Portuguese English Spanish
Interface
Adjust the interface to make it easier to use for different conditions.
This renders the document in high contrast mode.
This renders the document as white on black
This can help those with trouble processing rapid screen movements.
This loads a font easier to read for people with dyslexia.

vw_cabecalho_novo

Busca Avançada
Você está aqui: Notícias » Ciência se faz em conjunto

Ciência se faz em conjunto

Simpósio de Pesquisa e Inovação reuniu autoridades de agências de fomento como parte da preparação do Instituto para a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
Por Kadu Cayres20/10/2023 - Atualizado em 26/10/2023

Promover discussões preparatórias para a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, com vistas à larga participação institucional no debate em torno de políticas públicas sobre o tema no país, dentro do contexto de retomada democrática. Com esse objetivo, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realizou, nos dias 19 e 20 de outubro, a sexta edição do Simpósio de Pesquisa e Inovação. 

Durante a solenidade de abertura (19/10), realizada no auditório do Pavilhão Arthur Neiva, na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, os vice-diretores de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Instituto, Elmo Amaral e Luciana Garzoni, agradeceram a presença dos participantes e reiteraram a importância do evento na construção coletiva de recomendações e diretriz para a 5ª conferência de CT&I, que tem como tema ‘Ciência, Tecnologia e Inovação para um Brasil Justo, Sustentável e Desenvolvido’. A conferência, convocada por decreto presidencial, está prevista para junho de 2024. Com isso, será superado um hiato de 12 anos desde a última edição da conferência.

Elmo reiterou a importância do evento na construção coletiva de recomendações e diretriz para a 5ª conferência de CT&I. Foto: Ricardo Schimdt 

“Na época, um conjunto de servidores do IOC foi responsável por incluir, no Livro Azul da 4ª Conferência de CT&I, recomendações e diretrizes que nortearam as políticas públicas da área ao longo da última década. Hoje, estamos dando continuidade às discussões – iniciadas na ‘Jornada Oswaldo Vive’ – em torno da 5ª Conferência, para que possamos manter o nosso protagonismo e ver, nas próximas políticas de CT&I, as proposições da comunidade científica do Instituto”, declarou Elmo, ressaltando que ciência se faz em conjunto. 

Vice-diretora adjunta, Luciana Garzoni complementou parafraseando a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos: “O papel estratégico da quinta conferência é reforçar o exercício da democracia junto à sociedade. Nós temos massa crítica de qualidade para emplacar boas proposições”, disse. 

Luciana ressaltou que o IOC tem massa crítica de qualidade para emplacar boas proposições. Foto: Ricardo Schimdt 

Além de Elmo e Luciana, estavam presentes à mesa a diretora Tania Araujo-Jorge, e a vice-diretora de Desenvolvimento Institucional e Gestão, Wania Santiago, ambas do IOC. 

“Temos poucos momentos para pensar de forma ‘macro’ a pesquisa e a inovação no Instituto. Apesar de ser a Unidade institucional com mais patentes, muitas ainda não chegaram ao ponto de gerar recursos para garantir a sustentabilidade do Instituto. No início do século XX, uma única vacina patenteada garantiu a sustentabilidade da Unidade por quase 50 anos. O VI Simpósio de Pesquisa e Inovação é a oportunidade perfeita para debater o tema no âmbito intra e extramuros”, disse Tania. 

Para Tania, o Simpósio é a oportunidade perfeita para debater o tema 'Pesquisa e Inovação’ intra e extramuros. Foto: Ricardo Schimdt 

Já Wania destacou que o evento é uma oportunidade também de debater a importância das áreas de gestão no fazer científico.  

“No Brasil, boa parte da produção científica é financiada por órgãos públicos. Nesse contexto, para que a pesquisa se realize, é preciso lidar com questões burocráticas e trâmites legais impostos pelo governo. Então, hoje vamos falar de políticas de CT&I, sem esquecer o papel da gestão da pesquisa dentro das instituições de ensino e pesquisa do país”, propôs.

Wania propôs discutir políticas de CT&I, sem esquecer o papel da gestão da pesquisa dentro das instituições de ensino e pesquisa do país. Foto: Ricardo Schimdt 

Financiamento no centro dos debates

O início dos debates do primeiro dia ficou por conta de palestra sobre o Eixo I, previsto para a Conferência Nacional com o tema 'Recuperação, Expansão e Consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação’. O assessor científico da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Antônio Carlos Campos de Carvalho, destacou algumas iniciativas da agência de fomento voltadas para o financiamento do sistema de CT&I. 

O convidado falou sobre a execução orçamentária da Fundação nos últimos cinco anos e pontuou alguns benefícios do investimento por meio da agência. 

“Entre 2018 e 2022, o Brasil ocupou a 13ª posição mundial na publicação de artigos científicos em periódicos indexados. Além disso, o país forma, anualmente, mais de 20 mil doutores e 60 mil mestres, mantem a excelência de suas universidades e atrai centros de pesquisa de grandes empresas”, exemplificou. 

Carvalho destacou algumas iniciativas da Faperj voltadas para o financiamento do sistema de CT&I. Foto: Ricardo Schimdt 

Em seguida, o assessor científico chamou atenção para os desafios iminentes da ciência brasileira. Aporte de recursos adequados e regulares para CT&I, desenvolvimento de políticas apropriadas para a transformação do conhecimento científico em inovação tecnológica e a recomposição da força de trabalho, com a contratação de profissionais formados nos programas de pós-graduação, foram alguns dos pontuados. 

Convidada como debatedora da mesa, Luciana Dias de Lima, vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), trouxe para o diálogo o olhar da saúde pública e da saúde coletiva na construção de políticas voltadas para CT&I.

A vice-diretora ENSP trouxe o olhar da saúde pública e da saúde coletiva para o diálogo. Foto: Ricardo Schimdt 

“Sobre as perspectivas para o avanço do sistema, precisamos buscar entender melhor o impacto das nossas pesquisas na sociedade, o compromisso das inovações com a sustentabilidade e equidade, e, por fim, promover um diálogo multidisciplinar sobre ciência junto a pares de outras áreas e investir em mecanismos de divulgação científica”, sinalizou. 

O papel dos programas e projetos estratégicos 

No período da tarde, a diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Dalila Andrade Oliveira, ministrou palestra referente ao terceiro eixo da Conferência Nacional, que contempla o tema 'Ciência, Tecnologia e Inovação para Programas e Projetos Estratégicos Nacionais’. 

Em cerca de 30 minutos, a também professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) falou sobre o novo modelo de distribuição de bolsas dos programas de pós-graduação e iniciação científica, e sobre as principais ações desenvolvidas pela pasta que coordena.   

“O histórico e o planejamento estratégico do CNPq até 2027 tem foco na obtenção de resultados como a ampliação do acesso da população à CT&I; o desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico em produtos e processos inovadores; e o aumento da relevância do Brasil no cenário de CT&I internacional, da multidisciplinariedade na pesquisa em redes e da qualificação científica de pessoal”, declarou. 

A representante do CNPq falou sobre o novo modelo de distribuição de bolsas dos programas de pós-graduação e iniciação científica durante a palestra. Foto: Ricardo Schimdt 

Dalila também apresentou a nova lista de projetos do CNPq que conta com iniciativas como o ‘Programa Atlânticas – Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência’, que visa promover ações conjuntas em favor das mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas na ciência.

“Lançado em julho com o apoio do Conselho, esse programa proporciona um aumento da oferta de bolsas de doutorado e pós-doutorado sanduíche no exterior. Isso estimula, no grupo destacado, a continuidade das formações e do vínculo com o desenvolvimento da ciência e da pesquisa”, completou. 

Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social

No segundo e último dia de programação do Simpósio, o tema foi abordado pelo professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Renato Peixoto Dagnino. 

“Provavelmente, fui convidado para falar sobre o Eixo IV da Conferência Nacional de CT&I, devido ao meu posicionamento contrário à ênfase colocada na reindustrialização empresarial e ne defesa da estratégia não-excludente da reindustrialização solidária”, comentou logo no início. 

Aproveitando o gancho, o professor dissertou sobre os impasses em torno da ideia de reindustrialização e sobre as recentes considerações do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) envolvendo a justiça social como fonte de estímulo à inovação. 

“O governo aposta no estímulo ao complexo da saúde, mas mantém a privatização da água, cuja má qualidade é vetor de doenças. Melhorar a vida dos mais pobres exigirá um modelo solidário, e não apenas ‘tropicalizar’ o modelo vigente na América do Norte”, salientou. 

Dagnino destacou, ainda, que a exemplo do que ocorre no mundo, CT&I deve ser o pilar central do desenvolvimento brasileiro. Segundo ele, essa abordagem está pautada no que se denomina ‘Síndrome dos modelos comportamentais da Política de Ciência e Tecnologia’, que opõe o linear ofertismo aos programas orientados por missão, sem considerar os atores, o contexto e os desafios colocados pela construção de um futuro decente no contexto científico. 

No final, Tania Araujo-Jorge e Luciana Garzoni, moderadoras do debate, proferiram considerações sobre a palestra do professor e leram algumas perguntas dos participantes, que acompanharam o evento pelo Canal do IOC no YouTube. 

O segundo dia foi integrado ao Centro de Estudos do Instituto Oswaldo Cruz. 

Simpósio de Pesquisa e Inovação reuniu autoridades de agências de fomento como parte da preparação do Instituto para a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
Por: 
kadu

Promover discussões preparatórias para a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, com vistas à larga participação institucional no debate em torno de políticas públicas sobre o tema no país, dentro do contexto de retomada democrática. Com esse objetivo, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realizou, nos dias 19 e 20 de outubro, a sexta edição do Simpósio de Pesquisa e Inovação. 

Durante a solenidade de abertura (19/10), realizada no auditório do Pavilhão Arthur Neiva, na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, os vice-diretores de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Instituto, Elmo Amaral e Luciana Garzoni, agradeceram a presença dos participantes e reiteraram a importância do evento na construção coletiva de recomendações e diretriz para a 5ª conferência de CT&I, que tem como tema ‘Ciência, Tecnologia e Inovação para um Brasil Justo, Sustentável e Desenvolvido’. A conferência, convocada por decreto presidencial, está prevista para junho de 2024. Com isso, será superado um hiato de 12 anos desde a última edição da conferência.

Elmo reiterou a importância do evento na construção coletiva de recomendações e diretriz para a 5ª conferência de CT&I. Foto: Ricardo Schimdt 

“Na época, um conjunto de servidores do IOC foi responsável por incluir, no Livro Azul da 4ª Conferência de CT&I, recomendações e diretrizes que nortearam as políticas públicas da área ao longo da última década. Hoje, estamos dando continuidade às discussões – iniciadas na ‘Jornada Oswaldo Vive’ – em torno da 5ª Conferência, para que possamos manter o nosso protagonismo e ver, nas próximas políticas de CT&I, as proposições da comunidade científica do Instituto”, declarou Elmo, ressaltando que ciência se faz em conjunto. 

Vice-diretora adjunta, Luciana Garzoni complementou parafraseando a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos: “O papel estratégico da quinta conferência é reforçar o exercício da democracia junto à sociedade. Nós temos massa crítica de qualidade para emplacar boas proposições”, disse. 

Luciana ressaltou que o IOC tem massa crítica de qualidade para emplacar boas proposições. Foto: Ricardo Schimdt 

Além de Elmo e Luciana, estavam presentes à mesa a diretora Tania Araujo-Jorge, e a vice-diretora de Desenvolvimento Institucional e Gestão, Wania Santiago, ambas do IOC. 

“Temos poucos momentos para pensar de forma ‘macro’ a pesquisa e a inovação no Instituto. Apesar de ser a Unidade institucional com mais patentes, muitas ainda não chegaram ao ponto de gerar recursos para garantir a sustentabilidade do Instituto. No início do século XX, uma única vacina patenteada garantiu a sustentabilidade da Unidade por quase 50 anos. O VI Simpósio de Pesquisa e Inovação é a oportunidade perfeita para debater o tema no âmbito intra e extramuros”, disse Tania. 

Para Tania, o Simpósio é a oportunidade perfeita para debater o tema 'Pesquisa e Inovação’ intra e extramuros. Foto: Ricardo Schimdt 

Já Wania destacou que o evento é uma oportunidade também de debater a importância das áreas de gestão no fazer científico.  

“No Brasil, boa parte da produção científica é financiada por órgãos públicos. Nesse contexto, para que a pesquisa se realize, é preciso lidar com questões burocráticas e trâmites legais impostos pelo governo. Então, hoje vamos falar de políticas de CT&I, sem esquecer o papel da gestão da pesquisa dentro das instituições de ensino e pesquisa do país”, propôs.

Wania propôs discutir políticas de CT&I, sem esquecer o papel da gestão da pesquisa dentro das instituições de ensino e pesquisa do país. Foto: Ricardo Schimdt 

Financiamento no centro dos debates

O início dos debates do primeiro dia ficou por conta de palestra sobre o Eixo I, previsto para a Conferência Nacional com o tema 'Recuperação, Expansão e Consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação’. O assessor científico da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Antônio Carlos Campos de Carvalho, destacou algumas iniciativas da agência de fomento voltadas para o financiamento do sistema de CT&I. 

O convidado falou sobre a execução orçamentária da Fundação nos últimos cinco anos e pontuou alguns benefícios do investimento por meio da agência. 

“Entre 2018 e 2022, o Brasil ocupou a 13ª posição mundial na publicação de artigos científicos em periódicos indexados. Além disso, o país forma, anualmente, mais de 20 mil doutores e 60 mil mestres, mantem a excelência de suas universidades e atrai centros de pesquisa de grandes empresas”, exemplificou. 

Carvalho destacou algumas iniciativas da Faperj voltadas para o financiamento do sistema de CT&I. Foto: Ricardo Schimdt 

Em seguida, o assessor científico chamou atenção para os desafios iminentes da ciência brasileira. Aporte de recursos adequados e regulares para CT&I, desenvolvimento de políticas apropriadas para a transformação do conhecimento científico em inovação tecnológica e a recomposição da força de trabalho, com a contratação de profissionais formados nos programas de pós-graduação, foram alguns dos pontuados. 

Convidada como debatedora da mesa, Luciana Dias de Lima, vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), trouxe para o diálogo o olhar da saúde pública e da saúde coletiva na construção de políticas voltadas para CT&I.

A vice-diretora ENSP trouxe o olhar da saúde pública e da saúde coletiva para o diálogo. Foto: Ricardo Schimdt 

“Sobre as perspectivas para o avanço do sistema, precisamos buscar entender melhor o impacto das nossas pesquisas na sociedade, o compromisso das inovações com a sustentabilidade e equidade, e, por fim, promover um diálogo multidisciplinar sobre ciência junto a pares de outras áreas e investir em mecanismos de divulgação científica”, sinalizou. 

O papel dos programas e projetos estratégicos 

No período da tarde, a diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Dalila Andrade Oliveira, ministrou palestra referente ao terceiro eixo da Conferência Nacional, que contempla o tema 'Ciência, Tecnologia e Inovação para Programas e Projetos Estratégicos Nacionais’. 

Em cerca de 30 minutos, a também professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) falou sobre o novo modelo de distribuição de bolsas dos programas de pós-graduação e iniciação científica, e sobre as principais ações desenvolvidas pela pasta que coordena.   

“O histórico e o planejamento estratégico do CNPq até 2027 tem foco na obtenção de resultados como a ampliação do acesso da população à CT&I; o desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico em produtos e processos inovadores; e o aumento da relevância do Brasil no cenário de CT&I internacional, da multidisciplinariedade na pesquisa em redes e da qualificação científica de pessoal”, declarou. 

A representante do CNPq falou sobre o novo modelo de distribuição de bolsas dos programas de pós-graduação e iniciação científica durante a palestra. Foto: Ricardo Schimdt 

Dalila também apresentou a nova lista de projetos do CNPq que conta com iniciativas como o ‘Programa Atlânticas – Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência’, que visa promover ações conjuntas em favor das mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas na ciência.

“Lançado em julho com o apoio do Conselho, esse programa proporciona um aumento da oferta de bolsas de doutorado e pós-doutorado sanduíche no exterior. Isso estimula, no grupo destacado, a continuidade das formações e do vínculo com o desenvolvimento da ciência e da pesquisa”, completou. 

Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social

No segundo e último dia de programação do Simpósio, o tema foi abordado pelo professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Renato Peixoto Dagnino. 

“Provavelmente, fui convidado para falar sobre o Eixo IV da Conferência Nacional de CT&I, devido ao meu posicionamento contrário à ênfase colocada na reindustrialização empresarial e ne defesa da estratégia não-excludente da reindustrialização solidária”, comentou logo no início. 

Aproveitando o gancho, o professor dissertou sobre os impasses em torno da ideia de reindustrialização e sobre as recentes considerações do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) envolvendo a justiça social como fonte de estímulo à inovação. 

“O governo aposta no estímulo ao complexo da saúde, mas mantém a privatização da água, cuja má qualidade é vetor de doenças. Melhorar a vida dos mais pobres exigirá um modelo solidário, e não apenas ‘tropicalizar’ o modelo vigente na América do Norte”, salientou. 

Dagnino destacou, ainda, que a exemplo do que ocorre no mundo, CT&I deve ser o pilar central do desenvolvimento brasileiro. Segundo ele, essa abordagem está pautada no que se denomina ‘Síndrome dos modelos comportamentais da Política de Ciência e Tecnologia’, que opõe o linear ofertismo aos programas orientados por missão, sem considerar os atores, o contexto e os desafios colocados pela construção de um futuro decente no contexto científico. 

No final, Tania Araujo-Jorge e Luciana Garzoni, moderadoras do debate, proferiram considerações sobre a palestra do professor e leram algumas perguntas dos participantes, que acompanharam o evento pelo Canal do IOC no YouTube. 

O segundo dia foi integrado ao Centro de Estudos do Instituto Oswaldo Cruz. 

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)