Portuguese English Spanish
Interface
Adjust the interface to make it easier to use for different conditions.
This renders the document in high contrast mode.
This renders the document as white on black
This can help those with trouble processing rapid screen movements.
This loads a font easier to read for people with dyslexia.
Busca Avançada
Você está aqui: Notícias » Na pauta da 10ª edição do Colegiado de Doutores, os desafios da publicação científica

Na pauta da 10ª edição do Colegiado de Doutores, os desafios da publicação científica

A mitigação do impacto de taxas cobradas por editoras internacionais foi um dos temas. Fórum contribui para o direcionamento de ações institucionais
Por Maíra Menezes02/04/2024 - Atualizado em 28/05/2024
 
 

Mais de uma centena de doutores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) participaram ativamente de discussões em torno dos desafios da publicação científica diante do alto preço cobrado por editoras internacionais para divulgação em acesso aberto. 

O debate foi realizado durante a 10ª edição do Colegiado de Doutores do IOC, realizado nos dias 22, 25 e 26 de março.   

Colegiado de Doutores se reuniu durante três dias para discutir publicação científica. Foto: Gutemberg Brito

Reforçando o processo de gestão participativa, o evento é uma das diversas instâncias de escuta e participação da comunidade do Instituto que contribuem para direcionar ações institucionais.

Sob o mote ‘Publicação científica internacional: sustentabilidade, acesso aberto, qualidade e avaliação da CAPES’, a edição promoveu debates abertos ao público, com a presença de representantes de agências de fomento e da comunidade científica, além de atividades fechadas, com grupos de discussão e sessão plenária. 

O pagamento da taxa de processamento de artigos (conhecida pelo termo em inglês Article Processing Charge, APC) foi o foco central das discussões. O valor é cobrado por editoras científicas para publicar artigos em acesso aberto, que podem ser lidos gratuitamente.  

A taxa varia entre as editoras, mas pode passar de R$ 10 mil por artigo nos periódicos internacionais mais valorizados na classificação das agências de fomento.  

Segundo levantamento da Diretoria do IOC, apenas em 2023, o Instituto pagou cerca de R$ 2,5 milhões de reais em taxas de processamento para publicação de 215 artigos científicos. 

Sessão plenária discutiu e aprovou o documento final do evento. Foto: Gutemberg Brito

Ao final do evento, foi gerado documento com considerações sobre o tema, dentre elas, o entendimento de que as cobranças são abusivas, mas que é importante que a instituição mantenha o custeio deste tipo de publicação científica. 

Ao justificar o posicionamento, os participantes do fórum afirmaram: “Continuar pagando APC é imprescindível para a manutenção e a melhoria da avaliação dos programas de pós-graduação e dos doutores do IOC pelas agências de fomento, além de contribuir para que os laboratórios alcancem as metas do Instituto e da Fiocruz”.  

O texto apresenta sugestões de curto e médio prazo para mitigar os impactos negativos do pagamento das taxas. As propostas abordam desde estratégias para negociação de valores e busca de recursos até estabelecimento de diálogo com agências de fomento para mudança nos critérios de avaliação da pesquisa e dos currículos dos cientistas.  

Também são sugeridas ações para valorização de revistas e plataformas de publicação brasileiras de caráter internacional, como o periódico Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, publicado pelo IOC desde 1909. 

Debates em grupo e com agências de fomento 

Para alcançar as maiores pontuações, que dão acesso a bolsas e recursos para custeio de projetos, não basta apenas publicar artigos. É preciso que eles sejam divulgados em revistas científicas consideradas de excelência internacional, segundo a classificação chamada de Qualis Periódicos, elaborada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 

No entanto, em muitos desses periódicos são observadas cobranças de altas taxas. 

Os impactos desse modelo de publicação científica e as alternativas possíveis foram discutidos nos grupos de trabalho e na sessão plenária do Colegiado de Doutores, no dia 25 de março. 

Ao abrir mesa-redonda, diretora do IOC ressaltou importância dos debates no Colegiado de Doutores para traçar caminhos para o ensino e a pesquisa no Instituto. Foto: Ricardo Schmidt  

Já no dia 26 de março, o tema foi debatido em mesa-redonda com representantes da diretoria do IOC, da presidência da Fiocruz, da Capes, do Conselho para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). 

A diretora do IOC, Tania Cremonini de Araujo-Jorge, mediou a discussão.  

"Temos um impasse: como adotar a política de ciência aberta da Fiocruz e arcar com a publicação acadêmica em periódicos de alto nível? O IOC tem a missão de ser referência internacional nas suas áreas de atuação e tem um volume de produção científica muito grande. A decisão sobre o pagamento dessas taxas precisa considerar também as avaliações da Capes, CNPq e Faperj”, disse Tania ao abrir a sessão. 

A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado, elogiou a escolha do tema e chamou atenção para o conflito entre os esforços para democratização do conhecimento através da ciência aberta e das ações de inclusão e o reforço de iniquidades devido à cobrança feita pelas editoras. 

“Queria defender fortemente o caminho de valorização das revistas científicas e plataformas nacionais de acesso aberto. O pagamento de taxas de processamento seria legítimo para cobrir despesas, mas isso que está sendo cobrado é para dar lucro", argumentou Cristiani. 

A diretora de Análise de Resultados e Soluções Digitais do CNPq, Débora Menezes, lembrou que a entidade mantém um programa editorial para fomento de periódicos brasileiros e sugeriu o fortalecimento da plataforma Scielo, que atualmente é mantida com investimentos anuais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp, com aporte de R$ 15 milhões), Capes (com R$ 5 milhões) e CNPq (com R$ 500 mil). 

“O Scielo poderia servir de guarda-chuva para as revistas das sociedades científicas brasileiras. Mas precisaria haver maior presença de publicações das ciências exatas e biológicas”, ponderou Débora. 

Diretor de avaliação da Capes chamou atenção para o papel das coordenações de área na definição dos critérios de avaliação dos programas de pós-graduação. Foto: Ricardo Schmidt

Segundo o diretor de avaliação da Capes, Paulo Jorge Parreira dos Santos, a avaliação de desempenho dos programas de pós-graduação tem passado por mudanças. Porém, esse processo depende das coordenações das áreas e sofre impacto de um termo de autocomposição firmado com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). 

“A ficha de avaliação mudou bastante de 2017 para 2021, dando mais ênfase ao impacto na sociedade, reduzindo o peso do Qualis. Isso foi mais intenso em algumas áreas. O processo evoluiu no caminho de se tornar mais qualitativo, mas congela agora por causa do acordo com o MPRJ, que impede alterações na ficha de avaliação para 2025”, disse Paulo. 

O assessor da presidência da Faperj, Vitor Francisco Ferreira, apoiou a estratégia de fortalecimento das revistas brasileiras. Ele também disse aos pesquisadores que os recursos de fomento da agência podem ser usados para pagamento de publicações.  

“Não há restrição para usar recursos dos projetos financiados pela Faperj e das bolsas dos programas Cientista do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado para pagamento de APC”, informou. 

A coordenadora-geral do Portal de Periódicos da Capes, Andréa Carvalho Vieira, informou que recentemente a Capes firmou o primeiro acordo transformativo com uma editora internacional, contemplando tanto a leitura de textos restritos para assinantes quanto a publicação de trabalhos em acesso aberto sem taxa para pesquisadores de instituições científicas brasileiras. 

“Sempre perguntam se devemos assinar acordos transformativos. Vários países estão assinando e talvez seja o caminho para fazer essa transição para o acesso aberto. Estamos fazendo a escuta ativa da comunidade científica para tentar acolher padrões de publicação das diferentes áreas”, afirmou Andréa. 

Iniciativas do IOC e da Fiocruz

Na parte da tarde, o evento recebeu a coordenadora de Informação e Comunicação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Vanessa de Arruda Jorge, e o editor-chefe da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Adeilton Brandão. 

Vanessa Jorge abordou ações da Fiocruz para implementar política de acesso aberto. Foto: Ricardo Schmidt

Abordando o Plano Ciência Aberta na Fiocruz, Vanessa citou algumas recomendações do Grupo de Trabalho sobre Acesso Aberto da Fundação. Entre elas, a divulgação de uma lista de revistas científicas que publicam artigos sem cobrança de APC com indicação da classificação no Qualis Periódicos e consulta ao ‘DOAJ: Directory of Open Access Journals’ para obtenção de informações sobre diversos periódicos de acesso aberto disponíveis antes da submissão de um artigo. 

Ela informou ainda que uma minuta de termo de referência sobre o pagamento de taxas de processamento de artigos foi elaborada pelo grupo e deve ser disponibilizada para consulta pública e debate com a comunidade da Fiocruz em breve.  

Já Adeilton Brandão abordou o cenário para a implementação de uma plataforma de publicação científica do IOC.    

O editor-chefe da revista Memórias destacou as inciativas do Portal de Periódicos da Capes e da plataforma Scielo como importantes políticas do Estado brasileiro para a comunicação científica. 

Adeilton Brandão chamou atenção para transformações do campo da publicação científica nos últimos anos. Foto: Ricardo Schmidt 

“Uma plataforma de publicação científica nacional, no modelo de ciência aberta, deve ser parte da estratégia nacional de ciência e tecnologia. Claro que isso terá um custo que deverá ser assumido, por exemplo, pelas agências de fomento”, avaliou Adeilton, considerando que o Scielo é, atualmente, o melhor ponto de partida para essa construção.  

Abertura do evento 

A abertura do Colegiado de Doutores, no dia 22 de março, contou com palestra da presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, que enfatizou a necessidade de expandir a formação de doutores no país e abordou estratégias da agência para publicação científica. 

A sessão foi integrada ao Centro de Estudos do IOC e transmitida na íntegra pelo canal do IOC no Youtube. Confira abaixo. 

A mitigação do impacto de taxas cobradas por editoras internacionais foi um dos temas. Fórum contribui para o direcionamento de ações institucionais
Por: 
maira
 
 

Mais de uma centena de doutores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) participaram ativamente de discussões em torno dos desafios da publicação científica diante do alto preço cobrado por editoras internacionais para divulgação em acesso aberto. 

O debate foi realizado durante a 10ª edição do Colegiado de Doutores do IOC, realizado nos dias 22, 25 e 26 de março.   

Colegiado de Doutores se reuniu durante três dias para discutir publicação científica. Foto: Gutemberg Brito

Reforçando o processo de gestão participativa, o evento é uma das diversas instâncias de escuta e participação da comunidade do Instituto que contribuem para direcionar ações institucionais.

Sob o mote ‘Publicação científica internacional: sustentabilidade, acesso aberto, qualidade e avaliação da CAPES’, a edição promoveu debates abertos ao público, com a presença de representantes de agências de fomento e da comunidade científica, além de atividades fechadas, com grupos de discussão e sessão plenária. 

O pagamento da taxa de processamento de artigos (conhecida pelo termo em inglês Article Processing Charge, APC) foi o foco central das discussões. O valor é cobrado por editoras científicas para publicar artigos em acesso aberto, que podem ser lidos gratuitamente.  

A taxa varia entre as editoras, mas pode passar de R$ 10 mil por artigo nos periódicos internacionais mais valorizados na classificação das agências de fomento.  

Segundo levantamento da Diretoria do IOC, apenas em 2023, o Instituto pagou cerca de R$ 2,5 milhões de reais em taxas de processamento para publicação de 215 artigos científicos. 

Sessão plenária discutiu e aprovou o documento final do evento. Foto: Gutemberg Brito

Ao final do evento, foi gerado documento com considerações sobre o tema, dentre elas, o entendimento de que as cobranças são abusivas, mas que é importante que a instituição mantenha o custeio deste tipo de publicação científica. 

Ao justificar o posicionamento, os participantes do fórum afirmaram: “Continuar pagando APC é imprescindível para a manutenção e a melhoria da avaliação dos programas de pós-graduação e dos doutores do IOC pelas agências de fomento, além de contribuir para que os laboratórios alcancem as metas do Instituto e da Fiocruz”.  

O texto apresenta sugestões de curto e médio prazo para mitigar os impactos negativos do pagamento das taxas. As propostas abordam desde estratégias para negociação de valores e busca de recursos até estabelecimento de diálogo com agências de fomento para mudança nos critérios de avaliação da pesquisa e dos currículos dos cientistas.  

Também são sugeridas ações para valorização de revistas e plataformas de publicação brasileiras de caráter internacional, como o periódico Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, publicado pelo IOC desde 1909. 

Debates em grupo e com agências de fomento 

Para alcançar as maiores pontuações, que dão acesso a bolsas e recursos para custeio de projetos, não basta apenas publicar artigos. É preciso que eles sejam divulgados em revistas científicas consideradas de excelência internacional, segundo a classificação chamada de Qualis Periódicos, elaborada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 

No entanto, em muitos desses periódicos são observadas cobranças de altas taxas. 

Os impactos desse modelo de publicação científica e as alternativas possíveis foram discutidos nos grupos de trabalho e na sessão plenária do Colegiado de Doutores, no dia 25 de março. 

Ao abrir mesa-redonda, diretora do IOC ressaltou importância dos debates no Colegiado de Doutores para traçar caminhos para o ensino e a pesquisa no Instituto. Foto: Ricardo Schmidt  

Já no dia 26 de março, o tema foi debatido em mesa-redonda com representantes da diretoria do IOC, da presidência da Fiocruz, da Capes, do Conselho para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). 

A diretora do IOC, Tania Cremonini de Araujo-Jorge, mediou a discussão.  

"Temos um impasse: como adotar a política de ciência aberta da Fiocruz e arcar com a publicação acadêmica em periódicos de alto nível? O IOC tem a missão de ser referência internacional nas suas áreas de atuação e tem um volume de produção científica muito grande. A decisão sobre o pagamento dessas taxas precisa considerar também as avaliações da Capes, CNPq e Faperj”, disse Tania ao abrir a sessão. 

A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado, elogiou a escolha do tema e chamou atenção para o conflito entre os esforços para democratização do conhecimento através da ciência aberta e das ações de inclusão e o reforço de iniquidades devido à cobrança feita pelas editoras. 

“Queria defender fortemente o caminho de valorização das revistas científicas e plataformas nacionais de acesso aberto. O pagamento de taxas de processamento seria legítimo para cobrir despesas, mas isso que está sendo cobrado é para dar lucro", argumentou Cristiani. 

A diretora de Análise de Resultados e Soluções Digitais do CNPq, Débora Menezes, lembrou que a entidade mantém um programa editorial para fomento de periódicos brasileiros e sugeriu o fortalecimento da plataforma Scielo, que atualmente é mantida com investimentos anuais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp, com aporte de R$ 15 milhões), Capes (com R$ 5 milhões) e CNPq (com R$ 500 mil). 

“O Scielo poderia servir de guarda-chuva para as revistas das sociedades científicas brasileiras. Mas precisaria haver maior presença de publicações das ciências exatas e biológicas”, ponderou Débora. 

Diretor de avaliação da Capes chamou atenção para o papel das coordenações de área na definição dos critérios de avaliação dos programas de pós-graduação. Foto: Ricardo Schmidt

Segundo o diretor de avaliação da Capes, Paulo Jorge Parreira dos Santos, a avaliação de desempenho dos programas de pós-graduação tem passado por mudanças. Porém, esse processo depende das coordenações das áreas e sofre impacto de um termo de autocomposição firmado com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). 

“A ficha de avaliação mudou bastante de 2017 para 2021, dando mais ênfase ao impacto na sociedade, reduzindo o peso do Qualis. Isso foi mais intenso em algumas áreas. O processo evoluiu no caminho de se tornar mais qualitativo, mas congela agora por causa do acordo com o MPRJ, que impede alterações na ficha de avaliação para 2025”, disse Paulo. 

O assessor da presidência da Faperj, Vitor Francisco Ferreira, apoiou a estratégia de fortalecimento das revistas brasileiras. Ele também disse aos pesquisadores que os recursos de fomento da agência podem ser usados para pagamento de publicações.  

“Não há restrição para usar recursos dos projetos financiados pela Faperj e das bolsas dos programas Cientista do Nosso Estado e Jovem Cientista do Nosso Estado para pagamento de APC”, informou. 

A coordenadora-geral do Portal de Periódicos da Capes, Andréa Carvalho Vieira, informou que recentemente a Capes firmou o primeiro acordo transformativo com uma editora internacional, contemplando tanto a leitura de textos restritos para assinantes quanto a publicação de trabalhos em acesso aberto sem taxa para pesquisadores de instituições científicas brasileiras. 

“Sempre perguntam se devemos assinar acordos transformativos. Vários países estão assinando e talvez seja o caminho para fazer essa transição para o acesso aberto. Estamos fazendo a escuta ativa da comunidade científica para tentar acolher padrões de publicação das diferentes áreas”, afirmou Andréa. 

Iniciativas do IOC e da Fiocruz

Na parte da tarde, o evento recebeu a coordenadora de Informação e Comunicação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Vanessa de Arruda Jorge, e o editor-chefe da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Adeilton Brandão. 

Vanessa Jorge abordou ações da Fiocruz para implementar política de acesso aberto. Foto: Ricardo Schmidt

Abordando o Plano Ciência Aberta na Fiocruz, Vanessa citou algumas recomendações do Grupo de Trabalho sobre Acesso Aberto da Fundação. Entre elas, a divulgação de uma lista de revistas científicas que publicam artigos sem cobrança de APC com indicação da classificação no Qualis Periódicos e consulta ao ‘DOAJ: Directory of Open Access Journals’ para obtenção de informações sobre diversos periódicos de acesso aberto disponíveis antes da submissão de um artigo. 

Ela informou ainda que uma minuta de termo de referência sobre o pagamento de taxas de processamento de artigos foi elaborada pelo grupo e deve ser disponibilizada para consulta pública e debate com a comunidade da Fiocruz em breve.  

Já Adeilton Brandão abordou o cenário para a implementação de uma plataforma de publicação científica do IOC.    

O editor-chefe da revista Memórias destacou as inciativas do Portal de Periódicos da Capes e da plataforma Scielo como importantes políticas do Estado brasileiro para a comunicação científica. 

Adeilton Brandão chamou atenção para transformações do campo da publicação científica nos últimos anos. Foto: Ricardo Schmidt 

“Uma plataforma de publicação científica nacional, no modelo de ciência aberta, deve ser parte da estratégia nacional de ciência e tecnologia. Claro que isso terá um custo que deverá ser assumido, por exemplo, pelas agências de fomento”, avaliou Adeilton, considerando que o Scielo é, atualmente, o melhor ponto de partida para essa construção.  

Abertura do evento 

A abertura do Colegiado de Doutores, no dia 22 de março, contou com palestra da presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, que enfatizou a necessidade de expandir a formação de doutores no país e abordou estratégias da agência para publicação científica. 

A sessão foi integrada ao Centro de Estudos do IOC e transmitida na íntegra pelo canal do IOC no Youtube. Confira abaixo. 

Edição: 
Vinicius Ferreira

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)