Maíra Menezes 19/12/2014
Edição de dezembro traz editorial sobre o risco de introdução do vírus ebola no Brasil, com recomendações para aprimorar a resposta no país diante de casos suspeitos
Além de um editorial sobre o vírus ebola, a edição de dezembro da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz traz entre os destaques pesquisas sobre dengue, filariose linfática e leptospirose. Analisando mais de 500 fêmeas de Aedes aegypti coletadas durante uma epidemia de dengue no Rio de Janeiro, cientistas dos Estados Unidos e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam que os mosquitos de tamanho maior são os vetores mais perigosos da doença. Um estudo do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (Fiocruz-Pernambuco) e da Universidade Federal de Pernambuco aponta que técnicas de PCR (Polimerase Chain Reaction) são capazes de detectar o DNA da filária Wuchereria bancrofti em amostras de urina de pacientes, o que pode facilitar o diagnóstico da filariose linfática e contribuir para alcançar a meta de eliminação da doença até 2020. Já um artigo de cientistas da Espanha, Suécia e Chile mostra que a presença de bactérias causadoras da leptospirose em uma região pode ser avaliada a partir do estudo da infecção em lobos, indicando que animais considerados grandes predadores podem ser usados como sentinelas para identificar a presença de patógenos. No editorial da publicação, os pesquisadores José Rodrigues Coura e Hooman Momen discutem a epidemia de ebola na África ocidental e os riscos de introdução do vírus no Brasil. Os editores da revista detalham as medidas adotadas até o momento pelo governo brasileiro e recomendam que todas as unidades da federação sejam preparadas para diagnosticar e tratar casos da doença. A edição de dezembro das Memórias do Instituto Oswaldo Cruz pode ser acessada gratuitamente online, clique aqui.
Vírus ebola: situação na África e recomendações para o Brasil
Um editorial elaborado pelos editores da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz José Rodrigues Coura e Hooman Momen discute as características da atual epidemia de ebola na África ocidental e apresenta recomendações considerando os riscos de introdução do patógeno no Brasil. Os cientistas afirmam que os países mais afetados desde o início do surto são Guiné, Libéria e Serra Leoa, mas já foram registrados casos de transmissão da doença em outras cinco nações: Nigéria, Senegal e Mali, na África, e Estados Unidos e Espanha, fora do continente africano. Segundo eles, o risco de introdução do vírus no Brasil foi estimado em 5% por um estudo da Northeastern University, dos EUA, e ainda que este número seja baixo, o país precisa estar preparado. Considerando o tamanho do Brasil e o fato de que não é possível prever onde ou quando surgirá o primeiro caso de ebola no território nacional, os autores argumentam que a centralização dos testes de diagnóstico em um único laboratório e do tratamento dos doentes em apenas um hospital conforme implementado pelo Ministério da Saúde pode ser de difícil execução. Assim, eles sugerem que todas as unidades da federação tenham centros preparados para lidar com o patógeno e apresentam uma lista de medidas que podem ser adotadas para implementar esta recomendação. Acesse o editorial.
Mosquitos Aedes aegypti maiores são mais aptos a transmitir a dengue
O perfil das fêmeas do mosquito Aedes aegypti com maior capacidade para transmitir a dengue foi apontado por um estudo de pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz) e das universidades Estadual de Illinois e da Flórida, nos Estados Unidos. A pesquisa começou a partir de características observadas em laboratório, que originaram duas hipóteses. De um lado, fêmeas que se desenvolvem em criadouros com muitas larvas sofrem impactos da competição por alimento e possuem um tamanho menor quando adultas. De outro, aquelas que crescem em criadouros com menos competição se tornam insetos adultos maiores e possuem uma vida mais longa, tendo mais tempo para ser infectadas pelo patógeno e para transmiti-lo para as pessoas. Para verificar qual dos fatores era mais importante na natureza, os pesquisadores analisaram 543 fêmeas de A. aegypti coletadas no Rio de Janeiro durante a epidemia de dengue de 2008. O estudo revelou que a frequência de infecção aumentava conforme o tamanho dos insetos. De acordo com os autores, os resultados contribuem para identificar as condições ecológicas que podem produzir os mosquitos mais perigosos, o que pode influenciar nas estratégias de controle. Confira a pesquisa.
Em busca de novos métodos para diagnóstico da filariose linfática
Estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa Global de Eliminação da Filariose Linfática pretende alcançar o fim dos casos da doença até 2020, e a melhoria dos métodos para diagnóstico da doença é um avanço fundamental para atingir este objetivo. Considerando esta necessidade, pesquisadores do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (Fiocruz-Pernambuco) e da Universidade Federal de Pernambuco apontam que a detecção do DNA da filária Wuchereria bancrofti, causadora da enfermidade, pode ser uma boa opção para identificar a infecção. De acordo com os cientistas, os principais métodos de diagnóstico usados atualmente dependem da coleta de sangue ou da realização de procedimentos à noite, o que pode ser difícil em locais com poucos recursos, onde a doença é mais frequente. A pesquisa mostra que métodos baseados na técnica PCR (Polimerase Chain Reaction) são capazes de detectar o DNA da W. bancrofti em amostras da urina dos pacientes, com alta sensibilidade e especificidade. Segundo os autores, a padronização deste procedimento pode contribuir para a identificação das áreas que devem ser alvo do Programa de Eliminação da Filariose Linfática e para o monitoramento dos resultados desta iniciativa. Acesse o estudo.
Predadores podem ser sentinelas para a detecção de patógenos no ambiente
Um artigo publicado por cientistas da Espanha, Suécia e Chile mostra que a pesquisa da infecção em grandes predadores pode ser um bom indicador da presença de bactérias causadoras de doenças em uma região. O estudo analisou 49 lobos encontrados mortos por diferentes causas em duas localidades no nordeste da Espanha entre 2010 e 2013 e investigou a presença de bactérias causadoras da leptospirose. Foi verificado que 20% deles haviam tido contato com estes micro-organismos, incluindo diferentes sorotipos de Leptospira, que são característicos de espécies diversas, como ratos, cães e outros mamíferos. De acordo com os autores, por se alimentar de uma grande variedade de presas, animais como os lobos considerados predadores máximos entram em contato com um grande número de patógenos e podem servir como sentinelas para monitorar a presença micro-organismos relevantes para saúde animal e humana. Leia o artigo.
Maíra Menezes
19/12/2014
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