Na primeira edição após comemorar Ãndice recorde de fator de impacto, a publicação também traz estudo sobre tuberculose entre Ãndios no Paraguai e achado inédito relacionado a micobactérias
O diagnóstico de arboviroses é um dos temas em pauta na edição de julho da revista ‘Memórias do Instituto Oswaldo CruzÂ’, que acaba de celebrar o Ãndice recorde de fator de impacto, consolidando a posição de publicação cientÃfica mais citada da América Latina. Realizado por pesquisadores do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz-Amazônia), Instituto Evandro Chagas (IEC) e Universidade do Estado do Pará (Uepa), um dos estudos publicados no periódico apresenta um método molecular para detecção simultânea dos vÃrus Oropouche e mayaro. Como as duas viroses transmitidas por insetos ocorrem ao mesmo tempo na região amazônica e provocam sintomas semelhantes aos da dengue, chikungunya e Zika, pode haver dificuldades no diagnóstico clÃnico. Os cientistas desenvolveram um teste com alta sensibilidade e especificidade para detectar o material genético dos vÃrus Oropuche e mayaro, com base na metodologia de PCR multiplex.
Outra pesquisa em destaque na edição avaliou a ocorrência de diferentes sorotipos do vÃrus da dengue na cidade de Matamoros, no estado de Tamaulipas, no México. Analisando amostras de 243 pacientes, o estudo conduzido pelo Instituto Politécnico Nacional, no México, identificou, pela primeira vez, a presença do sorotipo 4 do vÃrus da dengue na região e apontou um alto Ãndice de infecções mistas: cerca de 20% dos pacientes estavam infectados por dois ou mais sorotipos virais. Segundo os autores, o resultado reforça a importância de combinar métodos de diagnóstico moleculares e sorológicos para confirmação dos casos.
Entre os dez artigos publicados, a edição apresenta também uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) que apontou mutações no genoma do vÃrus da hepatite B em um caso de infecção oculta. A variante viral foi identificada após a análise de amostras relativas a 35 pacientes atendidos no Ambulatório de Hepatites Virais do IOC, que tiveram os exames sorológicos de diagnóstico com resultado inespecÃfico. Adaptando um método de PCR quantitativo, os cientistas conseguiram detectar o genoma do vÃrus na amostra de um dos pacientes, confirmando a infecção oculta. A partir do sequenciamento do DNA viral, os cientistas identificaram a presença de mutações que podem ter contribuÃdo para o resultado inespecÃfico nos testes sorológicos.
Em outro trabalho, pesquisadores do Laboratório de Genética Molecular de Microrganismos do IOC relatam um achado inédito. Em uma micobactéria ambiental, encontrada no solo de florestas da Mata Atlântica, os cientistas identificaram um plasmÃdeo que não tinha sido descrito antes na literatura cientÃfica. Separados do material genético principal do microorganismo, os plasmÃdeos são pequenas moléculas de DNA com formato circular. Isso é comum em bactérias, porém, poucos plasmÃdeos foram detectados em micobactérias até o momento. Segundo os cientistas, o achado abre portas para estudos de evolução e conjugação, além de ser um potencial instrumento para manipulação do DNA deste gênero de microrganismos.
A partir de entrevistas com mais de 24 mil voluntários de diferentes grupos étnicos indÃgenas do Paraguai, pesquisadores identificaram quase 1,4 mil indivÃduos com sintomas respiratórios e dez casos de tuberculose pulmonar, confirmados por exame de cultura. O estudo, que é mais um destaque da edição de julho, encontrou risco três vezes maior de sintomas entre os Ãndios Ayoreo e Manjui. A idade superior aos 37 anos também foi associada ao dobro de chances de apresentar sintomas. Entre os fatores de risco, os pesquisadores identificaram ainda sexo feminino, histórico de casos anteriores de tuberculose na famÃlia, tipo de habitação, ausência de aquecimento doméstico e carência de consumo de vegetais, carnes, laticÃnios e frutas. A pesquisa foi realizada pelo Ministério de Saúde Pública e Bem-Estar Social e Universidade Nacional de Assunção, no Paraguai; Faculdade de Ciências Sociais Latinoamericana, na Argentina; Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Brasil. Todos os artigos publicados na revista ‘Memórias do Instituto Oswaldo CruzÂ’ podem ser acessados gratuitamente online. Reportagem: MaÃra Menezes Edição: Raquel Aguiar 06/07/2017
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O diagnóstico de arboviroses é um dos temas em pauta na edição de julho da revista ‘Memórias do Instituto Oswaldo CruzÂ’, que acaba de celebrar o Ãndice recorde de fator de impacto, consolidando a posição de publicação cientÃfica mais citada da América Latina. Realizado por pesquisadores do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz-Amazônia), Instituto Evandro Chagas (IEC) e Universidade do Estado do Pará (Uepa), um dos estudos publicados no periódico apresenta um método molecular para detecção simultânea dos vÃrus Oropouche e mayaro. Como as duas viroses transmitidas por insetos ocorrem ao mesmo tempo na região amazônica e provocam sintomas semelhantes aos da dengue, chikungunya e Zika, pode haver dificuldades no diagnóstico clÃnico. Os cientistas desenvolveram um teste com alta sensibilidade e especificidade para detectar o material genético dos vÃrus Oropuche e mayaro, com base na metodologia de PCR multiplex.
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Outra pesquisa em destaque na edição avaliou a ocorrência de diferentes sorotipos do vÃrus da dengue na cidade de Matamoros, no estado de Tamaulipas, no México. Analisando amostras de 243 pacientes, o estudo conduzido pelo Instituto Politécnico Nacional, no México, identificou, pela primeira vez, a presença do sorotipo 4 do vÃrus da dengue na região e apontou um alto Ãndice de infecções mistas: cerca de 20% dos pacientes estavam infectados por dois ou mais sorotipos virais. Segundo os autores, o resultado reforça a importância de combinar métodos de diagnóstico moleculares e sorológicos para confirmação dos casos.
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Entre os dez artigos publicados, a edição apresenta também uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) que apontou mutações no genoma do vÃrus da hepatite B em um caso de infecção oculta. A variante viral foi identificada após a análise de amostras relativas a 35 pacientes atendidos no Ambulatório de Hepatites Virais do IOC, que tiveram os exames sorológicos de diagnóstico com resultado inespecÃfico. Adaptando um método de PCR quantitativo, os cientistas conseguiram detectar o genoma do vÃrus na amostra de um dos pacientes, confirmando a infecção oculta. A partir do sequenciamento do DNA viral, os cientistas identificaram a presença de mutações que podem ter contribuÃdo para o resultado inespecÃfico nos testes sorológicos.
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Em outro trabalho, pesquisadores do Laboratório de Genética Molecular de Microrganismos do IOC relatam um achado inédito. Em uma micobactéria ambiental, encontrada no solo de florestas da Mata Atlântica, os cientistas identificaram um plasmÃdeo que não tinha sido descrito antes na literatura cientÃfica. Separados do material genético principal do microorganismo, os plasmÃdeos são pequenas moléculas de DNA com formato circular. Isso é comum em bactérias, porém, poucos plasmÃdeos foram detectados em micobactérias até o momento. Segundo os cientistas, o achado abre portas para estudos de evolução e conjugação, além de ser um potencial instrumento para manipulação do DNA deste gênero de microrganismos.
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A partir de entrevistas com mais de 24 mil voluntários de diferentes grupos étnicos indÃgenas do Paraguai, pesquisadores identificaram quase 1,4 mil indivÃduos com sintomas respiratórios e dez casos de tuberculose pulmonar, confirmados por exame de cultura. O estudo, que é mais um destaque da edição de julho, encontrou risco três vezes maior de sintomas entre os Ãndios Ayoreo e Manjui. A idade superior aos 37 anos também foi associada ao dobro de chances de apresentar sintomas. Entre os fatores de risco, os pesquisadores identificaram ainda sexo feminino, histórico de casos anteriores de tuberculose na famÃlia, tipo de habitação, ausência de aquecimento doméstico e carência de consumo de vegetais, carnes, laticÃnios e frutas. A pesquisa foi realizada pelo Ministério de Saúde Pública e Bem-Estar Social e Universidade Nacional de Assunção, no Paraguai; Faculdade de Ciências Sociais Latinoamericana, na Argentina; Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Brasil. Todos os artigos publicados na revista ‘Memórias do Instituto Oswaldo CruzÂ’ podem ser acessados gratuitamente online. Reportagem: MaÃra Menezes Edição: Raquel Aguiar 06/07/2017
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)