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Acervos de Coleções Biológicas do IOC ganham cópias de segurança

Iniciativa inédita na Fiocruz preserva espécimes no Biobanco da Biodiversidade e Saúde
Por Maíra Menezes e informações de Elisandra Galvão (VPPCB/Fiocruz)04/08/2025 - Atualizado em 08/08/2025
Retirada de amostras da Coleção de Culturas de Fungos Filamentosos para backup no BBS-Fiocruz. Foto: Plínio Sousa/Comunicação VPPCB

Três coleções biológicas mantidas pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) são pioneiras num processo inédito na Fiocruz: a criação de um backup de acervos biológicos, através da preservação de amostras no Biobanco da Biodiversidade e Saúde (BBS-Fiocruz).

Com preservação em temperatura ultrabaixa, em tanques de nitrogênio líquido, o backup criogênico funciona como cópia de segurança de espécimes mantidos nas coleções.

Pioneiras no processo, as coleções de Leishmania, de Culturas de Fungos Filamentosos e de Bactérias de Ambiente e Saúde do IOC transferiram recentemente 297 amostras para o Biobanco. O número corresponde a 99 cepas de microrganismos, sendo cada uma enviada em triplicata.

De acordo com as curadoras dos acervos, a medida amplia a garantia para preservação de longo prazo de espécimes de alta relevância para a ciência e a saúde.

“O conceito do backup é preservar amostras em espaço físico diferente da sede das coleções. Dessa forma, se ocorrer qualquer incidente que leve à perda de espécimes, é possível recorrer a esses exemplares e não perder materiais que são patrimônio genético do Brasil”, explica a curadora da Coleção de Leishmania, Elisa Cupolillo.

“Na Coleção de Bactérias de Ambiente e Saúde, as amostras são preservadas em cinco lotes, em ultrafreezer e em nitrogênio líquido. Porém, tudo isso está num único prédio. Ter um backup, em outro local, é fundamental para coleções que guardam acervos preciosos”, pontua a curadora Verônica Vieira.

“Com esse procedimento ganhamos segurança, porque os nossos espécimes contarão com backup em local com alta qualidade, como é o Biobanco de Biodiversidade e Saúde da Fiocruz”, acrescenta a curadora da Coleção de Culturas de Fungos Filamentosos, Simone Quintelato.

Acondicionamento de amostras da Coleção de Leishmania para transporte. Foto: Plínio Sousa/Comunicação VPPCB

Discutida desde a concepção do BBS-Fiocruz, a criação do backup é inspirada em práticas de outras instituições internacionais. A iniciativa é coordenada pela gerente-geral do Biobanco, Manuela da Silva, juntamente com Marcelo Pelajo e Aline Souto, ambos da Coordenação de Coleções Biológicas da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz).

“A ideia ganhou corpo com o apoio da Coordenação de Coleções Biológicas da Fiocruz e resultou na criação da chamada Coleção de Backup do BBS-Fiocruz”, afirma Manuela.

Para estabelecer os trâmites desse processo, foi formado um grupo assessor, instituído pela Portaria n.º 7, de 9/5/2024.

Liderado pela Coordenação de Coleções Biológicas e pelo BBS, com participação de curadoras e curadoras adjuntas das três coleções do IOC, o grupo atuou na proposição, discussão e definição de fluxos e documentos relacionados ao processo.

Em janeiro de 2025, os termos de depósito entre as partes foram assinados, abrindo caminho para a concretização da transferência de amostras.

Após a primeira transferência concluída com sucesso, novas etapas devem ser realizadas para composição dos backups, contemplando amostras prioritárias, segundo critérios relacionados à relevância dos microrganismos para a saúde, a ciência e a inovação.

Na Coleção de Leishmania, a prioridade são os microrganismos classificados como cepas de referência pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que são considerados como padrão das espécies, e protozoários com o genoma completo sequenciado.

Na Coleção de Bactérias de Ambiente e Saúde, são priorizadas linhagens com potencial biotecnológico, ou seja, que produzem substâncias que podem ser usadas no desenvolvimento de medicamentos ou outros produtos, além de cepas tipo, que serviram de base para descrição de novas espécies.

Os mesmos critérios são aplicados na Coleção de Culturas de Fungos Filamentosos, que inclui ainda amostras históricas entre aquelas com preferência para o backup, tendo em vista o acervo de mais de cem anos. Por exemplo, a cepa do fungo Penicillium notatum usada por Alexander Fleming na descoberta da penicilina foi contemplada logo na primeira remessa realizada.

Amostras de backup transferidas de coleções biológicas do IOC foram armazenadas em tanques de nitrogênio líquido no BBS-Fiocruz. Foto: Plínio Sousa/Comunicação VPPCB 

As curadoras ressaltam os procedimentos rigorosos para garantir a qualidade das amostras biológicas enviadas para a Coleção de Backup.

“No grupo assessor, discutimos a forma de envio das amostras e os dados do material biológico que precisam ser enviados. O Procedimento Operacional Padrão (POPs) para o backup das amostras foi elaborado pelo Biobanco com consultoria das três coleções envolvidas”, relata Rosane Maria Temporal, curadora adjunta e gestora da qualidade da Coleção de Leishmania.

As três coleções pioneiras já utilizam o armazenamento em tanques de nitrogênio líquido como uma das formas de preservação de espécimes. Em temperatura ultrabaixa, em torno de -196ºC, os microrganismos permanecem inertes, porém viáveis.

Assim, quando necessário, é possível reativá-los. Colocados em meio de cultura na estufa, os microrganismos retomam sua atividade biológica e voltam a se multiplicar, o que permite produzir cópias das cepas.

É dessa forma que se realiza a manutenção das coleções, produzidas alíquotas de amostras para pesquisas e cópias de segurança para a Coleção de Backup do BBS-Fiocruz.

“A primeira transferência foi muito bem-sucedida. A partir de agora, ao fazer a manutenção das amostras preservadas na Coleção, vamos produzir os lotes de trabalho e os lotes das cepas prioritárias para o Biobanco”, afirma Cátia Chaia, curadora adjunta e gestora da qualidade da Coleção de Bactérias de Ambiente e Saúde.

O backup não altera os serviços prestados pelas Coleções. Apenas os responsáveis pelos depósitos poderão acessar os materiais armazenados no BBS-Fiocruz.

Pesquisadores que desejarem ter acesso aos materiais das coleções devem manter o procedimento já estabelecido, entrando em contato com os curadores responsáveis por cada coleção.

O serviço de backup será exclusivo para as coleções biológicas da Fiocruz. A expectativa é expandir a iniciativa futuramente para as demais coleções microbiológicas e, depois, para outras coleções biológicas institucionalizadas, incluindo acervos botânicos, zoológicos, histopatológicos e paleoparasitológicos.

 

Iniciativa inédita na Fiocruz preserva espécimes no Biobanco da Biodiversidade e Saúde
Por: 
maira
por (outros): 
informações de Elisandra Galvão (VPPCB/Fiocruz)
Retirada de amostras da Coleção de Culturas de Fungos Filamentosos para backup no BBS-Fiocruz. Foto: Plínio Sousa/Comunicação VPPCB

Três coleções biológicas mantidas pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) são pioneiras num processo inédito na Fiocruz: a criação de um backup de acervos biológicos, através da preservação de amostras no Biobanco da Biodiversidade e Saúde (BBS-Fiocruz).

Com preservação em temperatura ultrabaixa, em tanques de nitrogênio líquido, o backup criogênico funciona como cópia de segurança de espécimes mantidos nas coleções.

Pioneiras no processo, as coleções de Leishmania, de Culturas de Fungos Filamentosos e de Bactérias de Ambiente e Saúde do IOC transferiram recentemente 297 amostras para o Biobanco. O número corresponde a 99 cepas de microrganismos, sendo cada uma enviada em triplicata.

De acordo com as curadoras dos acervos, a medida amplia a garantia para preservação de longo prazo de espécimes de alta relevância para a ciência e a saúde.

“O conceito do backup é preservar amostras em espaço físico diferente da sede das coleções. Dessa forma, se ocorrer qualquer incidente que leve à perda de espécimes, é possível recorrer a esses exemplares e não perder materiais que são patrimônio genético do Brasil”, explica a curadora da Coleção de Leishmania, Elisa Cupolillo.

“Na Coleção de Bactérias de Ambiente e Saúde, as amostras são preservadas em cinco lotes, em ultrafreezer e em nitrogênio líquido. Porém, tudo isso está num único prédio. Ter um backup, em outro local, é fundamental para coleções que guardam acervos preciosos”, pontua a curadora Verônica Vieira.

“Com esse procedimento ganhamos segurança, porque os nossos espécimes contarão com backup em local com alta qualidade, como é o Biobanco de Biodiversidade e Saúde da Fiocruz”, acrescenta a curadora da Coleção de Culturas de Fungos Filamentosos, Simone Quintelato.

Acondicionamento de amostras da Coleção de Leishmania para transporte. Foto: Plínio Sousa/Comunicação VPPCB

Discutida desde a concepção do BBS-Fiocruz, a criação do backup é inspirada em práticas de outras instituições internacionais. A iniciativa é coordenada pela gerente-geral do Biobanco, Manuela da Silva, juntamente com Marcelo Pelajo e Aline Souto, ambos da Coordenação de Coleções Biológicas da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz).

“A ideia ganhou corpo com o apoio da Coordenação de Coleções Biológicas da Fiocruz e resultou na criação da chamada Coleção de Backup do BBS-Fiocruz”, afirma Manuela.

Para estabelecer os trâmites desse processo, foi formado um grupo assessor, instituído pela Portaria n.º 7, de 9/5/2024.

Liderado pela Coordenação de Coleções Biológicas e pelo BBS, com participação de curadoras e curadoras adjuntas das três coleções do IOC, o grupo atuou na proposição, discussão e definição de fluxos e documentos relacionados ao processo.

Em janeiro de 2025, os termos de depósito entre as partes foram assinados, abrindo caminho para a concretização da transferência de amostras.

Após a primeira transferência concluída com sucesso, novas etapas devem ser realizadas para composição dos backups, contemplando amostras prioritárias, segundo critérios relacionados à relevância dos microrganismos para a saúde, a ciência e a inovação.

Na Coleção de Leishmania, a prioridade são os microrganismos classificados como cepas de referência pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que são considerados como padrão das espécies, e protozoários com o genoma completo sequenciado.

Na Coleção de Bactérias de Ambiente e Saúde, são priorizadas linhagens com potencial biotecnológico, ou seja, que produzem substâncias que podem ser usadas no desenvolvimento de medicamentos ou outros produtos, além de cepas tipo, que serviram de base para descrição de novas espécies.

Os mesmos critérios são aplicados na Coleção de Culturas de Fungos Filamentosos, que inclui ainda amostras históricas entre aquelas com preferência para o backup, tendo em vista o acervo de mais de cem anos. Por exemplo, a cepa do fungo Penicillium notatum usada por Alexander Fleming na descoberta da penicilina foi contemplada logo na primeira remessa realizada.

Amostras de backup transferidas de coleções biológicas do IOC foram armazenadas em tanques de nitrogênio líquido no BBS-Fiocruz. Foto: Plínio Sousa/Comunicação VPPCB 

As curadoras ressaltam os procedimentos rigorosos para garantir a qualidade das amostras biológicas enviadas para a Coleção de Backup.

“No grupo assessor, discutimos a forma de envio das amostras e os dados do material biológico que precisam ser enviados. O Procedimento Operacional Padrão (POPs) para o backup das amostras foi elaborado pelo Biobanco com consultoria das três coleções envolvidas”, relata Rosane Maria Temporal, curadora adjunta e gestora da qualidade da Coleção de Leishmania.

As três coleções pioneiras já utilizam o armazenamento em tanques de nitrogênio líquido como uma das formas de preservação de espécimes. Em temperatura ultrabaixa, em torno de -196ºC, os microrganismos permanecem inertes, porém viáveis.

Assim, quando necessário, é possível reativá-los. Colocados em meio de cultura na estufa, os microrganismos retomam sua atividade biológica e voltam a se multiplicar, o que permite produzir cópias das cepas.

É dessa forma que se realiza a manutenção das coleções, produzidas alíquotas de amostras para pesquisas e cópias de segurança para a Coleção de Backup do BBS-Fiocruz.

“A primeira transferência foi muito bem-sucedida. A partir de agora, ao fazer a manutenção das amostras preservadas na Coleção, vamos produzir os lotes de trabalho e os lotes das cepas prioritárias para o Biobanco”, afirma Cátia Chaia, curadora adjunta e gestora da qualidade da Coleção de Bactérias de Ambiente e Saúde.

O backup não altera os serviços prestados pelas Coleções. Apenas os responsáveis pelos depósitos poderão acessar os materiais armazenados no BBS-Fiocruz.

Pesquisadores que desejarem ter acesso aos materiais das coleções devem manter o procedimento já estabelecido, entrando em contato com os curadores responsáveis por cada coleção.

O serviço de backup será exclusivo para as coleções biológicas da Fiocruz. A expectativa é expandir a iniciativa futuramente para as demais coleções microbiológicas e, depois, para outras coleções biológicas institucionalizadas, incluindo acervos botânicos, zoológicos, histopatológicos e paleoparasitológicos.

 

Edição: 
Vinicius Ferreira

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)