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Descobertas duas novas espécies de ‘pequenas moscas’

Um dos achados, batizado de 'Laurenceomyia peixotoi', homenageia Alexandre Peixoto, pesquisador do IOC falecido precocemente em 2013, pelas suas contribuições nos estudos com psicodídeos
Por Max Gomes09/06/2021 - Atualizado em 28/06/2022

Encontrar e batizar uma nova espécie durante um trabalho de campo é uma realização sem igual para qualquer cientista. Imagina, então, encontrar duas! Foi o que aconteceu com o trio de especialistas formado por Reginaldo Peçanha Brazil, do Laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz); Israel de Souza Pinto, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA); e Claudiney Biral dos Santos, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Os cientistas aproveitaram a oportunidade singular para demonstrar sua admiração e respeito por aqueles que inspiraram suas trajetórias científicas. Os insetos, duas novas espécies de uma família de pequenas moscas, conhecidas como psicodídeos, receberam os nomes de Laurenceomyia peixotoi, em memória a Alexandre Peixoto, pesquisador do IOC falecido precocemente em 2013, e Boreofairchildia alexanderi, em homenagem ao cientista escocês Bruce Alexander. Os achados foram descritos em recente artigo publicado na revista Zootaxa.

Reginaldo Brazil conta que o principal objetivo do grupo era encontrar flebotomíneos. Conhecidos como mosquito-palha, estes insetos possuem grande importância médica por serem vetores da leishmaniose visceral.

“Diversos insetos que ocupam o mesmo habitat acabam sendo capturados durante nossas buscas por flebotomínios. As duas novas espécies, especificamente, chamaram nossa atenção. Analisamos cuidadosamente os espécimes, comparamos com outros já descritos na literatura científica e percebemos que estávamos diante de dois seres ainda não catalogados”, revelou.

Descrição do espécime tipo de Laurenceomyia peixotoi

Embora não sejam vetores de doenças, a Laurenceomyia peixotoi, encontrada no Acre, e a Boreofairchildia alexanderi, localizada no Espírito Santo, possuem, como todo ser vivo, valor biológico. “Cada achado é importante para preservar a memória da biodiversidade do nosso país. Elas podem, no momento, não possuir importância médica, mas fazem parte da fauna brasileira e possuem seu papel nas regiões em que prevalecem. A descrição delas é significativa, pois, se um dia essas espécies vierem a desaparecer, haverá, para sempre, o registro de suas existências”, reforçou o pesquisador.

A escolha dos nomes para as novas espécies foi consenso entre os especialistas, que compartilham da admiração pelas carreiras dos cientistas homenageados. “Alexandre era chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do IOC e bastante querido por quem teve a oportunidade de estar com ele. Uma referência em genética de insetos e autoridade em psicodídeos. Todos nós ficamos muito sentidos com o seu falecimento em 2013, principalmente os alunos, com quem ele mantinha um contato muito estreito”, compartilhou Reginaldo.

O pesquisador destaca que o último autor do artigo, Israel de Souza Pinto, foi orientando de Peixoto durante o doutorado. “Ele ainda possui um grande interesse em homenagear o Alexandre batizando uma nova espécie de flebotomíneo, devido aos trabalhos que desenvolveram juntos sobre esses mosquitos. Como ainda não foi possível encontrar esse espécime desconhecido, algo bastante difícil, a homenagem foi realizada com o atual achado de Laurenceomyia”, explicou.

Descrição do espécime tipo de Boreofairchildia alexanderi

A lembrança feita ao cientista escocês Bruce Alexander através do batismo da espécie Boreofairchildia alexanderi também se deu pelas contribuições do pesquisador nos estudos da família Psychodidae. Bruce, falecido em 2016, realizou diversas colaborações com os autores do artigo e, também, com outros pesquisadores da Fiocruz. Os dois espécimes tipos estão depositados na Coleção Entomológica do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP).

Um dos achados, batizado de 'Laurenceomyia peixotoi', homenageia Alexandre Peixoto, pesquisador do IOC falecido precocemente em 2013, pelas suas contribuições nos estudos com psicodídeos
Por: 
max.gomes

Encontrar e batizar uma nova espécie durante um trabalho de campo é uma realização sem igual para qualquer cientista. Imagina, então, encontrar duas! Foi o que aconteceu com o trio de especialistas formado por Reginaldo Peçanha Brazil, do Laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz); Israel de Souza Pinto, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA); e Claudiney Biral dos Santos, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Os cientistas aproveitaram a oportunidade singular para demonstrar sua admiração e respeito por aqueles que inspiraram suas trajetórias científicas. Os insetos, duas novas espécies de uma família de pequenas moscas, conhecidas como psicodídeos, receberam os nomes de Laurenceomyia peixotoi, em memória a Alexandre Peixoto, pesquisador do IOC falecido precocemente em 2013, e Boreofairchildia alexanderi, em homenagem ao cientista escocês Bruce Alexander. Os achados foram descritos em recente artigo publicado na revista Zootaxa.

Reginaldo Brazil conta que o principal objetivo do grupo era encontrar flebotomíneos. Conhecidos como mosquito-palha, estes insetos possuem grande importância médica por serem vetores da leishmaniose visceral.

“Diversos insetos que ocupam o mesmo habitat acabam sendo capturados durante nossas buscas por flebotomínios. As duas novas espécies, especificamente, chamaram nossa atenção. Analisamos cuidadosamente os espécimes, comparamos com outros já descritos na literatura científica e percebemos que estávamos diante de dois seres ainda não catalogados”, revelou.

Descrição do espécime tipo de Laurenceomyia peixotoi

Embora não sejam vetores de doenças, a Laurenceomyia peixotoi, encontrada no Acre, e a Boreofairchildia alexanderi, localizada no Espírito Santo, possuem, como todo ser vivo, valor biológico. “Cada achado é importante para preservar a memória da biodiversidade do nosso país. Elas podem, no momento, não possuir importância médica, mas fazem parte da fauna brasileira e possuem seu papel nas regiões em que prevalecem. A descrição delas é significativa, pois, se um dia essas espécies vierem a desaparecer, haverá, para sempre, o registro de suas existências”, reforçou o pesquisador.

A escolha dos nomes para as novas espécies foi consenso entre os especialistas, que compartilham da admiração pelas carreiras dos cientistas homenageados. “Alexandre era chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do IOC e bastante querido por quem teve a oportunidade de estar com ele. Uma referência em genética de insetos e autoridade em psicodídeos. Todos nós ficamos muito sentidos com o seu falecimento em 2013, principalmente os alunos, com quem ele mantinha um contato muito estreito”, compartilhou Reginaldo.

O pesquisador destaca que o último autor do artigo, Israel de Souza Pinto, foi orientando de Peixoto durante o doutorado. “Ele ainda possui um grande interesse em homenagear o Alexandre batizando uma nova espécie de flebotomíneo, devido aos trabalhos que desenvolveram juntos sobre esses mosquitos. Como ainda não foi possível encontrar esse espécime desconhecido, algo bastante difícil, a homenagem foi realizada com o atual achado de Laurenceomyia”, explicou.

Descrição do espécime tipo de Boreofairchildia alexanderi

A lembrança feita ao cientista escocês Bruce Alexander através do batismo da espécie Boreofairchildia alexanderi também se deu pelas contribuições do pesquisador nos estudos da família Psychodidae. Bruce, falecido em 2016, realizou diversas colaborações com os autores do artigo e, também, com outros pesquisadores da Fiocruz. Os dois espécimes tipos estão depositados na Coleção Entomológica do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP).

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)