
Mais de 56% da população brasileira se reconhece como negra, segundo o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, são minoria em cargos de gestão e alto escalão.
Na última sexta-feira (14/11), no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), quatro profissionais negros dividiram o púlpito do principal auditório institucional, o Emmanuel Dias, no campus da Fiocruz em Manguinhos (RJ), para conversar sobre ciência, comunicação, esporte e, sobretudo, sobre a força de existir e resistir em um país diverso, mas ainda marcado por desigualdades profundas.
O encontro ‘Vida e obra de personalidades negras que inspiram’ reuniu a pesquisadora do IOC e coordenadora da Fiocruz Piauí, Jacenir Mallet; a jornalista da Inter TV, Priscila Torquato; e o ex-atleta e medalhista olímpico, Robson Caetano. A conversa foi conduzida pelo jornalista e assessor de imprensa do IOC, Vinicius Ferreira.
A atividade foi realizada em colaboração com a Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa/Fiocruz) e integrou a programação do Centro de Estudos e as ações comemorativas pelos 125 anos do Instituto Oswaldo Cruz.

Na abertura, a agente educacional em equidade e diversidade da Cedipa, Maurília Azevedo, foi convidada a representar a coordenação e reforçou que a luta contra o racismo exige perseverança diária e ações coletivas permanentes.
“Esse evento nos convida a refletir e também a agir, reafirmando as políticas afirmativas, ampliando espaços de ocupação das pessoas negras e combatendo o racismo diariamente”, apontou.
Antes que as histórias de Jacenir, Robson e Priscila tomassem o palco, o auditório foi convidado a refletir sobre a realidade institucional.
Foram apresentados dois conjuntos de dados sobre o quantitativo de funcionários do IOC.

O primeiro gráfico, referente à diversidade de gênero, trouxe um panorama positivo: entre os profissionais do IOC, 483 são do gênero feminino e 367, do masculino — um indicador equilibrado de participação.
Em seguida, o gráfico sobre cor/raça revelou um cenário distinto: somando servidores e terceirizados, 541 pessoas se declaram brancas, enquanto 79 se autodeclaram pretas e 226, pardas. Para os convidados, a diferença numérica evidencia desafios estruturais que atravessam a sociedade brasileira e que também se manifestam nas instituições de ciência e tecnologia.
Superando as adversidades e partindo para as histórias inspiradoras, o debate destacou como a presença de profissionais negros em espaços de visibilidade transforma percepções, amplia horizontes e fortalece a construção de referências positivas para as novas gerações.

Priscila — jornalista multimídia da Inter TV (afiliada da Rede Globo) e responsável por reportagens que alcançam diariamente mais de 5 milhões de telespectadores - relatou que sua atuação na televisão já inspirou crianças que se reconhecem nela. Contou que constantemente é abordada por meninas negras que se emocionam ao vê-la na TV e fazem questão de elogiar seu cabelo.
“Quando uma menina preta me diz que meu cabelo é bonito, eu sei que não é só sobre cabelo. É sobre a possibilidade de existir espaço para pessoas negras na TV”, afirmou.

Robson — medalhista olímpico, ícone do atletismo brasileiro e embaixador de projetos sociais — reforçou que representatividade precisa caminhar junto a oportunidades reais, especialmente para crianças e jovens que enfrentam barreiras profundas desde muito cedo.
Ele contou que, ao longo de sua vida, o esporte funcionou como uma ponte, permitindo atravessar fronteiras sociais que pareciam intransponíveis para um menino negro, pobre e morador de favela.
Para ele, contudo, o esporte abre caminhos, amplia horizontes e pode transformar destinos, mas é a educação que garante permanência, autonomia e futuro.
“A possibilidade real é a educação. O esporte é a ponte, é o que ajuda a atravessar”, resumiu.

Jacenir — pesquisadora referência em parasitologia e entomologia, com mais de quatro décadas de dedicação ao IOC e atual coordenadora da Fiocruz Piauí — completou lembrando que, no ambiente científico, políticas de acesso e permanência são fundamentais para romper desigualdades históricas.
Segundo ela, muitos estudantes só conseguem avançar na formação quando encontram apoio institucional, acolhimento e referências que comprovam que a universidade também é um espaço possível para a juventude negra.
“É a partir da educação e do compromisso com a equidade que construímos trajetórias mais diversas e futuras lideranças científicas”, finalizou.
Quer conferir mais detalhes sobre a vida e obra de cada convidado? Confira abaixo a transmissão do evento:

Mais de 56% da população brasileira se reconhece como negra, segundo o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, são minoria em cargos de gestão e alto escalão.
Na última sexta-feira (14/11), no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), quatro profissionais negros dividiram o púlpito do principal auditório institucional, o Emmanuel Dias, no campus da Fiocruz em Manguinhos (RJ), para conversar sobre ciência, comunicação, esporte e, sobretudo, sobre a força de existir e resistir em um país diverso, mas ainda marcado por desigualdades profundas.
O encontro ‘Vida e obra de personalidades negras que inspiram’ reuniu a pesquisadora do IOC e coordenadora da Fiocruz Piauí, Jacenir Mallet; a jornalista da Inter TV, Priscila Torquato; e o ex-atleta e medalhista olímpico, Robson Caetano. A conversa foi conduzida pelo jornalista e assessor de imprensa do IOC, Vinicius Ferreira.
A atividade foi realizada em colaboração com a Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa/Fiocruz) e integrou a programação do Centro de Estudos e as ações comemorativas pelos 125 anos do Instituto Oswaldo Cruz.

Na abertura, a agente educacional em equidade e diversidade da Cedipa, Maurília Azevedo, foi convidada a representar a coordenação e reforçou que a luta contra o racismo exige perseverança diária e ações coletivas permanentes.
“Esse evento nos convida a refletir e também a agir, reafirmando as políticas afirmativas, ampliando espaços de ocupação das pessoas negras e combatendo o racismo diariamente”, apontou.
Antes que as histórias de Jacenir, Robson e Priscila tomassem o palco, o auditório foi convidado a refletir sobre a realidade institucional.
Foram apresentados dois conjuntos de dados sobre o quantitativo de funcionários do IOC.

O primeiro gráfico, referente à diversidade de gênero, trouxe um panorama positivo: entre os profissionais do IOC, 483 são do gênero feminino e 367, do masculino — um indicador equilibrado de participação.
Em seguida, o gráfico sobre cor/raça revelou um cenário distinto: somando servidores e terceirizados, 541 pessoas se declaram brancas, enquanto 79 se autodeclaram pretas e 226, pardas. Para os convidados, a diferença numérica evidencia desafios estruturais que atravessam a sociedade brasileira e que também se manifestam nas instituições de ciência e tecnologia.
Superando as adversidades e partindo para as histórias inspiradoras, o debate destacou como a presença de profissionais negros em espaços de visibilidade transforma percepções, amplia horizontes e fortalece a construção de referências positivas para as novas gerações.

Priscila — jornalista multimídia da Inter TV (afiliada da Rede Globo) e responsável por reportagens que alcançam diariamente mais de 5 milhões de telespectadores - relatou que sua atuação na televisão já inspirou crianças que se reconhecem nela. Contou que constantemente é abordada por meninas negras que se emocionam ao vê-la na TV e fazem questão de elogiar seu cabelo.
“Quando uma menina preta me diz que meu cabelo é bonito, eu sei que não é só sobre cabelo. É sobre a possibilidade de existir espaço para pessoas negras na TV”, afirmou.

Robson — medalhista olímpico, ícone do atletismo brasileiro e embaixador de projetos sociais — reforçou que representatividade precisa caminhar junto a oportunidades reais, especialmente para crianças e jovens que enfrentam barreiras profundas desde muito cedo.
Ele contou que, ao longo de sua vida, o esporte funcionou como uma ponte, permitindo atravessar fronteiras sociais que pareciam intransponíveis para um menino negro, pobre e morador de favela.
Para ele, contudo, o esporte abre caminhos, amplia horizontes e pode transformar destinos, mas é a educação que garante permanência, autonomia e futuro.
“A possibilidade real é a educação. O esporte é a ponte, é o que ajuda a atravessar”, resumiu.

Jacenir — pesquisadora referência em parasitologia e entomologia, com mais de quatro décadas de dedicação ao IOC e atual coordenadora da Fiocruz Piauí — completou lembrando que, no ambiente científico, políticas de acesso e permanência são fundamentais para romper desigualdades históricas.
Segundo ela, muitos estudantes só conseguem avançar na formação quando encontram apoio institucional, acolhimento e referências que comprovam que a universidade também é um espaço possível para a juventude negra.
“É a partir da educação e do compromisso com a equidade que construímos trajetórias mais diversas e futuras lideranças científicas”, finalizou.
Quer conferir mais detalhes sobre a vida e obra de cada convidado? Confira abaixo a transmissão do evento:
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