Portuguese English Spanish
Interface
Adjust the interface to make it easier to use for different conditions.
This renders the document in high contrast mode.
This renders the document as white on black
This can help those with trouble processing rapid screen movements.
This loads a font easier to read for people with dyslexia.
Busca Avançada
Você está aqui: Notícias » Mangaratiba é palco de evento sobre doença de Chagas

Mangaratiba é palco de evento sobre doença de Chagas

Em sua oitava edição, Encontro do Programa Integrado de Doença de Chagas da Fiocruz reuniu dezenas de pesquisadores e estudantes de pós-graduação para discutir o tema.
Por Jornalismo IOC15/09/2011 - Atualizado em 10/12/2019

Nem a paisagem paradisíaca de Mangaratiba (RJ) fez com que cerca de 60 pesquisadores e estudantes de pós-graduação deixassem o auditório. Tudo isso, para discutir os avanços no estudo e no combate à doença de Chagas, que matou mais de 25 mil pessoas no Brasil desde 2004.  O 8º Encontro do Programa Integrado de Doença de Chagas (PIDC) da Fiocruz foi realizado de 14 a 16 de setembro. Durante o evento, foram discutidas as realizações de 2010/2011 e as metas de 2011/2012 do PIDC, assim como o papel dos laboratórios de referência e políticas e programas educacionais.

 Foto: Gutemberg Brito

 

 “Me orgulha estar aqui e fazer parte disto. Se depender de mim o PIDC sempre será incentivado para que continue fazendo sucesso”, enfatiza Claude Pirmez.

A vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Claude Pirmez, disse que o momento é de alegria. “Fiz questão de estar aqui pela importância do PIDC e por ter a oportunidade de encontrar tanta gente querida. O Programa que existe há mais de dez anos, tem caráter multidisciplinar e reúne diversos centros de pesquisas da Fiocruz”, diz. Segundo Claude, a doença de Chagas foi o que internacionalizou a Fundação e que projetou a ciência brasileira.

“A principal meta do PIDC é vincular a pesquisa institucional de forma integrada e multidisciplinar para que sejamos capazes de unir esforços para captação de recursos e para o desenvolvimento de projetos que deem retorno à sociedade”, sublinha Constança Britto, uma das organizadoras do encontro e coordenadora-geral.

 Foto: Gutemberg Brito

 

De acordo com Constança Britto, a ideia do PIDC é agregar pesquisadores de diferentes unidades da Fiocruz e de outras instituições de ensino e pesquisa do Brasil.

Renato Vieira Alvez, representante de Jarbas Barbosa, Secretário de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, apresentou as mudanças no perfil epidemiológico da doença de Chagas e da soroprevalência da infecção em adultos e crianças. “Foram notificados casos agudos de doença de Chagas em alguns locais do Brasil. Hoje, esta notificação é obrigatória e deve ser feita imediatamente tanto para surtos como para casos isolados”, afirmou. De acordo com dados apresentados por Alvez, entre 2000 e 2010 foram registrados 1087 novos casos em todo o Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Os casos de infecção aguda aconteceram em 2009 e 2010, atingindo maior incidência em indivíduos entre 20 a 39 anos. Naqueles anos, foram registrados 391 casos. A transmissão da doença ocorre pela picada do vetor, inseto conhecido como barbeiro, e também em decorrência da ingestão de alimentos como o açaí e a cana-de-açúcar, que são triturados com o inseto infectado pela parasita Trypanosoma cruzi.

O representante destacou a importância de se ter sempre um canal de comunicação aberto entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde. “Nós entendemos, dentro da SVS, que não só as mudanças do perfil epidemiológico e transmissão da doença de Chagas devem ser analisadas, mas tudo o que envolve este tema deve ter uma interface com a Fundação. Devemos repensar e reformular a vigilância epidemiológica da doença”, conta.

‘Nova vigilância’ 

No encontro, Renato Alvez apresentou uma proposta do que seria uma “nova vigilância epidemiológica”, que possa prevenir e reduzir os danos causados pela doença descoberta pelo cientista Carlos Chagas em 1909. Para a SVS, “o ano de 2011 está sendo um fundamental para identificar os focos residuais de Triatoma infestans e ampliar mais o conhecimento sobre vetores.” Ele afirmou que o Sistema Nacional para registro das atividades de campo sobre a doença ainda está em construção. “Há uma capacitação insuficiente em estados e municípios, pois constatamos a falta de recursos humanos e financeiros. Precisamos mudar este quadro”, diz.

Foto: Gutemberg Brito

 

Renato Vieira Alvez, representante da SVS, apresentou dados atuais sobre a doença de Chagas. Em cinco anos (2004-2008), foram 24.708 óbitos provocados pela doença.

A nova proposta de vigilância epidemiológica dos casos humanos da doença de Chagas é centrada “nas ações de prevenção de casos e na redução de danos, baseadas na identificação de situações de risco e na vigilância de casos agudos e crônicos de forma indeterminada”.

Os próximos passos desta proposta são: estabelecer mecanismos mais eficientes para o controle da transmissão oral na região Amazônica e a transmissão vetorial com vetores não domiciliados; detalhar situações ‘inusitadas’ como transmissões verticais e acidentais; e buscar medicamentos, terapêutica e ensaios clínicos mais eficazes. “Há que se definir o critério de cura, avaliar o percentual de cura e de complicações, conhecer a efetividade e o impacto do tratamento de casos crônicos, avançar em estratégias com maior participação dos agentes da Saúde da Família, ficar atento aos efeitos adversos do medicamento Benzonidazol, entre outros”, pondera. O representante afirma também a necessidade da coleta de mais informações sobre os vetores e a ecologia de ciclos de transmissão do Trypanosoma cruzi, sobre a resistência dos barbeiros a inseticidas, sua distribuição na Amazônia, além de desenvolver ferramentas mais sensíveis para detecção do vetor em ambientes silvestres.

“Um outro aspecto crucial que merece toda nossa atenção é a educação. Ela é decisiva para a obtenção do sucesso da estrutura da vigilância. Ela tem que ser a protagonista desta estratégia. O fortalecimento das ações voltadas para a realidade da comunidade, a vigilância entomológica e a participação comunitária são importantes. Temos que ter uma educação continuada entre universidades, a capacitação de técnicos e a educação no ensino fundamental”, finaliza.

PIDC

Há onze anos, o Programa Integrado de Doença de Chagas (PIDC) começou a ser articulado a partir de iniciativa de pesquisadores da Fiocruz. Em 2006, o PIDC foi oficialmente criado com apoio da vice-Presidência de Pesquisa da Fiocruz, reunindo pesquisadores de seis unidades da Fundação: o Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR), Centro de Pesquisas Ageu Magalhães (CPqAM), Centro de Pesquisas Gonzalo Moniz (CPqGM), Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC) e Instituto Carlos Chagas (ICC).

O PIDC articula a cooperação entre pesquisadores em cinco redes temáticas, de modo a aumentar a eficiência da pesquisa institucional e fortalecer a capacidade de captação de recursos financeiros para o desenvolvimento de pesquisas relevantes que dêem retorno à sociedade. A iniciativa assegura a contribuição efetiva da Fiocruz para o controle da doença de Chagas no século XXI, com metas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

João Paulo Soldati

15/09/11

.

Em sua oitava edição, Encontro do Programa Integrado de Doença de Chagas da Fiocruz reuniu dezenas de pesquisadores e estudantes de pós-graduação para discutir o tema.
Por: 
jornalismo

Nem a paisagem paradisíaca de Mangaratiba (RJ) fez com que cerca de 60 pesquisadores e estudantes de pós-graduação deixassem o auditório. Tudo isso, para discutir os avanços no estudo e no combate à doença de Chagas, que matou mais de 25 mil pessoas no Brasil desde 2004.  O 8º Encontro do Programa Integrado de Doença de Chagas (PIDC) da Fiocruz foi realizado de 14 a 16 de setembro. Durante o evento, foram discutidas as realizações de 2010/2011 e as metas de 2011/2012 do PIDC, assim como o papel dos laboratórios de referência e políticas e programas educacionais.

 Foto: Gutemberg Brito

 

 “Me orgulha estar aqui e fazer parte disto. Se depender de mim o PIDC sempre será incentivado para que continue fazendo sucesso”, enfatiza Claude Pirmez.

A vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Claude Pirmez, disse que o momento é de alegria. “Fiz questão de estar aqui pela importância do PIDC e por ter a oportunidade de encontrar tanta gente querida. O Programa que existe há mais de dez anos, tem caráter multidisciplinar e reúne diversos centros de pesquisas da Fiocruz”, diz. Segundo Claude, a doença de Chagas foi o que internacionalizou a Fundação e que projetou a ciência brasileira.

“A principal meta do PIDC é vincular a pesquisa institucional de forma integrada e multidisciplinar para que sejamos capazes de unir esforços para captação de recursos e para o desenvolvimento de projetos que deem retorno à sociedade”, sublinha Constança Britto, uma das organizadoras do encontro e coordenadora-geral.

 Foto: Gutemberg Brito

 

De acordo com Constança Britto, a ideia do PIDC é agregar pesquisadores de diferentes unidades da Fiocruz e de outras instituições de ensino e pesquisa do Brasil.

Renato Vieira Alvez, representante de Jarbas Barbosa, Secretário de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, apresentou as mudanças no perfil epidemiológico da doença de Chagas e da soroprevalência da infecção em adultos e crianças. “Foram notificados casos agudos de doença de Chagas em alguns locais do Brasil. Hoje, esta notificação é obrigatória e deve ser feita imediatamente tanto para surtos como para casos isolados”, afirmou. De acordo com dados apresentados por Alvez, entre 2000 e 2010 foram registrados 1087 novos casos em todo o Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Os casos de infecção aguda aconteceram em 2009 e 2010, atingindo maior incidência em indivíduos entre 20 a 39 anos. Naqueles anos, foram registrados 391 casos. A transmissão da doença ocorre pela picada do vetor, inseto conhecido como barbeiro, e também em decorrência da ingestão de alimentos como o açaí e a cana-de-açúcar, que são triturados com o inseto infectado pela parasita Trypanosoma cruzi.

O representante destacou a importância de se ter sempre um canal de comunicação aberto entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde. “Nós entendemos, dentro da SVS, que não só as mudanças do perfil epidemiológico e transmissão da doença de Chagas devem ser analisadas, mas tudo o que envolve este tema deve ter uma interface com a Fundação. Devemos repensar e reformular a vigilância epidemiológica da doença”, conta.

‘Nova vigilância’ 

No encontro, Renato Alvez apresentou uma proposta do que seria uma “nova vigilância epidemiológica”, que possa prevenir e reduzir os danos causados pela doença descoberta pelo cientista Carlos Chagas em 1909. Para a SVS, “o ano de 2011 está sendo um fundamental para identificar os focos residuais de Triatoma infestans e ampliar mais o conhecimento sobre vetores.” Ele afirmou que o Sistema Nacional para registro das atividades de campo sobre a doença ainda está em construção. “Há uma capacitação insuficiente em estados e municípios, pois constatamos a falta de recursos humanos e financeiros. Precisamos mudar este quadro”, diz.

Foto: Gutemberg Brito

 

Renato Vieira Alvez, representante da SVS, apresentou dados atuais sobre a doença de Chagas. Em cinco anos (2004-2008), foram 24.708 óbitos provocados pela doença.

A nova proposta de vigilância epidemiológica dos casos humanos da doença de Chagas é centrada “nas ações de prevenção de casos e na redução de danos, baseadas na identificação de situações de risco e na vigilância de casos agudos e crônicos de forma indeterminada”.

Os próximos passos desta proposta são: estabelecer mecanismos mais eficientes para o controle da transmissão oral na região Amazônica e a transmissão vetorial com vetores não domiciliados; detalhar situações ‘inusitadas’ como transmissões verticais e acidentais; e buscar medicamentos, terapêutica e ensaios clínicos mais eficazes. “Há que se definir o critério de cura, avaliar o percentual de cura e de complicações, conhecer a efetividade e o impacto do tratamento de casos crônicos, avançar em estratégias com maior participação dos agentes da Saúde da Família, ficar atento aos efeitos adversos do medicamento Benzonidazol, entre outros”, pondera. O representante afirma também a necessidade da coleta de mais informações sobre os vetores e a ecologia de ciclos de transmissão do Trypanosoma cruzi, sobre a resistência dos barbeiros a inseticidas, sua distribuição na Amazônia, além de desenvolver ferramentas mais sensíveis para detecção do vetor em ambientes silvestres.

“Um outro aspecto crucial que merece toda nossa atenção é a educação. Ela é decisiva para a obtenção do sucesso da estrutura da vigilância. Ela tem que ser a protagonista desta estratégia. O fortalecimento das ações voltadas para a realidade da comunidade, a vigilância entomológica e a participação comunitária são importantes. Temos que ter uma educação continuada entre universidades, a capacitação de técnicos e a educação no ensino fundamental”, finaliza.

PIDC

Há onze anos, o Programa Integrado de Doença de Chagas (PIDC) começou a ser articulado a partir de iniciativa de pesquisadores da Fiocruz. Em 2006, o PIDC foi oficialmente criado com apoio da vice-Presidência de Pesquisa da Fiocruz, reunindo pesquisadores de seis unidades da Fundação: o Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR), Centro de Pesquisas Ageu Magalhães (CPqAM), Centro de Pesquisas Gonzalo Moniz (CPqGM), Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC) e Instituto Carlos Chagas (ICC).

O PIDC articula a cooperação entre pesquisadores em cinco redes temáticas, de modo a aumentar a eficiência da pesquisa institucional e fortalecer a capacidade de captação de recursos financeiros para o desenvolvimento de pesquisas relevantes que dêem retorno à sociedade. A iniciativa assegura a contribuição efetiva da Fiocruz para o controle da doença de Chagas no século XXI, com metas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

João Paulo Soldati

15/09/11

.

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)