A quarta edição da iniciativa formou mais de 100 moradores de comunidades do Rio de Janeiro. Temas de cunho social como lixo, drogas, parasitoses e AIDS foram destaque
Chegou ao fim mais uma edição do curso ‘Saúde Comunitária: Uma construção de todos’. Durante dois meses, a iniciativa promovida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) capacitou cerca de 117 moradores de comunidades de alta vulnerabilidade socioeconômica do entorno dos campi da Fiocruz em Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e em Jacarepaguá (Fiocruz Mata Atlântica), na Zona Oeste da cidade, em torno de temas ligados a realidade da localidade em que vivem, como parasitoses, habitação, água, lixo, dengue, HIV e doenças sexualmente transmissíveis.
Durante o curso, os alunos também foram motivados a descobrir o universo peculiar da saúde em comunidade, a qual envolve tópicos como a participação social em saúde, a habitação como espaço vital, o território como espaço de produção social da saúde e a importância das relações de convívio. “Nossa intenção é levar informação com qualidade. Para isso, apresentamos 29 temas específicos relacionados a agravos e problemas socioambientais que ocorrem nas comunidades”, destacou o coordenador do curso e pesquisador do Laboratório de Inovação em Terapias, Ensino e Bioprodutos do IOC, Antônio Henrique de Almeida de Moraes Neto.
Participaram da cerimônia de conclusão do curso em Manguinhos, no último dia 13 de dezembro, o vice-diretor de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Hugo Caire de Castro Faria Neto, o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel, o Coordenador de Cooperação Social da Fiocruz, José Leonídio e o Representante do Departamento de Tecnologia da Informação do IOC, André Bonatte.
Ministrando o saber
Não basta apenas entender do assunto, é preciso saber ensinar. Com esse lema, a iniciativa contou a colaboração de cerca de 30 professores de diversas instituições. Com bastante animação, o pesquisador do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do IOC, Júlio Vianna Barbosa, ministrou aulas sobre pediculose, mais conhecido como o problema dos piolhos. De acordo com o especialista, o caminho para obter um bom resultado foi gerar curiosidade e investir na troca de experiências. “Nós procuramos deixar os participantes muito à vontade durante as aulas e prepará-los para a atuação na prática, disse Júlio, completando que ”esses alunos serão os multiplicadores da informação científica utilizando uma linguagem popular, seja com os seus familiares, vizinhos ou amigos”.
Gutemberg Brito

Participante recebe o diploma das mãos do vice-presidente Valcler Rangel
Os guerreiros
Acordar cedo, trabalhar o dia inteiro, cuidar da casa, enfrentar as dificuldades diárias e ainda ter força de vontade para estudar à noite ou aos sábados. Chamados carinhosamente de ‘guerreiros’, os participantes do curso chegam com a intenção de mudar a realidade das suas comunidades. Ana Lúcia da Silva Ferreira, dona de casa e moradora da comunidade João Goulart, em Manguinhos, é uma dessas personagens. Ela conta que ingressou na iniciativa em busca de aprimoramento. “Eu terminei o ensino médio recentemente e estava interessada em fazer o curso de Enfermagem, mas ainda não tive chance. Com o ‘Saúde Comunitária’ pude reforçar o que já sei na campo da saúde, e isso foi muito gratificante”, disse. Para Ana Lúcia, o curso contribui para a melhoria da qualidade de vida e de saúde da população. “Eu já criei o bom hábito de não jogar lixo no chão e, de vez em quando, me pego abordando algumas pessoas que descumprem essa atitude. Se cada um de nós fizermos a nossa parte, com certeza teremos uma cidade melhor”, complementou.
Com 64 anos, o enfermeiro Jacó Gomes da Silva, do Complexo do Alemão, buscou no curso a interação com pessoas de diferentes lugares. “O curso possibilitou o enriquecimento do meu saber. Quero ser útil para o ser humano sempre que eu puder”, disse o comunicativo Jacó.
Gutemberg Brito

A cerimônia de entrega dos certificados foi motivo de orgulho e satisfação
Em campo
Uma das fases da iniciativa foi a elaboração e o desenvolvimento de projetos de pesquisa em Promoção da Saúde. Com temas nas mãos e divididos em grupos, os participantes foram a campo reforçar o que aprenderam durante as aulas.
Um dos grupos abordou a problemática do lixo quando descartado indevidamente. Na comunidade de Manguinhos eles registraram o acúmulo de detritos, promoveram uma campanha de conscientização e incentivaram a reciclagem.
A saúde da população também foi destaque nos trabalhos. O estado do Rio registrou 92.178 casos de AIDS entre os anos de 2000 e 2012 de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. No mês em que a Organização Mundial de Saúde promove o dia mundial de combate à AIDS, outra equipe do curso apresentou dados sobre o assunto e informações a respeito das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Em estações de trem, os participantes forneceram, por meio de panfletos e distribuição de camisinhas, explicações básicas sobre as doenças, como forma de transmissão, sintomas e tratamento.
Outro problema recorrente é o alcoolismo e o consumo de drogas. A ação do terceiro grupo teve por objetivo alertar a população a respeito do desenvolvimento do alcoolismo, do consumo precoce e dos efeitos do álcool e das drogas na saúde e nas relações sociais. Para isso, utilizaram artigos de jornais sobre o tema e um vídeo educativo.
Lucas Rocha
16/12/2013
Autorizada a reprodução sem fins lucrativos desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)
A quarta edição da iniciativa formou mais de 100 moradores de comunidades do Rio de Janeiro. Temas de cunho social como lixo, drogas, parasitoses e AIDS foram destaque
Chegou ao fim mais uma edição do curso ‘Saúde Comunitária: Uma construção de todos’. Durante dois meses, a iniciativa promovida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) capacitou cerca de 117 moradores de comunidades de alta vulnerabilidade socioeconômica do entorno dos campi da Fiocruz em Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e em Jacarepaguá (Fiocruz Mata Atlântica), na Zona Oeste da cidade, em torno de temas ligados a realidade da localidade em que vivem, como parasitoses, habitação, água, lixo, dengue, HIV e doenças sexualmente transmissíveis.
Durante o curso, os alunos também foram motivados a descobrir o universo peculiar da saúde em comunidade, a qual envolve tópicos como a participação social em saúde, a habitação como espaço vital, o território como espaço de produção social da saúde e a importância das relações de convívio. “Nossa intenção é levar informação com qualidade. Para isso, apresentamos 29 temas específicos relacionados a agravos e problemas socioambientais que ocorrem nas comunidades”, destacou o coordenador do curso e pesquisador do Laboratório de Inovação em Terapias, Ensino e Bioprodutos do IOC, Antônio Henrique de Almeida de Moraes Neto.
Participaram da cerimônia de conclusão do curso em Manguinhos, no último dia 13 de dezembro, o vice-diretor de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Hugo Caire de Castro Faria Neto, o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel, o Coordenador de Cooperação Social da Fiocruz, José Leonídio e o Representante do Departamento de Tecnologia da Informação do IOC, André Bonatte.
Ministrando o saber
Não basta apenas entender do assunto, é preciso saber ensinar. Com esse lema, a iniciativa contou a colaboração de cerca de 30 professores de diversas instituições. Com bastante animação, o pesquisador do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do IOC, Júlio Vianna Barbosa, ministrou aulas sobre pediculose, mais conhecido como o problema dos piolhos. De acordo com o especialista, o caminho para obter um bom resultado foi gerar curiosidade e investir na troca de experiências. “Nós procuramos deixar os participantes muito à vontade durante as aulas e prepará-los para a atuação na prática, disse Júlio, completando que ”esses alunos serão os multiplicadores da informação científica utilizando uma linguagem popular, seja com os seus familiares, vizinhos ou amigos”.
Gutemberg Brito

Participante recebe o diploma das mãos do vice-presidente Valcler Rangel
Os guerreiros
Acordar cedo, trabalhar o dia inteiro, cuidar da casa, enfrentar as dificuldades diárias e ainda ter força de vontade para estudar à noite ou aos sábados. Chamados carinhosamente de ‘guerreiros’, os participantes do curso chegam com a intenção de mudar a realidade das suas comunidades. Ana Lúcia da Silva Ferreira, dona de casa e moradora da comunidade João Goulart, em Manguinhos, é uma dessas personagens. Ela conta que ingressou na iniciativa em busca de aprimoramento. “Eu terminei o ensino médio recentemente e estava interessada em fazer o curso de Enfermagem, mas ainda não tive chance. Com o ‘Saúde Comunitária’ pude reforçar o que já sei na campo da saúde, e isso foi muito gratificante”, disse. Para Ana Lúcia, o curso contribui para a melhoria da qualidade de vida e de saúde da população. “Eu já criei o bom hábito de não jogar lixo no chão e, de vez em quando, me pego abordando algumas pessoas que descumprem essa atitude. Se cada um de nós fizermos a nossa parte, com certeza teremos uma cidade melhor”, complementou.
Com 64 anos, o enfermeiro Jacó Gomes da Silva, do Complexo do Alemão, buscou no curso a interação com pessoas de diferentes lugares. “O curso possibilitou o enriquecimento do meu saber. Quero ser útil para o ser humano sempre que eu puder”, disse o comunicativo Jacó.
Gutemberg Brito

A cerimônia de entrega dos certificados foi motivo de orgulho e satisfação
Em campo
Uma das fases da iniciativa foi a elaboração e o desenvolvimento de projetos de pesquisa em Promoção da Saúde. Com temas nas mãos e divididos em grupos, os participantes foram a campo reforçar o que aprenderam durante as aulas.
Um dos grupos abordou a problemática do lixo quando descartado indevidamente. Na comunidade de Manguinhos eles registraram o acúmulo de detritos, promoveram uma campanha de conscientização e incentivaram a reciclagem.
A saúde da população também foi destaque nos trabalhos. O estado do Rio registrou 92.178 casos de AIDS entre os anos de 2000 e 2012 de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. No mês em que a Organização Mundial de Saúde promove o dia mundial de combate à AIDS, outra equipe do curso apresentou dados sobre o assunto e informações a respeito das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Em estações de trem, os participantes forneceram, por meio de panfletos e distribuição de camisinhas, explicações básicas sobre as doenças, como forma de transmissão, sintomas e tratamento.
Outro problema recorrente é o alcoolismo e o consumo de drogas. A ação do terceiro grupo teve por objetivo alertar a população a respeito do desenvolvimento do alcoolismo, do consumo precoce e dos efeitos do álcool e das drogas na saúde e nas relações sociais. Para isso, utilizaram artigos de jornais sobre o tema e um vídeo educativo.
Lucas Rocha
16/12/2013
Autorizada a reprodução sem fins lucrativos desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)