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II Simpósio de Doenças Bacterianas e Fúngicas

Evento reuniu especialistas dos Estados Unidos, Europa e América Latina em torno de temas como biomarcadores e resistência
Por Jornalismo IOC07/08/2012 - Atualizado em 19/12/2024

Evento reuniu especialistas dos Estados Unidos, Europa e América Latina em torno de temas como biomarcadores e resistência

:: Veja a programação do evento ::

Sob a perspectiva da saúde pública, viver em um país tropical tem uma série de desvantagens – e pesquisadores da área de microbiologia podem falar com propriedade sobre elas. O II Simpósio em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Doenças Bacterianas e Fúngicas, realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)nos dias 6 e 7 de agosto, reuniu especialistas da Europa, Estados Unidos e América Latina no auditório do Museu da Vida, no campus da Fiocruz em Manguinhos (Rio de Janeiro). Devido à grande procura, o número de vagas foi ampliado de 150 para 190. “É o engajamento dos pesquisadores desta área que a faz crescer. Dentro do Instituto, eles a vêm colocando na fronteira do conhecimento”, disse a diretora do Instituto, Tania Araújo-Jorge, na mesa de abertura do evento.

No primeiro dia, biomarcadores de dois agravos de alta prevalência nos países de clima quente e úmido estiveram no centro dos debates: a tuberculose e a hanseníase. Uma das coordenadoras do Simpósio e pesquisadora do Laboratório de Microbiologia Celular, Maria Helena Saad destacou que a interdisciplinaridade é a palavra de ordem do encontro. “Quando falamos de um patógeno e de um hospedeiro, há uma série de tópicos que surgem dessa relação. Os processos bioquímicos decorrentes de uma infecção que vão interferir na própria imunologia e na reação aos medicamentos são alguns exemplos. Tudo está interligado”, explicou. As palestras, ministradas por especialistas de sete países, incluindo professores de seis universidades brasileiras, abordavam temas como biomarcadores, interação hospedeiro-patógeno, resistência a terapias e qualidade de vida.   

 

Divulgação / IOC

Para o coordenador da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (Rede-TB), Afrânio Kritski, biotecnologia só vai crescer no Brasil quando academia e setor produtivo dialogarem mais

 

A palestra de abertura coube ao coordenador do Departamento de Clínica Médica e do Programa Acadêmico de Tuberculose da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Afrânio Kritski. Responsável, ainda, pela área de diagnóstico da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (Rede-TB), Kritski deu um panorama geral da biotecnologia no país, abordando as origens, oportunidades e deficiências. “Nossa produção de insumos e bens de biotecnologia é baixíssima quando se leva em consideração que temos 1/5 da biodiversidade disponível no mundo”, apontou.

De acordo com o especialista, o crescimento da área só será possível quando existir um forte diálogo entre a academia e o setor produtivo, a exemplo da parceria entre a Coppe/UFRJ e a Petrobras, responsável pela descoberta e exploração da camada Pré-Sal, e também da própria Fundação Oswaldo Cruz. Ninguém pode ser bom em tudo, afirmou. “O problema dos nossos cientistas é que eles buscam resultados individuais e não coletivos. A pesquisa é fragmentada em unidades mínimas publicáveis, direcionadas sempre às revistas internacionais. Um outro erro, porque deveriam servir para fortalecer os periódicos nacionais”, comentou, parabenizando a performance da Memórias, publicação científica do IOC. “Estamos caminhando para um mundo cada vez mais transdisciplinar. A descrição da estrutura do DNA, por exemplo, só foi possível quando um biofísico e um biólogo sentaram juntos”, disse, referindo-se aos autores do modelo de dupla hélice para a molécula de DNA, James Watson e Francis Crick.

Biomarcadores

Primeira palestrante internacional do evento, a pesquisadora Annemiek Geluk, da Universidade de Leiden, na Holanda, apresentou o estudo em que busca identificar biomarcadores para o diagnóstico da hanseníase latente (ou seja, que ainda não apresenta sintomas). De acordo com Annemiek, o período de incubação da doença varia de dois a cinco anos e faz com que os portadores sirvam como poderosas fontes de transmissão. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 29 pessoas contraem hanseníase a cada hora no mundo. “Nosso objetivo é produzir testes rápidos, pois a fase anterior aos sintomas é plenamente tratável com antibióticos. Estamos levando em consideração que as respostas do hospedeiro seguem padrões diferentes nas duas formas da doença. A presença de citocinas é mais significativa nos casos de hanseníase paucibacilar (PB), enquanto anticorpos são marcantes no quadro de multibacilar (MB)”, afirmou.

Para o segundo palestrante do dia, o pesquisador Matthias Sther, do Centro Helmholtz de Pesquisas em Infecção (HZI), na Alemanha, o objetivo também é desenvolver testes de diagnóstico precoce – mas, neste caso, com foco na tuberculose. Ele investiga o genoma do bacilo de Koch em busca de biomarcadores universais. “A heterogeneidade da população é um dos complicadores neste processo. Os testes baseados em antígenos que são aplicados no Brasil não funcionam bem na África e vice-versa”, explicou. Ainda de acordo com Sther, embora o índice de infecção por tuberculose esteja caindo, os casos de multirresistência vêm aumentando.

A programação do evento também incluiu a exibição de 43 pôsteres de projetos. O fato de a plateia ser composta, em sua maioria, por estudantes e jovens profissionais de Biologia e Farmácia chamou a atenção da vice-diretora de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do IOC, Mariza Morgado, e da vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Claude Pirmez. Na abertura da mesa, Claude lembrou que há poucos especialistas em micologia e que a área merece um forte investimento. “Estamos perdendo os grandes e poucos micologistas que fizeram a história do país. Vocês, jovens, são o presente e o futuro do Brasil. Porque é no presente que vocês assumem o compromisso com o progresso tecnológico. E é ele que vai levá-los a assumir os nossos lugares no futuro, quando não estaremos mais aqui”, ressaltou.

Isadora Marinho
07/08/2012

Evento reuniu especialistas dos Estados Unidos, Europa e América Latina em torno de temas como biomarcadores e resistência
Por: 
jornalismo

Evento reuniu especialistas dos Estados Unidos, Europa e América Latina em torno de temas como biomarcadores e resistência

:: Veja a programação do evento ::

Sob a perspectiva da saúde pública, viver em um país tropical tem uma série de desvantagens – e pesquisadores da área de microbiologia podem falar com propriedade sobre elas. O II Simpósio em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Doenças Bacterianas e Fúngicas, realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)nos dias 6 e 7 de agosto, reuniu especialistas da Europa, Estados Unidos e América Latina no auditório do Museu da Vida, no campus da Fiocruz em Manguinhos (Rio de Janeiro). Devido à grande procura, o número de vagas foi ampliado de 150 para 190. “É o engajamento dos pesquisadores desta área que a faz crescer. Dentro do Instituto, eles a vêm colocando na fronteira do conhecimento”, disse a diretora do Instituto, Tania Araújo-Jorge, na mesa de abertura do evento.

No primeiro dia, biomarcadores de dois agravos de alta prevalência nos países de clima quente e úmido estiveram no centro dos debates: a tuberculose e a hanseníase. Uma das coordenadoras do Simpósio e pesquisadora do Laboratório de Microbiologia Celular, Maria Helena Saad destacou que a interdisciplinaridade é a palavra de ordem do encontro. “Quando falamos de um patógeno e de um hospedeiro, há uma série de tópicos que surgem dessa relação. Os processos bioquímicos decorrentes de uma infecção que vão interferir na própria imunologia e na reação aos medicamentos são alguns exemplos. Tudo está interligado”, explicou. As palestras, ministradas por especialistas de sete países, incluindo professores de seis universidades brasileiras, abordavam temas como biomarcadores, interação hospedeiro-patógeno, resistência a terapias e qualidade de vida.   

 

Divulgação / IOC

Para o coordenador da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (Rede-TB), Afrânio Kritski, biotecnologia só vai crescer no Brasil quando academia e setor produtivo dialogarem mais

 

A palestra de abertura coube ao coordenador do Departamento de Clínica Médica e do Programa Acadêmico de Tuberculose da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Afrânio Kritski. Responsável, ainda, pela área de diagnóstico da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (Rede-TB), Kritski deu um panorama geral da biotecnologia no país, abordando as origens, oportunidades e deficiências. “Nossa produção de insumos e bens de biotecnologia é baixíssima quando se leva em consideração que temos 1/5 da biodiversidade disponível no mundo”, apontou.

De acordo com o especialista, o crescimento da área só será possível quando existir um forte diálogo entre a academia e o setor produtivo, a exemplo da parceria entre a Coppe/UFRJ e a Petrobras, responsável pela descoberta e exploração da camada Pré-Sal, e também da própria Fundação Oswaldo Cruz. Ninguém pode ser bom em tudo, afirmou. “O problema dos nossos cientistas é que eles buscam resultados individuais e não coletivos. A pesquisa é fragmentada em unidades mínimas publicáveis, direcionadas sempre às revistas internacionais. Um outro erro, porque deveriam servir para fortalecer os periódicos nacionais”, comentou, parabenizando a performance da Memórias, publicação científica do IOC. “Estamos caminhando para um mundo cada vez mais transdisciplinar. A descrição da estrutura do DNA, por exemplo, só foi possível quando um biofísico e um biólogo sentaram juntos”, disse, referindo-se aos autores do modelo de dupla hélice para a molécula de DNA, James Watson e Francis Crick.

Biomarcadores

Primeira palestrante internacional do evento, a pesquisadora Annemiek Geluk, da Universidade de Leiden, na Holanda, apresentou o estudo em que busca identificar biomarcadores para o diagnóstico da hanseníase latente (ou seja, que ainda não apresenta sintomas). De acordo com Annemiek, o período de incubação da doença varia de dois a cinco anos e faz com que os portadores sirvam como poderosas fontes de transmissão. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 29 pessoas contraem hanseníase a cada hora no mundo. “Nosso objetivo é produzir testes rápidos, pois a fase anterior aos sintomas é plenamente tratável com antibióticos. Estamos levando em consideração que as respostas do hospedeiro seguem padrões diferentes nas duas formas da doença. A presença de citocinas é mais significativa nos casos de hanseníase paucibacilar (PB), enquanto anticorpos são marcantes no quadro de multibacilar (MB)”, afirmou.

Para o segundo palestrante do dia, o pesquisador Matthias Sther, do Centro Helmholtz de Pesquisas em Infecção (HZI), na Alemanha, o objetivo também é desenvolver testes de diagnóstico precoce – mas, neste caso, com foco na tuberculose. Ele investiga o genoma do bacilo de Koch em busca de biomarcadores universais. “A heterogeneidade da população é um dos complicadores neste processo. Os testes baseados em antígenos que são aplicados no Brasil não funcionam bem na África e vice-versa”, explicou. Ainda de acordo com Sther, embora o índice de infecção por tuberculose esteja caindo, os casos de multirresistência vêm aumentando.

A programação do evento também incluiu a exibição de 43 pôsteres de projetos. O fato de a plateia ser composta, em sua maioria, por estudantes e jovens profissionais de Biologia e Farmácia chamou a atenção da vice-diretora de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do IOC, Mariza Morgado, e da vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Claude Pirmez. Na abertura da mesa, Claude lembrou que há poucos especialistas em micologia e que a área merece um forte investimento. “Estamos perdendo os grandes e poucos micologistas que fizeram a história do país. Vocês, jovens, são o presente e o futuro do Brasil. Porque é no presente que vocês assumem o compromisso com o progresso tecnológico. E é ele que vai levá-los a assumir os nossos lugares no futuro, quando não estaremos mais aqui”, ressaltou.

Isadora Marinho
07/08/2012

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)