Cantando repentes e com danças divertidas, os participantes da oficina Cirandas da Vida eram estimulados a interagir e a gargalhar. Sim, gargalhar. Isso porque, entre outros temas, a oficina abordou a questão do riso para o bem-estar e a saúde. Essa foi apenas uma das oficinas que o público conferiu na tarde do segundo dia do evento Ciência e Arte 2010, realizado pela Fiocruz entre 20 e 23 de setembro. A oficina, organizada pela Secretaria de Saúde de Fortaleza, os instrutores utilizaram histórias e experiências vividas para trabalhar questões sobre gênero, redes de arte, cultura e saúde, práticas integrativas de cuidado, juventude em conflito com a lei, sócio-economia solidária, ambiente e moradia. Tudo com muita alegria, colocando o riso a serviço da qualidade de vida.
Gutemberg Brito

Cantando repentes e com danças divertidas, os participantes da oficina Cirandas da Vida eram estimulados a interagir e a gargalhar
Em outra oficina, a geometria das dobraduras da técnica milenar japonesa do origami e seu uso no desenvolvimento da capacidade de visualização espacial foi apresentada pelo instrutor e professor de matemática Paulo Henrique Colonese. O instrutor explicou que a arte do origami consiste em transformar papel, a partir de dobraduras, e criar representações de seres, animais ou figuras geométricas. Durante a oficina, os alunos aprenderam sobre as diferenças entre o origami tradicional, que utiliza uma folha de papel, sem cortes e sem o uso de cola, e o origami modular, que é feito com várias folhas dobradas da mesma maneira e que depois são juntadas formando uma única figura. Os participantes também foram estimulados a discutir sobre a aplicação da técnica no desenvolvimento de habilidades de visualização espacial e na percepção de simetrias espaciais.
Gutemberg Brito

Na oficina de origami os alunos aprenderam sobre as diferenças entre o origami tradicional e o origami modular
Transformar ambientes físicos ou ambientes de trabalho em espaço humanizados para aqueles que trabalham ou convivem neles foi o desafio proposto pela oficina Espaço, criação e alegria, ministrada por Elio Grossman, do IOC. Na oficina foram apresentadas técnicas de localização espacial, cores, formas de representação, através de desenhos e maquetes, e analogias entre formas encontradas na natureza e formas encontradas na cultura material. Elio Grossman também falou sobre maneiras que favorecem as crianças a aprender o mundo e seu entorno através de brincadeiras no espaço. A oficina contou ainda com uma visita ao Castelo Mourisco, em que os alunos puderam verificar padrões e formas geométricas encontrados nos ornamentos e arquitetura do local.
Gutemberg Brito

Técnicas de localização espacial, cores e formas de representação foram apresentadas na oficina de Espaço, criação e alegria
Como utilizar insetos para a divulgação da ciência? Na oficina de macrofotografia os participantes tiveram a oportunidade de descobrir sobre o mundo dos insetos por meio da lente da câmera fotográfica. Na oficina, ministrada pelo fotógrafo Roberto Eizemberg, doutorando do Instituto de Bioquímica Médica, os alunos também aprenderam técnicas de fotografia voltadas para difusão da ciência. Com uma máquina fotográfica adaptada a registrar fotos de pequenos insetos, puderam experimentar como produzir material de divulgação científica usando baratas, barbeiros, mosquitos e larvas como modelos.
Gutemberg Brito

Na oficina de macrofotografia os participantes aprenderam técnicas de fotografia voltadas para difusão da ciência
Já na oficina de ilustração científica, ministrada pela aluna do curso de especialização em Ciência, arte e cultura em saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Dulce Nascimento, os alunos aprenderam as técnicas do desenho científico utilizado por pesquisadores, em temas de botânica e insetos, utilizando técnicas de nanquim e aquarela. A instrutora explicou que o desenho científico representa uma realidade que não pode ser alterada e, por isso, não admite nenhuma criação, por isso, os desenhos devem relatar estudos através de imagens e documentar visualmente material cientifico.
Gutemberg Brito

Já na oficina de ilustração científica os alunos puderam conhecer as técnicas do desenho científico
Roda de conversa
A Roda de Conversa foi o destaque do terceiro dia do simpósio Ciência e Arte 2010 que aconteceu nesta quarta-feira, 22/09. O evento contou com a participação do cantor e ator Ney Matogrosso. Na ocasião, Ney falou sobre sua trajetória artística e se descreveu como um transgressor por questionar e não aceitar o que é imposto. O cantor afirmou ainda que a curiosidade é sua principal característica e isso faz com ele se relacione com a ciência, pois o ser curioso é um dos predicados dos cientistas. Ele destacou também sua luta pelo direito humano de expressão livre, quando defendeu a liberdade de expressão artística no período da ditadura militar no Brasil, em 1964.
Gutemberg Brito

A Roda de conversa com diálogos entre Ciência e Arte foi o destaque do último dia do simpósio
A partir do questionamento ‘Como a arte pode interagir com a ciência’, o artista e cientista Hélio Rola falou sobre sua experiência de unir ciência e arte no campo acadêmico. Ele contou como surgiu o seu interesse pela arte e falou sobre as dificuldades de conciliar as duas tradições, explicando que um quando cientista realiza algum trabalho fora da academia, acaba não sendo discriminado pela comunidade científica. O artista e cientista destacou o trabalho que desenvolve na Universidade Federal do Ceará (UFC), na disciplina de Metodologia Científica e Filosofia da Ciência, em que utiliza seu trabalho artístico e propõe reflexões com textos dos filósofo francês Michel Serres e do biólogo Humberto Maturana, contando que foi desta maneira que conseguiu unir e trabalhar suas duas habilidades ao mesmo tempo. As dificuldades encontradas para humanizar a relação entre cientistas e estudantes de outras áreas da saúde também foi abordada por Helio durante a roda de conversa.
Já o ator Antônio Pedro fez uma comparação entre ciência e arte utilizando o teatro como parâmetro. Para o ator, o mundo depende de como está sendo visto e para que está sendo visto – ou seja, depende da observação. O ator afirmou ainda que a ciência evolui dessa maneira, pois para cada circunstância existe uma metodologia. Já a arte, em especial o teatro, é uma ferramenta de conhecimento poderosa, uma maneira de conhecer o mundo de uma forma diferente. Segundo Antônio Pedro, o fato do ator estar em cena faz com que a linguagem artística teatral seja um verbo emocionado e não grafado, que se realiza na concretude, pois há um contato vivo. Antônio Pedro ressaltou também que à medida em que a ciência se desliga da observação, o chamado “real científico” se torna menos conferível.
A Roda de conversa também teve a participação do imunologista Nelson Vaz. Na ocasião, ele destacou o esforço que os cientistas podem fazer para mudar a situação de problemas atuais. Para ele, a ciência não será capaz de resolver essas questões, pois ainda não há recursos de interação humana, comunicação e emoção para desencadear um movimento concreto de mudança global. O imunologista abordou também a necessidade que o ser humano tem de ser cuidado, afirmando que enquanto essa questão não for inserida no fazer da ciência e da imunologia, não há como ocorrer mudanças.
Cristiane Albuquerque
23/09/2010
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Cantando repentes e com danças divertidas, os participantes da oficina Cirandas da Vida eram estimulados a interagir e a gargalhar. Sim, gargalhar. Isso porque, entre outros temas, a oficina abordou a questão do riso para o bem-estar e a saúde. Essa foi apenas uma das oficinas que o público conferiu na tarde do segundo dia do evento Ciência e Arte 2010, realizado pela Fiocruz entre 20 e 23 de setembro. A oficina, organizada pela Secretaria de Saúde de Fortaleza, os instrutores utilizaram histórias e experiências vividas para trabalhar questões sobre gênero, redes de arte, cultura e saúde, práticas integrativas de cuidado, juventude em conflito com a lei, sócio-economia solidária, ambiente e moradia. Tudo com muita alegria, colocando o riso a serviço da qualidade de vida.
Gutemberg Brito
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Cantando repentes e com danças divertidas, os participantes da oficina Cirandas da Vida eram estimulados a interagir e a gargalhar
Em outra oficina, a geometria das dobraduras da técnica milenar japonesa do origami e seu uso no desenvolvimento da capacidade de visualização espacial foi apresentada pelo instrutor e professor de matemática Paulo Henrique Colonese. O instrutor explicou que a arte do origami consiste em transformar papel, a partir de dobraduras, e criar representações de seres, animais ou figuras geométricas. Durante a oficina, os alunos aprenderam sobre as diferenças entre o origami tradicional, que utiliza uma folha de papel, sem cortes e sem o uso de cola, e o origami modular, que é feito com várias folhas dobradas da mesma maneira e que depois são juntadas formando uma única figura. Os participantes também foram estimulados a discutir sobre a aplicação da técnica no desenvolvimento de habilidades de visualização espacial e na percepção de simetrias espaciais.
Gutemberg Brito
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Na oficina de origami os alunos aprenderam sobre as diferenças entre o origami tradicional e o origami modular
Transformar ambientes físicos ou ambientes de trabalho em espaço humanizados para aqueles que trabalham ou convivem neles foi o desafio proposto pela oficina Espaço, criação e alegria, ministrada por Elio Grossman, do IOC. Na oficina foram apresentadas técnicas de localização espacial, cores, formas de representação, através de desenhos e maquetes, e analogias entre formas encontradas na natureza e formas encontradas na cultura material. Elio Grossman também falou sobre maneiras que favorecem as crianças a aprender o mundo e seu entorno através de brincadeiras no espaço. A oficina contou ainda com uma visita ao Castelo Mourisco, em que os alunos puderam verificar padrões e formas geométricas encontrados nos ornamentos e arquitetura do local.
Gutemberg Brito
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Técnicas de localização espacial, cores e formas de representação foram apresentadas na oficina de Espaço, criação e alegria
Como utilizar insetos para a divulgação da ciência? Na oficina de macrofotografia os participantes tiveram a oportunidade de descobrir sobre o mundo dos insetos por meio da lente da câmera fotográfica. Na oficina, ministrada pelo fotógrafo Roberto Eizemberg, doutorando do Instituto de Bioquímica Médica, os alunos também aprenderam técnicas de fotografia voltadas para difusão da ciência. Com uma máquina fotográfica adaptada a registrar fotos de pequenos insetos, puderam experimentar como produzir material de divulgação científica usando baratas, barbeiros, mosquitos e larvas como modelos.
Gutemberg Brito
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Na oficina de macrofotografia os participantes aprenderam técnicas de fotografia voltadas para difusão da ciência
Já na oficina de ilustração científica, ministrada pela aluna do curso de especialização em Ciência, arte e cultura em saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Dulce Nascimento, os alunos aprenderam as técnicas do desenho científico utilizado por pesquisadores, em temas de botânica e insetos, utilizando técnicas de nanquim e aquarela. A instrutora explicou que o desenho científico representa uma realidade que não pode ser alterada e, por isso, não admite nenhuma criação, por isso, os desenhos devem relatar estudos através de imagens e documentar visualmente material cientifico.
Gutemberg Brito
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Já na oficina de ilustração científica os alunos puderam conhecer as técnicas do desenho científico
Roda de conversa
A Roda de Conversa foi o destaque do terceiro dia do simpósio Ciência e Arte 2010 que aconteceu nesta quarta-feira, 22/09. O evento contou com a participação do cantor e ator Ney Matogrosso. Na ocasião, Ney falou sobre sua trajetória artística e se descreveu como um transgressor por questionar e não aceitar o que é imposto. O cantor afirmou ainda que a curiosidade é sua principal característica e isso faz com ele se relacione com a ciência, pois o ser curioso é um dos predicados dos cientistas. Ele destacou também sua luta pelo direito humano de expressão livre, quando defendeu a liberdade de expressão artística no período da ditadura militar no Brasil, em 1964.
Gutemberg Brito
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A Roda de conversa com diálogos entre Ciência e Arte foi o destaque do último dia do simpósio
A partir do questionamento ‘Como a arte pode interagir com a ciência’, o artista e cientista Hélio Rola falou sobre sua experiência de unir ciência e arte no campo acadêmico. Ele contou como surgiu o seu interesse pela arte e falou sobre as dificuldades de conciliar as duas tradições, explicando que um quando cientista realiza algum trabalho fora da academia, acaba não sendo discriminado pela comunidade científica. O artista e cientista destacou o trabalho que desenvolve na Universidade Federal do Ceará (UFC), na disciplina de Metodologia Científica e Filosofia da Ciência, em que utiliza seu trabalho artístico e propõe reflexões com textos dos filósofo francês Michel Serres e do biólogo Humberto Maturana, contando que foi desta maneira que conseguiu unir e trabalhar suas duas habilidades ao mesmo tempo. As dificuldades encontradas para humanizar a relação entre cientistas e estudantes de outras áreas da saúde também foi abordada por Helio durante a roda de conversa.
Já o ator Antônio Pedro fez uma comparação entre ciência e arte utilizando o teatro como parâmetro. Para o ator, o mundo depende de como está sendo visto e para que está sendo visto – ou seja, depende da observação. O ator afirmou ainda que a ciência evolui dessa maneira, pois para cada circunstância existe uma metodologia. Já a arte, em especial o teatro, é uma ferramenta de conhecimento poderosa, uma maneira de conhecer o mundo de uma forma diferente. Segundo Antônio Pedro, o fato do ator estar em cena faz com que a linguagem artística teatral seja um verbo emocionado e não grafado, que se realiza na concretude, pois há um contato vivo. Antônio Pedro ressaltou também que à medida em que a ciência se desliga da observação, o chamado “real científico” se torna menos conferível.
A Roda de conversa também teve a participação do imunologista Nelson Vaz. Na ocasião, ele destacou o esforço que os cientistas podem fazer para mudar a situação de problemas atuais. Para ele, a ciência não será capaz de resolver essas questões, pois ainda não há recursos de interação humana, comunicação e emoção para desencadear um movimento concreto de mudança global. O imunologista abordou também a necessidade que o ser humano tem de ser cuidado, afirmando que enquanto essa questão não for inserida no fazer da ciência e da imunologia, não há como ocorrer mudanças.
Cristiane Albuquerque
23/09/2010
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Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)