Eles orientam como profissionais de saúde, moradores e turistas devem agir em caso de suspeita da doença. Diagnóstico rápido é fundamental
Foram confirmados casos de malária em indivÃduos com histórico de deslocamento para áreas cobertas por Mata Atlântica ou próximas a ela no estado do Rio de Janeiro. São chamados de casos autóctones, cuja transmissão aconteceu nesse perÃodo na região serrana do estado do Rio de Janeiro, entre pessoas que visitaram a localidade. Especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que atua como referência em malária para a região extra-Amazônica, tranquilizam a população e orientam como profissionais de saúde, moradores e turistas devem agir em caso de suspeita da doença. Eles reforçam que o diagnóstico rápido é fundamental e divulgam o Malária-Fone, serviço disponÃvel para atender profissionais de saúde que precisem de auxÃlio em casos suspeitos.
Desde 2008, a investigação e o monitoramento dos casos autóctones da Mata Atlântica do estado do Rio atendidos pelo ambulatório de Doenças Febris Agudas - por meio da médica e pesquisadora PatrÃcia Brasil - e diagnosticados pelo Serviço de Parasitologia do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) - com atividade dos pesquisadores Graziela Zanini e Sidnei Silva - são realizados por estudos envolvendo a pesquisadora Maria de Fátima Ferreira-da-Cruz, do Laboratório de Pesquisa em Malária, e o pesquisador Ricardo Lourenço, do Laboratório de Transmissores de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que integram o Centro de Pesquisa Diagnóstico e Treinamento em Malária da Fiocruz (CPD-Mal). Antes mesmo da estruturação oficial da atividade de referência no tema, pesquisadores do IOC/Fiocruz e do INI/Fiocruz acompanham a questão da ocorrência de malária em regiões de Mata Atlântica desde 1993.
Rapidez no diagnóstico
A região onde os casos aconteceram no Estado do Rio é recoberta por Mata Atlântica – bem longe da Amazônia, região que concentra mais de 99% do total de casos no paÃs. Chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do IOC/Fiocruz e coordenador do CPD-Mal da Fiocruz, o imunologista Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro explica que o diagnóstico rápido e correto é importante para aliviar os sintomas do paciente e também para impedir que o número de infectados aumente.
“Na região amazônica, cerca de 60% dos casos são identificados nas primeiras 48 horas de infecção. Muito diferente do que ocorre na região Extra-Amazônica, onde, na maioria das vezes, o médico não considera a malária como uma das possibilidades diagnósticas e menos de 20% dos casos são tratados nesse perÃodo inicial da doença. Nessa região, em geral, e neste momento em particular, é preciso informar os profissionais de saúde, turistas e a população dessas localidades”, reforça o pesquisador.
Pacientes com suspeita de malária fora da região endêmica devem ser encaminhados para um centro especializado no diagnóstico e tratamento do agravo, mesmo que não haja confirmação da doença nos primeiros exames diretos ou no teste rápido. O INI/Fiocruz tem equipe especializada no diagnóstico e tratamento da malária e é referência do MS para os casos na Extra-Amazônia (Av. Brasil, 4365 – Manguinhos – Rio de Janeiro).
De acordo com o vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência (VPPLR) da Fiocruz, Rodrigo Stabeli, não há motivo de alarme para a população. “A equipe do Centro de Pesquisa e Diagnóstico da Malária da Fiocruz está investigando os suspeitos de malária do Rio, realizando o diagnóstico e prestando assistência aos pacientes. Trata-se de uma situação bastante concentrada na região serrana”, afirma.
Na busca de explicações cientÃficas
No Brasil, a malária pode ser causada por três espécies de parasitos do gênero Plasmodium. O parasito é transmitido pela picada de fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles infectados pelo parasito, o Plasmodium. Cláudio Ribeiro destaca que há alguns anos tem havido um trabalho em parceria com o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, por meio do pesquisador Mariano Zalis, e com o Centro de Pesquisas René Rachou, junto à pesquisadora Cristiana Brito, para sequenciar por completo o genoma do Plasmódio encontrado na Mata Atlântica. "Identificar a origem do parasito nos ajudará a traçar estratégias para a eliminação da malária na região”, avalia.
Sinais de alerta
A médica PatrÃcia Brasil, do INI/Fiocruz, destaca que os médicos devem ficar atentos à presença de sÃndrome febril e à história de deslocamento à s localidades onde os casos foram registrados. Na forma clássica da doença, o principal sintoma é a febre, que pode ser constante nos primeiros dias, para depois ocorrer de forma intermitente, a cada dois ou três dias. Os pacientes também podem apresentar calafrios, suor e dor de cabeça, embora a ausência desses sintomas não exclua a possibilidade de malária. A malária da Mata Atlântica costuma ter poucos sintomas e raramente é motivo de internação hospitalar.
Diante da falta de especificidade do quadro clÃnico, a história de deslocamento é o aspecto que deve orientar a investigação diagnóstica. O tratamento é feito com cloroquina e primaquina (VO) distribuÃdas pelo Ministério da Saúde. Os casos de malária atendidos ou diagnosticados na Fiocruz já foram notificados à s autoridades sanitárias locais, responsáveis pelas medidas de controle dos possÃveis focos de infecção.
Malária-Fone
O Malária-Fone é uma linha exclusiva para fornecimento de informações sobre a doença, inclusive sobre os locais para diagnóstico e tratamento. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h à s 18h, podendo ser acionado 24h por dia para casos especÃficos de emergência médica (paciente febril com suspeita da doença). Contato: (21) 99988-0113.
Imagem de capa: Genilton José Vieira
26/02/2015
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