Neste mês, o periódico cientÃfico traz dados inéditos sobre a vulnerabilidade de crianças e jovens de periferia à hepatite A e de populações ribeirinhas da região amazônica à malária
A nova edição da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz já está disponÃvel online e pode ser acessada gratuitamente. Um dos estudos publicados aponta que pelo menos 74% das crianças com até cinco anos estão vulneráveis à infecção por hepatite A na periferia de três grandes capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Manaus e Cuiabá. A publicação aborda, ainda, o papel dos indivÃduos assintomáticos de malária, que servem como fonte de infecção do parasita para os mosquitos transmissores, na incidência de novos casos em vilarejos ribeirinhos da região amazônica. Ainda no rol das doenças negligenciadas, a edição traz um estudo sobre inseticidas alternativos para o controle do barbeiro, vetor da doença de Chagas avanço relevante devido a relatos da ocorrência de populações resistentes à deltametrina, substância presente nos inseticidas piretróides empregados no combate a estes insetos. Já a leishmaniose é foco de estudo que desenvolveu um protocolo mais simples de PCR, voltado para o diagnóstico molecular da forma cutânea da doença e a identificação da espécie do parasita.
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Crianças de periferia vulneráveis à hepatite A
Pesquisadores fazem um alerta à saúde pública: 50% da população infanto-juvenil de baixa renda em três capitais brasileiras estão vulneráveis à infecção pelo vÃrus causador da hepatite A (HAV). Em crianças abaixo dos cinco anos, o Ãndice é mais preocupante: de 74% a 90% correm o risco de contrair a doença. Para o estudo, foram analisados os nÃveis de anticorpos anti-HAV em 1.162 amostras sanguÃneas coletadas de indivÃduos entre 1 e 18 anos residentes na periferia das cidades de Cuiabá (MT), Rio de Janeiro (RJ) e Manaus (AM), onde a doença é endêmica. Os resultados sinalizam a necessidade de revisão do calendário de imunização nacional, que contempla apenas a vacinação contra a hepatite A em áreas de risco. Assinam o artigo pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), de Bio-Manguinhos, da Fiocruz-Manaus, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Secretaria de Saúde Municipal de Cuiabá. Leia-o aqui.
Novo método de diagnóstico
Com o intuito de desenvolver um método de diagnóstico molecular da leishmaniose cutânea mais simples e, ao mesmo tempo, capaz de determinar a espécie do protozoário causador da infecção, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Instituto de Pesquisa ClÃnica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), Fiocruz-Minas, Universidade de BrasÃlia (UnB) e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) desenvolveram um novo protocolo de PCR, seguido de digestão por enzimas de restrição. A técnica utiliza uma porção do gene hsp70 de 234 pares de base como o alvo de análise por reação em cadeia da polimerase (PCR). De acordo com o estudo, além de ser bastante sensÃvel para a detecção do DNA, esta região permite a identificação da espécie do parasito. Na fase de validação do protocolo sugerido, 99 amostras de tecidos de pacientes com a forma cutânea da doença foram submetidas ao novo método. Deste conjunto, 70% tiveram resultado positivo desempenho igual ao obtido a partir do protocolo PCR-ITS1, utilizado por muitos laboratórios. Existem cerca de 20 espécies de Leishmania patogênicas para o homem e a identificação do parasito causador de cada caso é importante para o prognóstico e determinação de esquemas terapêuticos. Atualmente, a detecção da infecção é realizada por meio de pesquisa microscópica de formas amastigotas do parasito em tecidos infectados ou pelo isolamento do parasita em cultura e subsequentes análises, processos é considerados demorados, custoso e impreciso, uma vez que muitas espécies guardam similaridades morfológicas entre si. Confira o artigo.
Malária assintomática: risco para a comunidade?
O homem é um dos hospedeiros do protozoário causador da malária. Em regiões altamente endêmicas, os indivÃduos assintomáticos e que, portanto, não procuram tratamento contra o parasito, podem contribuir para a transmissão da doença dentro da sua própria comunidade. Diante disso, pesquisadores do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical e do Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais de Porto Velho (Ipepatro/Fiocruz), em Rondônia, em conjunto com a Universidade de São Paulo (USP), investigaram a relação entre indivÃduos assintomáticos e o Ãndice de novos casos em vilarejos situados à margem do Rio Madeira. Em uma das localidades, o tratamento de 19 indivÃduos assintomáticos infectados com Plasmodium falciparum levou a uma grande redução na ocorrência mensal de novos casos de malária e, por cinco meses, não houve registro de novas infecções. Já na região onde predomina o Plasmodium vivax, foi constatado que o tratamento dos 120 pessoas identificadas não implicou em alterações no quadro epidemiológico da comunidade. Desta forma, o estudo aponta que o tratamento dos assintomáticos é útil no controle especÃfico da malária causada por P. falciparum. Saiba mais.
Resistência a inseticidas em vetores da doença de Chagas
A prevenção da doença de Chagas, endemia que atinge pelo menos oito milhões de pessoas na América Latina, é baseada no controle dos vetores por meio de inseticidas piretróides. No entanto, ao longo da última década, diferentes nÃveis de resistência à deltametrina, substância ativa desta classe de quÃmicos, vêm sendo detectadas em populações de barbeiros na Argentina e na BolÃvia. Em busca de alternativas eficazes para controle dos insetos resistentes, pesquisadores do Instituto de Investigações CientÃficas e Técnicas para a Defesa, na Argentina, realizaram testes de toxicidade com inseticidas de diferentes grupos. Os resultados apontaram o fenitrotion e o imidacloprid como as melhores alternativas para o controle das populações do barbeiro Triatoma infestans tanto as resistentes quanto as sensÃveis à deltametrina. Confira todo o artigo.
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Isadora Marinho
01/08/2012
Neste mês, o periódico cientÃfico traz dados inéditos sobre a vulnerabilidade de crianças e jovens de periferia à hepatite A e de populações ribeirinhas da região amazônica à malária
A nova edição da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz já está disponÃvel online e pode ser acessada gratuitamente. Um dos estudos publicados aponta que pelo menos 74% das crianças com até cinco anos estão vulneráveis à infecção por hepatite A na periferia de três grandes capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Manaus e Cuiabá. A publicação aborda, ainda, o papel dos indivÃduos assintomáticos de malária, que servem como fonte de infecção do parasita para os mosquitos transmissores, na incidência de novos casos em vilarejos ribeirinhos da região amazônica. Ainda no rol das doenças negligenciadas, a edição traz um estudo sobre inseticidas alternativos para o controle do barbeiro, vetor da doença de Chagas avanço relevante devido a relatos da ocorrência de populações resistentes à deltametrina, substância presente nos inseticidas piretróides empregados no combate a estes insetos. Já a leishmaniose é foco de estudo que desenvolveu um protocolo mais simples de PCR, voltado para o diagnóstico molecular da forma cutânea da doença e a identificação da espécie do parasita.
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Crianças de periferia vulneráveis à hepatite A
Pesquisadores fazem um alerta à saúde pública: 50% da população infanto-juvenil de baixa renda em três capitais brasileiras estão vulneráveis à infecção pelo vÃrus causador da hepatite A (HAV). Em crianças abaixo dos cinco anos, o Ãndice é mais preocupante: de 74% a 90% correm o risco de contrair a doença. Para o estudo, foram analisados os nÃveis de anticorpos anti-HAV em 1.162 amostras sanguÃneas coletadas de indivÃduos entre 1 e 18 anos residentes na periferia das cidades de Cuiabá (MT), Rio de Janeiro (RJ) e Manaus (AM), onde a doença é endêmica. Os resultados sinalizam a necessidade de revisão do calendário de imunização nacional, que contempla apenas a vacinação contra a hepatite A em áreas de risco. Assinam o artigo pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), de Bio-Manguinhos, da Fiocruz-Manaus, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Secretaria de Saúde Municipal de Cuiabá. Leia-o aqui.
Novo método de diagnóstico
Com o intuito de desenvolver um método de diagnóstico molecular da leishmaniose cutânea mais simples e, ao mesmo tempo, capaz de determinar a espécie do protozoário causador da infecção, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Instituto de Pesquisa ClÃnica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), Fiocruz-Minas, Universidade de BrasÃlia (UnB) e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) desenvolveram um novo protocolo de PCR, seguido de digestão por enzimas de restrição. A técnica utiliza uma porção do gene hsp70 de 234 pares de base como o alvo de análise por reação em cadeia da polimerase (PCR). De acordo com o estudo, além de ser bastante sensÃvel para a detecção do DNA, esta região permite a identificação da espécie do parasito. Na fase de validação do protocolo sugerido, 99 amostras de tecidos de pacientes com a forma cutânea da doença foram submetidas ao novo método. Deste conjunto, 70% tiveram resultado positivo desempenho igual ao obtido a partir do protocolo PCR-ITS1, utilizado por muitos laboratórios. Existem cerca de 20 espécies de Leishmania patogênicas para o homem e a identificação do parasito causador de cada caso é importante para o prognóstico e determinação de esquemas terapêuticos. Atualmente, a detecção da infecção é realizada por meio de pesquisa microscópica de formas amastigotas do parasito em tecidos infectados ou pelo isolamento do parasita em cultura e subsequentes análises, processos é considerados demorados, custoso e impreciso, uma vez que muitas espécies guardam similaridades morfológicas entre si. Confira o artigo.
Malária assintomática: risco para a comunidade?
O homem é um dos hospedeiros do protozoário causador da malária. Em regiões altamente endêmicas, os indivÃduos assintomáticos e que, portanto, não procuram tratamento contra o parasito, podem contribuir para a transmissão da doença dentro da sua própria comunidade. Diante disso, pesquisadores do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical e do Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais de Porto Velho (Ipepatro/Fiocruz), em Rondônia, em conjunto com a Universidade de São Paulo (USP), investigaram a relação entre indivÃduos assintomáticos e o Ãndice de novos casos em vilarejos situados à margem do Rio Madeira. Em uma das localidades, o tratamento de 19 indivÃduos assintomáticos infectados com Plasmodium falciparum levou a uma grande redução na ocorrência mensal de novos casos de malária e, por cinco meses, não houve registro de novas infecções. Já na região onde predomina o Plasmodium vivax, foi constatado que o tratamento dos 120 pessoas identificadas não implicou em alterações no quadro epidemiológico da comunidade. Desta forma, o estudo aponta que o tratamento dos assintomáticos é útil no controle especÃfico da malária causada por P. falciparum. Saiba mais.
Resistência a inseticidas em vetores da doença de Chagas
A prevenção da doença de Chagas, endemia que atinge pelo menos oito milhões de pessoas na América Latina, é baseada no controle dos vetores por meio de inseticidas piretróides. No entanto, ao longo da última década, diferentes nÃveis de resistência à deltametrina, substância ativa desta classe de quÃmicos, vêm sendo detectadas em populações de barbeiros na Argentina e na BolÃvia. Em busca de alternativas eficazes para controle dos insetos resistentes, pesquisadores do Instituto de Investigações CientÃficas e Técnicas para a Defesa, na Argentina, realizaram testes de toxicidade com inseticidas de diferentes grupos. Os resultados apontaram o fenitrotion e o imidacloprid como as melhores alternativas para o controle das populações do barbeiro Triatoma infestans tanto as resistentes quanto as sensÃveis à deltametrina. Confira todo o artigo.
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Isadora Marinho
01/08/2012
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)