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Histórias que inspiram: personalidades negras protagonizam debate sobre ciência, comunicação e equidade

Centro de Estudos aborda representatividade, racismo estrutural e desafios da educação
Por Yuri Neri19/11/2025 - Atualizado em 04/12/2025

Robson Caetano, Priscila Torquato, Jacenir Mallet e Vinícius Ferreira, da esquerda para a direita. Foto: Rudson Amorim

Mais de 56% da população brasileira se reconhece como negra, segundo o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, são minoria em cargos de gestão e alto escalão. 

Na última sexta-feira (14/11), no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), quatro profissionais negros dividiram o púlpito do principal auditório institucional, o Emmanuel Dias, no campus da Fiocruz em Manguinhos (RJ), para conversar sobre ciência, comunicação, esporte e, sobretudo, sobre a força de existir e resistir em um país diverso, mas ainda marcado por desigualdades profundas. 

O encontro ‘Vida e obra de personalidades negras que inspiram’ reuniu a pesquisadora do IOC e coordenadora da Fiocruz Piauí, Jacenir Mallet; a jornalista da Inter TV, Priscila Torquato; e o ex-atleta e medalhista olímpico, Robson Caetano. A conversa foi conduzida pelo jornalista e assessor de imprensa do IOC, Vinicius Ferreira.  

A atividade foi realizada em colaboração com a Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa/Fiocruz) e integrou a programação do Centro de Estudos e as ações comemorativas pelos 125 anos do Instituto Oswaldo Cruz.


Auditório cheio para prestigiar o encontro ‘Vida e obra de personalidades negras que inspiram’, Foto: Rudson Amorim

Na abertura, a agente educacional em equidade e diversidade da Cedipa, Maurília Azevedo, foi convidada a representar a coordenação e reforçou que a luta contra o racismo exige perseverança diária e ações coletivas permanentes. 

“Esse evento nos convida a refletir e também a agir, reafirmando as políticas afirmativas, ampliando espaços de ocupação das pessoas negras e combatendo o racismo diariamente”, apontou. 

Quando os números encontram as histórias 

Antes que as histórias de Jacenir, Robson e Priscila tomassem o palco, o auditório foi convidado a refletir sobre a realidade institucional.  

Foram apresentados dois conjuntos de dados sobre o quantitativo de funcionários do IOC. 


Dos 850 profissionais do IOC, 226 se declaram pardos e apenas 79 se declaram pretos. Foto: Rudson Amorim

O primeiro gráfico, referente à diversidade de gênero, trouxe um panorama positivo: entre os profissionais do IOC, 483 são do gênero feminino e 367, do masculino — um indicador equilibrado de participação. 

Em seguida, o gráfico sobre cor/raça revelou um cenário distinto: somando servidores e terceirizados, 541 pessoas se declaram brancas, enquanto 79 se autodeclaram pretas e 226, pardas. Para os convidados, a diferença numérica evidencia desafios estruturais que atravessam a sociedade brasileira e que também se manifestam nas instituições de ciência e tecnologia. 

O poder das referências e o papel da educação 

Superando as adversidades e partindo para as histórias inspiradoras, o debate destacou como a presença de profissionais negros em espaços de visibilidade transforma percepções, amplia horizontes e fortalece a construção de referências positivas para as novas gerações. 


Priscila Torquato é jornalista da Inter TV, a afiliada da Rede Globo no interior do estado do Rio de Janeiro. Foto: Rudson Amorim

Priscila — jornalista multimídia da Inter TV (afiliada da Rede Globo) e responsável por reportagens que alcançam diariamente mais de 5 milhões de telespectadores - relatou que sua atuação na televisão já inspirou crianças que se reconhecem nela. Contou que constantemente é abordada por meninas negras que se emocionam ao vê-la na TV e fazem questão de elogiar seu cabelo. 

“Quando uma menina preta me diz que meu cabelo é bonito, eu sei que não é só sobre cabelo. É sobre a possibilidade de existir espaço para pessoas negras na TV”, afirmou. 


Ícone do atletismo brasileiro, Robson Caetano recebeu a medalha de bronze nas Olimpíadas de Seul 1988 (na prova de 200 metros rasos) e de Atlanta 1996 (em 4x100 metros rasos). Foto: Rudson Amorim

Robson — medalhista olímpico, ícone do atletismo brasileiro e embaixador de projetos sociais — reforçou que representatividade precisa caminhar junto a oportunidades reais, especialmente para crianças e jovens que enfrentam barreiras profundas desde muito cedo.  

Ele contou que, ao longo de sua vida, o esporte funcionou como uma ponte, permitindo atravessar fronteiras sociais que pareciam intransponíveis para um menino negro, pobre e morador de favela. 

Para ele, contudo, o esporte abre caminhos, amplia horizontes e pode transformar destinos, mas é a educação que garante permanência, autonomia e futuro.  

“A possibilidade real é a educação. O esporte é a ponte, é o que ajuda a atravessar”, resumiu. 


Jacenir é uma das pesquisadoras mais renomadas em parasitologia e entomologia do Brasil. Foto: Rudson Amorim

Jacenir — pesquisadora referência em parasitologia e entomologia, com mais de quatro décadas de dedicação ao IOC e atual coordenadora da Fiocruz Piauí — completou lembrando que, no ambiente científico, políticas de acesso e permanência são fundamentais para romper desigualdades históricas.  

Segundo ela, muitos estudantes só conseguem avançar na formação quando encontram apoio institucional, acolhimento e referências que comprovam que a universidade também é um espaço possível para a juventude negra. 

“É a partir da educação e do compromisso com a equidade que construímos trajetórias mais diversas e futuras lideranças científicas”, finalizou. 

Quer conferir mais detalhes sobre a vida e obra de cada convidado? Confira abaixo a transmissão do evento: 

 

Centro de Estudos aborda representatividade, racismo estrutural e desafios da educação
Por: 
yuri.neri

Robson Caetano, Priscila Torquato, Jacenir Mallet e Vinícius Ferreira, da esquerda para a direita. Foto: Rudson Amorim

Mais de 56% da população brasileira se reconhece como negra, segundo o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, são minoria em cargos de gestão e alto escalão. 

Na última sexta-feira (14/11), no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), quatro profissionais negros dividiram o púlpito do principal auditório institucional, o Emmanuel Dias, no campus da Fiocruz em Manguinhos (RJ), para conversar sobre ciência, comunicação, esporte e, sobretudo, sobre a força de existir e resistir em um país diverso, mas ainda marcado por desigualdades profundas. 

O encontro ‘Vida e obra de personalidades negras que inspiram’ reuniu a pesquisadora do IOC e coordenadora da Fiocruz Piauí, Jacenir Mallet; a jornalista da Inter TV, Priscila Torquato; e o ex-atleta e medalhista olímpico, Robson Caetano. A conversa foi conduzida pelo jornalista e assessor de imprensa do IOC, Vinicius Ferreira.  

A atividade foi realizada em colaboração com a Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa/Fiocruz) e integrou a programação do Centro de Estudos e as ações comemorativas pelos 125 anos do Instituto Oswaldo Cruz.


Auditório cheio para prestigiar o encontro ‘Vida e obra de personalidades negras que inspiram’, Foto: Rudson Amorim

Na abertura, a agente educacional em equidade e diversidade da Cedipa, Maurília Azevedo, foi convidada a representar a coordenação e reforçou que a luta contra o racismo exige perseverança diária e ações coletivas permanentes. 

“Esse evento nos convida a refletir e também a agir, reafirmando as políticas afirmativas, ampliando espaços de ocupação das pessoas negras e combatendo o racismo diariamente”, apontou. 

Quando os números encontram as histórias 

Antes que as histórias de Jacenir, Robson e Priscila tomassem o palco, o auditório foi convidado a refletir sobre a realidade institucional.  

Foram apresentados dois conjuntos de dados sobre o quantitativo de funcionários do IOC. 


Dos 850 profissionais do IOC, 226 se declaram pardos e apenas 79 se declaram pretos. Foto: Rudson Amorim

O primeiro gráfico, referente à diversidade de gênero, trouxe um panorama positivo: entre os profissionais do IOC, 483 são do gênero feminino e 367, do masculino — um indicador equilibrado de participação. 

Em seguida, o gráfico sobre cor/raça revelou um cenário distinto: somando servidores e terceirizados, 541 pessoas se declaram brancas, enquanto 79 se autodeclaram pretas e 226, pardas. Para os convidados, a diferença numérica evidencia desafios estruturais que atravessam a sociedade brasileira e que também se manifestam nas instituições de ciência e tecnologia. 

O poder das referências e o papel da educação 

Superando as adversidades e partindo para as histórias inspiradoras, o debate destacou como a presença de profissionais negros em espaços de visibilidade transforma percepções, amplia horizontes e fortalece a construção de referências positivas para as novas gerações. 


Priscila Torquato é jornalista da Inter TV, a afiliada da Rede Globo no interior do estado do Rio de Janeiro. Foto: Rudson Amorim

Priscila — jornalista multimídia da Inter TV (afiliada da Rede Globo) e responsável por reportagens que alcançam diariamente mais de 5 milhões de telespectadores - relatou que sua atuação na televisão já inspirou crianças que se reconhecem nela. Contou que constantemente é abordada por meninas negras que se emocionam ao vê-la na TV e fazem questão de elogiar seu cabelo. 

“Quando uma menina preta me diz que meu cabelo é bonito, eu sei que não é só sobre cabelo. É sobre a possibilidade de existir espaço para pessoas negras na TV”, afirmou. 


Ícone do atletismo brasileiro, Robson Caetano recebeu a medalha de bronze nas Olimpíadas de Seul 1988 (na prova de 200 metros rasos) e de Atlanta 1996 (em 4x100 metros rasos). Foto: Rudson Amorim

Robson — medalhista olímpico, ícone do atletismo brasileiro e embaixador de projetos sociais — reforçou que representatividade precisa caminhar junto a oportunidades reais, especialmente para crianças e jovens que enfrentam barreiras profundas desde muito cedo.  

Ele contou que, ao longo de sua vida, o esporte funcionou como uma ponte, permitindo atravessar fronteiras sociais que pareciam intransponíveis para um menino negro, pobre e morador de favela. 

Para ele, contudo, o esporte abre caminhos, amplia horizontes e pode transformar destinos, mas é a educação que garante permanência, autonomia e futuro.  

“A possibilidade real é a educação. O esporte é a ponte, é o que ajuda a atravessar”, resumiu. 


Jacenir é uma das pesquisadoras mais renomadas em parasitologia e entomologia do Brasil. Foto: Rudson Amorim

Jacenir — pesquisadora referência em parasitologia e entomologia, com mais de quatro décadas de dedicação ao IOC e atual coordenadora da Fiocruz Piauí — completou lembrando que, no ambiente científico, políticas de acesso e permanência são fundamentais para romper desigualdades históricas.  

Segundo ela, muitos estudantes só conseguem avançar na formação quando encontram apoio institucional, acolhimento e referências que comprovam que a universidade também é um espaço possível para a juventude negra. 

“É a partir da educação e do compromisso com a equidade que construímos trajetórias mais diversas e futuras lideranças científicas”, finalizou. 

Quer conferir mais detalhes sobre a vida e obra de cada convidado? Confira abaixo a transmissão do evento: 

 

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)