Portuguese English Spanish
Interface
Adjust the interface to make it easier to use for different conditions.
This renders the document in high contrast mode.
This renders the document as white on black
This can help those with trouble processing rapid screen movements.
This loads a font easier to read for people with dyslexia.
Busca Avançada
Você está aqui: Notícias » Inovações na vigilância da resistência do HIV

Inovações na vigilância da resistência do HIV

IOC recebe seis laboratórios do país em encontro que avalia a adoção de novas estratégias de genotipagem, desenvolvidas com tecnologia nacional, na rede que monitora a resistência do HIV aos medicamentos antirretrovirais
Por Jornalismo IOC27/10/2011 - Atualizado em 10/12/2019

O vírus da Aids coloca um grande desafio: a resistência aos medicamentos disponíveis. Para realizar a vigilância desta resistência, uma rede de Laboratórios atua em diversos pontos do país. Além das estratégias convencionais de genotipagem, utilizadas atualmente para a análise e vigilância dos vírus que circulam no Brasil, novas estratégias, desenvolvidas com tecnologia nacional, estão prestes a ser incorporadas. Para padronizar estas novas metodologias e capacitar profissionais envolvidos na vigilância laboratorial sobre o tema, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) sedia, de 24 a 28 de outubro, o 2º curso de Capacitação dos Laboratórios em Genotipagem do HIV-1 para a Microrrede para Novos Alvos Terapêuticos, da Rede Nacional de Genotipagem (RENAGENO), ligada ao departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

 Foto: Peter Ilicciev

 

A iniciativa da estruturação da Microrrede conta com a coordenação de pesquisadores do IOC e da UFRJ e com a participação de especialistas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, incluindo Instituto Adolpho Lutz, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de São Paulo e Universidade Federal de São Paulo.

“Pela primeira vez, estamos capacitando profissionais para incorporação na rede pública de métodos de genotipagem que foram desenvolvidos 100% baseados nas pesquisas nacionais. Mesmo que não sejam kits patenteados, são métodos que foram desenvolvidos por pesquisadores brasileiros e que o Ministério, numa iniciativa muito positiva, decidiu incorporar na prática clínica”, ressalta Mariza Morgado, chefe do Laboratório de AIDS e Imunologia Molecular do IOC, que sedia o curso. A microrrede de assistência, de acordo com Mariza, vai testar três alvos que não estão na rotina dos pacientes infectados pelo HIV. “O que está na rotina é a genotipagem da Protease e da Transcriptase Reversa. A Microrrede vai ser experimental para três novos alvos: a Integrase, a molécula Gp41, que está associada a inibidores de fusão, e a C2V3”, diz.

Para ela, o Brasil é capaz de produzir métodos próprios sem que haja a necessidade constante de compra de tecnologias no exterior. “Isso vai facilitar o acesso a essas metodologias que comercialmente são bem caras, até porque o número de pacientes que se beneficiam ainda é pequeno. A comunidade científica brasileira vem lutando para beneficiar a população”, diz a pesquisadora.

Estratégia premiada

A Fiocruz foi responsável por desenvolver a metodologia para um dos alvos (os inibidores de integrase), a partir da tese de mestrado em Biologia Parasitária da estudante Caroline Pereira Bittencourt Passaes, defendida em 2007. “Atualmente, nós aplicamos o método para protocolos clínicos e agora vem incorporado na rede. Para nós isso é muito positivo”, comemora a imunologista.

O trabalho de Caroline Passaes rendeu ao IOC, naquele ano, uma menção honrosa no Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS. O estudo, sob a orientação de Mariza Morgado, promoveu a caracterização da diversidade genética da enzima integrase do HIV-1, essencial para o ciclo de replicação do vírus, com o objetivo de identificar se a região permaneceria como um alvo íntegro para o tratamento, apresentando baixa taxa de mutação. Os resultados descrevem a integrase como uma proteína altamente conservada, que pode por isso ser considerada um alvo terapêutico promissor para o tratamento da AIDS e a produção de vacinas.

Pioneirismo

José Carlos Couto-Fernandez, membro do comitê assessor da RENAGENO e pesquisador do Laboratório de AIDS e Imunologia Molecular do IOC, disse que a Microrrede, neste primeiro ano, está funcionando como projeto de pesquisa para que sejam avaliados os resultados ao longo de 2011 que será repassado para a Rede Nacional. “As metodologias de genotipagem do HIV ainda não são comercialmente disponíveis. O que nós estamos fazendo, como medida pioneira e inovadora do Ministério da Saúde junto à Fiocruz e aos laboratórios produtores, é lançar estes testes como um produto que possa investigar a resistência adquirida nos pacientes em terapia a um baixo custo e com a perspectiva de uma avaliação nacional. Alguns laboratórios da RENAGENO foram selecionados para executar as metodologias”, afirma o imunologista que segundo ele, foram utilizados critérios de competência estabelecida para a seleção dos laboratórios envolvidos, levando-se em conta a infraestrutura e o suporte tecnológico.

Foto: Peter Ilicciev

 

Equipe do 2º curso de Capacitação dos Laboratórios em Genotipagem do HIV-1 para a Microrrede para Novos Alvos Terapêuticos em frente ao Pavilhão Leônidas Deane.

“À medida em que a Fiocruz participa desde o começo da RENAGENO, e com a parceria da UFRJ em todo o processo de validação dos testes, temos a oportunidade de ter o conhecimento centralizado e padronizado. Temos a competência e a autoridade no sentido de coordenar esta microrrede utilizando todo o fluxo operacional da rede nacional. A unificação dos métodos de genotipagem do HIV-1 é justamente para se ter uma maior padronização no desenvolvimento dos diferentes métodos”, pontua o coordenador do evento.

A Rede Nacional de Genotipagem do HIV-1 (RENAGENO) foi estabelecida como política nacional em 1999 e seu funcionamento operacional foi iniciado em 2001. Atualmente, é composta de 23 laboratórios executores e um de resgate. O Laboratório de AIDS e Imunologia Molecular do IOC é um deles.

Implementação

“A Microrrede vai efetivamente ser implantada em breve e será disponibilizada para a população brasileira que necessitar de um método de genotipagem especial. É um projeto importante do ponto de vista terapêutico”, afirma Rosangela Maria Magalhães Ribeiro, assessora técnica da Coordenação de Cuidado e Qualidade de Vida do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde. “Terminando este módulo laboratorial, vamos passar para a etapa seguinte, que consistirá na divulgação de uma Nota Técnica a fim de descrever os critérios para solicitação do teste pelos médicos de referência em genotipagem”.

João Paulo Soldati

27/10/2011

.

IOC recebe seis laboratórios do país em encontro que avalia a adoção de novas estratégias de genotipagem, desenvolvidas com tecnologia nacional, na rede que monitora a resistência do HIV aos medicamentos antirretrovirais
Por: 
jornalismo

O vírus da Aids coloca um grande desafio: a resistência aos medicamentos disponíveis. Para realizar a vigilância desta resistência, uma rede de Laboratórios atua em diversos pontos do país. Além das estratégias convencionais de genotipagem, utilizadas atualmente para a análise e vigilância dos vírus que circulam no Brasil, novas estratégias, desenvolvidas com tecnologia nacional, estão prestes a ser incorporadas. Para padronizar estas novas metodologias e capacitar profissionais envolvidos na vigilância laboratorial sobre o tema, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) sedia, de 24 a 28 de outubro, o 2º curso de Capacitação dos Laboratórios em Genotipagem do HIV-1 para a Microrrede para Novos Alvos Terapêuticos, da Rede Nacional de Genotipagem (RENAGENO), ligada ao departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.


 Foto: Peter Ilicciev

 

A iniciativa da estruturação da Microrrede conta com a coordenação de pesquisadores do IOC e da UFRJ e com a participação de especialistas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, incluindo Instituto Adolpho Lutz, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de São Paulo e Universidade Federal de São Paulo.

“Pela primeira vez, estamos capacitando profissionais para incorporação na rede pública de métodos de genotipagem que foram desenvolvidos 100% baseados nas pesquisas nacionais. Mesmo que não sejam kits patenteados, são métodos que foram desenvolvidos por pesquisadores brasileiros e que o Ministério, numa iniciativa muito positiva, decidiu incorporar na prática clínica”, ressalta Mariza Morgado, chefe do Laboratório de AIDS e Imunologia Molecular do IOC, que sedia o curso. A microrrede de assistência, de acordo com Mariza, vai testar três alvos que não estão na rotina dos pacientes infectados pelo HIV. “O que está na rotina é a genotipagem da Protease e da Transcriptase Reversa. A Microrrede vai ser experimental para três novos alvos: a Integrase, a molécula Gp41, que está associada a inibidores de fusão, e a C2V3”, diz.

Para ela, o Brasil é capaz de produzir métodos próprios sem que haja a necessidade constante de compra de tecnologias no exterior. “Isso vai facilitar o acesso a essas metodologias que comercialmente são bem caras, até porque o número de pacientes que se beneficiam ainda é pequeno. A comunidade científica brasileira vem lutando para beneficiar a população”, diz a pesquisadora.

Estratégia premiada

A Fiocruz foi responsável por desenvolver a metodologia para um dos alvos (os inibidores de integrase), a partir da tese de mestrado em Biologia Parasitária da estudante Caroline Pereira Bittencourt Passaes, defendida em 2007. “Atualmente, nós aplicamos o método para protocolos clínicos e agora vem incorporado na rede. Para nós isso é muito positivo”, comemora a imunologista.

O trabalho de Caroline Passaes rendeu ao IOC, naquele ano, uma menção honrosa no Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS. O estudo, sob a orientação de Mariza Morgado, promoveu a caracterização da diversidade genética da enzima integrase do HIV-1, essencial para o ciclo de replicação do vírus, com o objetivo de identificar se a região permaneceria como um alvo íntegro para o tratamento, apresentando baixa taxa de mutação. Os resultados descrevem a integrase como uma proteína altamente conservada, que pode por isso ser considerada um alvo terapêutico promissor para o tratamento da AIDS e a produção de vacinas.

Pioneirismo

José Carlos Couto-Fernandez, membro do comitê assessor da RENAGENO e pesquisador do Laboratório de AIDS e Imunologia Molecular do IOC, disse que a Microrrede, neste primeiro ano, está funcionando como projeto de pesquisa para que sejam avaliados os resultados ao longo de 2011 que será repassado para a Rede Nacional. “As metodologias de genotipagem do HIV ainda não são comercialmente disponíveis. O que nós estamos fazendo, como medida pioneira e inovadora do Ministério da Saúde junto à Fiocruz e aos laboratórios produtores, é lançar estes testes como um produto que possa investigar a resistência adquirida nos pacientes em terapia a um baixo custo e com a perspectiva de uma avaliação nacional. Alguns laboratórios da RENAGENO foram selecionados para executar as metodologias”, afirma o imunologista que segundo ele, foram utilizados critérios de competência estabelecida para a seleção dos laboratórios envolvidos, levando-se em conta a infraestrutura e o suporte tecnológico.


Foto: Peter Ilicciev

 

Equipe do 2º curso de Capacitação dos Laboratórios em Genotipagem do HIV-1 para a Microrrede para Novos Alvos Terapêuticos em frente ao Pavilhão Leônidas Deane.

“À medida em que a Fiocruz participa desde o começo da RENAGENO, e com a parceria da UFRJ em todo o processo de validação dos testes, temos a oportunidade de ter o conhecimento centralizado e padronizado. Temos a competência e a autoridade no sentido de coordenar esta microrrede utilizando todo o fluxo operacional da rede nacional. A unificação dos métodos de genotipagem do HIV-1 é justamente para se ter uma maior padronização no desenvolvimento dos diferentes métodos”, pontua o coordenador do evento.

A Rede Nacional de Genotipagem do HIV-1 (RENAGENO) foi estabelecida como política nacional em 1999 e seu funcionamento operacional foi iniciado em 2001. Atualmente, é composta de 23 laboratórios executores e um de resgate. O Laboratório de AIDS e Imunologia Molecular do IOC é um deles.

Implementação

“A Microrrede vai efetivamente ser implantada em breve e será disponibilizada para a população brasileira que necessitar de um método de genotipagem especial. É um projeto importante do ponto de vista terapêutico”, afirma Rosangela Maria Magalhães Ribeiro, assessora técnica da Coordenação de Cuidado e Qualidade de Vida do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde. “Terminando este módulo laboratorial, vamos passar para a etapa seguinte, que consistirá na divulgação de uma Nota Técnica a fim de descrever os critérios para solicitação do teste pelos médicos de referência em genotipagem”.

João Paulo Soldati

27/10/2011

.

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)