Portuguese English Spanish
Interface
Adjust the interface to make it easier to use for different conditions.
This renders the document in high contrast mode.
This renders the document as white on black
This can help those with trouble processing rapid screen movements.
This loads a font easier to read for people with dyslexia.
Busca Avançada
Você está aqui: Notícias » Malária: Memórias do IOC publica edição especial sobre a doença

Malária: Memórias do IOC publica edição especial sobre a doença

Revista científica publica pela terceira vez uma edição inteiramente dedicada a estudos internacionais inéditos relacionados ao combate à doença, uma das importantes no cenário global da saúde pública
Por Jornalismo IOC29/08/2011 - Atualizado em 10/12/2019

Há 25 anos, a revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz ganhava a primeira edição especial integralmente dedicado à malária, publicada logo após o primeiro encontro entre pesquisadores brasileiros sobre o tema, realizado no Rio de Janeiro. Em 2007, a dose foi repetida com sucesso e, agora, em 2011, a terceira edição chega gratuitamente online (acesse aqui). A edição é o resultado de um compromisso assumido por parte da comunidade científica brasileira e estrangeira que participou da 12ª Reunião Brasileira de Pesquisa em Malária, realizada em Ouro Preto (MG). O evento foi realizado em 2010, ano em que se comemorou o centenário da descoberta da resistência do parasita Plasmodium vivax à quinina, utilizada no tratamento da doença, feita pelo cientista Arthur Neiva, do Instituto Oswaldo Cruz.

A publicação surge em um momento em que a erradicação da doença está de volta à agenda de saúde global, no contexto do esforço para aliviar a pobreza extrema até 2015. A revista destaca 28 trabalhos de cientistas tanto da Fiocruz quanto de outras instituições brasileiras, além de pesquisadores colombianos, norte-americanos, africanos e de países como Austrália, Portugal, Lituânia e Dinamarca, que se debruçam sobre investigações de diversos temas. Os artigos abrangem novos avanços científicos sobre resposta imune protetora, desenvolvimento de vacinas, mecanismos da patogênese, biomarcadores para a infecção e novos alvos para a quimioterapia com base no conhecimento das vias metabólicas do parasita e vetores.

Wolbachia x Anopheles

Como a malária é uma doença transmitida pela picada do mosquito Anopheles, o controle de vetores é predominantemente realizado por meio de inseticidas e mosquiteiros. No entanto, atualmente, os métodos de controle do vetor muitas vezes não são sustentáveis por longos períodos. Por isso, métodos alternativos são necessários. O uso da bactéria Wolbachia para o controle da malária é proposto em artigo assinado pelo pesquisador Luciano Andrade Moreira, da Fiocruz-Minas, em parceria com Thomas Walker, da Universidade de Queensland, Austrália. A bactéria, uma vez dentro do organismo do vetor, reduz significativamente os níveis de infecção pelo Plasmodium vivax, parasito causador da malária terçã benigna, inibindo a replicação desse parasito no vetor e interferindo diretamente na transmissão da doença.

Gravidez

Durante o período de gestação, a malária causada por Plasmodium falciparum pode ser um grave problema de saúde em mulheres não-imunes ao parasita. Em áreas onde a transmissão da doença é estável e as mulheres são semi-imunes (muitas vezes com quadro assintomático durante a infecção), a malária pode levar ao óbito mães e filhos, segundo estudo norte-americano assinado por especialistas do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, órgão ligado ao Instituto Nacional de Saúde dos EUA. Sequelas, como anemia grave e hipertensão na mãe, baixo peso do bebê ao nascer e mortalidade infantil, muitas vezes não são reconhecidos como consequências da infecção por malária. Durante a malária na gravidez, a doença é mediada por eritrócitos infectados (IEs) que se ligam ao sulfato de condroitina A e que, por sua vez, são sequestrados ao passarem pela placenta. As mulheres se tornam resistentes à malária quando elas adquirem anticorpos contra o IE placentário, o que leva a níveis mais elevados de hemoglobina na mãe e a formação de bebês com massa corporal maior. Essas proteínas exportadas por parasitos na placenta foram caracterizadas pelos cientistas e algumas destas já estão na fase pré-clínica de testes de uma vacina. Segundo o estudo, a vacina que previne a doença parasitária em mulheres grávidas é viável e pode salvar centenas de milhares de vidas a cada ano.

Quimiorresistência

No Brasil, a malária continua a ser uma síndrome febril clinicamente importante para populações da região amazônica e para indivíduos que estão em trânsito por aquela região. A pesquisa Chemoresistance of Plasmodium falciparum and Plasmodium vivax parasites in Brazil: consequences on disease morbidity and control, realizada em conjunto pelo Laboratório de Pesquisas em Malária do IOC e a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, de Manaus, teve como objetivo relatar, desde os anos 40, os principais esforços empregados para controlar esta doença e o surgimento da resistência química do P. falciparum e P. vivax à cloroquina, sulfadoxina-pirimetamina, dentre outras drogas. O artigo ainda mostra estudos moleculares, in vivo e in vitro, bem como as consequências da disseminação da quimiorresistência nos parasitos, além de informações sobre a morbidade da malária e das diretrizes da política de tratamento da doença.

Controle e eliminação

Artigo assinado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) discute a epidemiologia e controle da malária no país, bem como a perspectiva de interromper a transmissão em algumas áreas. Os conceitos de receptividade e vulnerabilidade de uma área para a transmissão da doença são analisados para prever onde a eliminação pode ocorrer em um futuro próximo. O artigo defende que fora da região amazônica e nos estados da Amazônia oriental (Tocantins, Maranhão e Mato Grosso) é provável que a transmissão da doença possa ser eliminada com o desenvolvimento e a utilização sustentada de um bom sistema de vigilância.

Para acessar a edição especial clique aqui.

João Paulo Soldati

31/08/2011

.

Revista científica publica pela terceira vez uma edição inteiramente dedicada a estudos internacionais inéditos relacionados ao combate à doença, uma das importantes no cenário global da saúde pública
Por: 
jornalismo

Há 25 anos, a revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz ganhava a primeira edição especial integralmente dedicado à malária, publicada logo após o primeiro encontro entre pesquisadores brasileiros sobre o tema, realizado no Rio de Janeiro. Em 2007, a dose foi repetida com sucesso e, agora, em 2011, a terceira edição chega gratuitamente online (acesse aqui). A edição é o resultado de um compromisso assumido por parte da comunidade científica brasileira e estrangeira que participou da 12ª Reunião Brasileira de Pesquisa em Malária, realizada em Ouro Preto (MG). O evento foi realizado em 2010, ano em que se comemorou o centenário da descoberta da resistência do parasita Plasmodium vivax à quinina, utilizada no tratamento da doença, feita pelo cientista Arthur Neiva, do Instituto Oswaldo Cruz.

A publicação surge em um momento em que a erradicação da doença está de volta à agenda de saúde global, no contexto do esforço para aliviar a pobreza extrema até 2015. A revista destaca 28 trabalhos de cientistas tanto da Fiocruz quanto de outras instituições brasileiras, além de pesquisadores colombianos, norte-americanos, africanos e de países como Austrália, Portugal, Lituânia e Dinamarca, que se debruçam sobre investigações de diversos temas. Os artigos abrangem novos avanços científicos sobre resposta imune protetora, desenvolvimento de vacinas, mecanismos da patogênese, biomarcadores para a infecção e novos alvos para a quimioterapia com base no conhecimento das vias metabólicas do parasita e vetores.

Wolbachia x Anopheles

Como a malária é uma doença transmitida pela picada do mosquito Anopheles, o controle de vetores é predominantemente realizado por meio de inseticidas e mosquiteiros. No entanto, atualmente, os métodos de controle do vetor muitas vezes não são sustentáveis por longos períodos. Por isso, métodos alternativos são necessários. O uso da bactéria Wolbachia para o controle da malária é proposto em artigo assinado pelo pesquisador Luciano Andrade Moreira, da Fiocruz-Minas, em parceria com Thomas Walker, da Universidade de Queensland, Austrália. A bactéria, uma vez dentro do organismo do vetor, reduz significativamente os níveis de infecção pelo Plasmodium vivax, parasito causador da malária terçã benigna, inibindo a replicação desse parasito no vetor e interferindo diretamente na transmissão da doença.

Gravidez

Durante o período de gestação, a malária causada por Plasmodium falciparum pode ser um grave problema de saúde em mulheres não-imunes ao parasita. Em áreas onde a transmissão da doença é estável e as mulheres são semi-imunes (muitas vezes com quadro assintomático durante a infecção), a malária pode levar ao óbito mães e filhos, segundo estudo norte-americano assinado por especialistas do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, órgão ligado ao Instituto Nacional de Saúde dos EUA. Sequelas, como anemia grave e hipertensão na mãe, baixo peso do bebê ao nascer e mortalidade infantil, muitas vezes não são reconhecidos como consequências da infecção por malária. Durante a malária na gravidez, a doença é mediada por eritrócitos infectados (IEs) que se ligam ao sulfato de condroitina A e que, por sua vez, são sequestrados ao passarem pela placenta. As mulheres se tornam resistentes à malária quando elas adquirem anticorpos contra o IE placentário, o que leva a níveis mais elevados de hemoglobina na mãe e a formação de bebês com massa corporal maior. Essas proteínas exportadas por parasitos na placenta foram caracterizadas pelos cientistas e algumas destas já estão na fase pré-clínica de testes de uma vacina. Segundo o estudo, a vacina que previne a doença parasitária em mulheres grávidas é viável e pode salvar centenas de milhares de vidas a cada ano.

Quimiorresistência

No Brasil, a malária continua a ser uma síndrome febril clinicamente importante para populações da região amazônica e para indivíduos que estão em trânsito por aquela região. A pesquisa Chemoresistance of Plasmodium falciparum and Plasmodium vivax parasites in Brazil: consequences on disease morbidity and control, realizada em conjunto pelo Laboratório de Pesquisas em Malária do IOC e a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, de Manaus, teve como objetivo relatar, desde os anos 40, os principais esforços empregados para controlar esta doença e o surgimento da resistência química do P. falciparum e P. vivax à cloroquina, sulfadoxina-pirimetamina, dentre outras drogas. O artigo ainda mostra estudos moleculares, in vivo e in vitro, bem como as consequências da disseminação da quimiorresistência nos parasitos, além de informações sobre a morbidade da malária e das diretrizes da política de tratamento da doença.

Controle e eliminação

Artigo assinado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) discute a epidemiologia e controle da malária no país, bem como a perspectiva de interromper a transmissão em algumas áreas. Os conceitos de receptividade e vulnerabilidade de uma área para a transmissão da doença são analisados para prever onde a eliminação pode ocorrer em um futuro próximo. O artigo defende que fora da região amazônica e nos estados da Amazônia oriental (Tocantins, Maranhão e Mato Grosso) é provável que a transmissão da doença possa ser eliminada com o desenvolvimento e a utilização sustentada de um bom sistema de vigilância.

Para acessar a edição especial clique aqui.

João Paulo Soldati

31/08/2011

.

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)