolve transformar pesquisas em dados e análises que orientem gestores, criar disciplinas e projetos interdisciplinares na pós-graduação e fortalecer redes de colaboração entre laboratórios e instituições.   

“Combater as mudanças climáticas é um esforço em escala global. É preciso mobilização e ação intersetorial. Não adianta agir sozinho, mas cada ação conta”, ressaltou Teresa. 

Em sua fala, Juliana Villardi contextualizou a agenda de clima e saúde no SUS e na Fiocruz, defendendo que a pesquisa forme profissionais capazes de atuar do laboratório à formulação de políticas. Para ela, o debate precisa sair do foco exclusivo nas doenças e alcançar os determinantes sociais e ambientais que estruturam o risco.   

“Quando falamos de clima, não podemos deixar de considerar a biodiversidade nem a poluição — é a chamada tripla crise planetária, em que mudança do clima, perda de biodiversidade e poluição se interligam. Precisamos integrar esses elementos para produzir conhecimento, formar pessoas e inovar para promover a saúde”, apontou.  

O público participou ativamente, levantando questões sobre vulnerabilidade social, justiça climática e engajamento comunitário. Mateus Marques, doutorando em Biodiversidade e Saúde, destacou o papel do oceano na regulação do clima e defendeu uma ciência mais integrada.  

“Um dos grandes responsáveis pela mudança climática que vivemos hoje é o oceano. Os gases de efeito estufa vão para o mar e suas correntes modulam o clima. A nossa geração tem que olhar a pesquisa de forma interdisciplinar”, refletiu.  

A ciência como extensão da sociedade  

A programação da tarde reforçou que a ciência ganha sentido pleno quando atravessa as portas dos laboratórios e retorna à sociedade. Esse é o papel da extensão: um processo formativo que conecta ensino e pesquisa a públicos externos, por meio de programas, projetos, cursos e eventos, para produzir diálogo e transformação social.  

Na mesa 'Ensino e Extensão na Pós-graduação', a superintendente de Formação Acadêmica em Extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Inês Souza, apresentou a extensão como princípio constitucional e dimensão estruturante da formação.  

Já a coordenadora geral de cursos Lato Sensu da Fiocruz, Mariana Souza, mostrou como a Fundação vem consolidando essa prática na Pós-graduação, valorizando iniciativas que unem aprendizado, popularização da ciência e impacto nos territórios.  

“A Fiocruz realiza ações de transformação social desde sua criação, mas isso nunca foi nomeado como extensão. O momento agora é de definir o que é e o que não é extensão, o que pode ou não ser feito, para que essa dimensão passe a integrar a formação dos estudantes com objetivo pedagógico e avaliação”, contou.  


A pesquisadora Ana Inês Souza, da UFRJ, discursa na mesa  'Ensino e Extensão na Pós-graduação'. Foto: Rudson Amorim

A apresentação de iniciativas que nascem da pós-graduação, ganham forma em escolas e comunidades e retornam à sociedade em produtos concretos teve destaque na programação. 

No curso de extensão ‘Prodígias de Tecnologias Sociais Digitais em Saúde’ — ou simplesmente ‘Prodígias’ —, jovens de Manguinhos e da Maré desenvolvem tecnologias, como jogos, sites e podcasts, para promoção da saúde em contextos de vulnerabilidade social.  

Dentre os resultados do projeto, está o jogo ‘Casa dos Sonhos’, de Julianny Batista, de 19 anos. O game reflete sobre moradia saudável e convida os jogadores a resolver situações que impactam as residências e as vidas das pessoas, como pragas, infiltrações e mofo. A participante, inclusive, apresentou o game na 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).  


O projeto Prodígias é fruto do doutorado de Roberto Todor. Foto: Rudson Amorim

Ainda unindo a ciência ao lúdico, o projeto recém-aprovado ‘Ciência em Jogo’, coordenado por Roberta Olmo, transforma a vivência do programa IOC + Escolas em formação docente e materiais ativos para o ensino médio.   

A proposta é que os pós-graduandos criem — com o auxílio de professores de biologia, física, química e educação física — jogos, dinâmicas e recursos de baixo custo, fáceis de reproduzir ao longo do ano letivo.  

“Quando olhamos para um cenário como o que vivemos nos últimos anos, em que a ciência foi tão questionada, percebemos o quanto o letramento científico ainda é precário. Por isso, a aproximação entre academia e sociedade é vital para impedir que, no futuro, tenhamos novas gerações que ainda digam que vacinas não salvam vidas.  

Na sequência, a chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do IOC, Rafaela Vieira Bruno, apresentou a extensão ‘Mosquitos e barbeiros em sala de aula: jogos educacionais sobre doenças negligenciadas’. O projeto usa jogos de tabuleiro e desafios interativos para traduzir, em linguagem acessível, o controle do Aedes aegypti e de outros vetores em escolas do Rio. 


Pesquisadores e egresso do IOC que participam de projetos de extensão. Foto: Rudson Amorim

Dentre os resultados do trabalho, Rafaela apresentou o ‘Um jogo Zica’, criado por estudantes em oficinas escolares, e outros títulos como ‘12 Criadouros’ e ‘Cadê o Mosquito?’, que ensinam o ciclo de vida do Aedes e estimulam ações para eliminar criadouros.  

“Como precisamos que a população participe do controle de vetores, os jogos nos ajudam a dialogar com pessoas de diferentes idades e realidades e a transformar informação em prática”, resumiu.  

Fechando a tarde, a pesquisadora Klena Sarges apresentou o projeto Logadas, iniciativa de extensão que promove letramento digital como porta de entrada para cidadania.   

A iniciativa forma alunas do ensino médio da Maré, no Rio de Janeiro, para uso avançado de tecnologia, com ênfase em aplicativos de serviços públicos, segurança e direitos. Na segunda etapa, as jovens atuam como monitoras de mulheres adultas do território, multiplicando o conhecimento.   

“Sem escuta, o discurso acadêmico é vazio. Estar no território, ouvir as pessoas e construir com elas é o que dá sentido e efeito às nossas ações”, finalizou.  

 

Edição: 
Vinicius Ferreira

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)