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Recomendações para acabar com a Covid-19 como ameaça à saúde pública

Em artigo na ‘Nature’, 386 especialistas listam 57 medidas de consenso para combater a doença. Diretora do IOC é uma das autoras
Por Maíra Menezes07/11/2022 - Atualizado em 17/11/2022

Um artigo publicado na revista 'Nature' apresenta uma lista de 57 recomendações com alto grau de consenso entre especialistas para acabar com a ameaça à saúde pública causada pela Covid-19. O trabalho foi elaborado por um painel composto por 386 cientistas de 112 países.

Liderado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), o estudo conta com a participação de dez cientistas brasileiros, sendo seis da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A diretora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Tania Cremonini de Araujo-Jorge, é uma das autoras da pesquisa.

Divididas em seis áreas, as recomendações destacam a importância de desenvolver uma comunicação efetiva; fortalecer os sistemas de saúde; enfatizar a vacinação, mas não exclusivamente; promover medidas de prevenção; expandir os tratamentos e combater as desigualdades. 

Ameaça persistente e perigosa

Os cientistas listam uma série de fatores que fazem com que a Covid-19 permaneça como uma ameaça persistente e perigosa. Entre outros dados, os pesquisadores destacam que o SARS-CoV-2 provocou mais de 630 milhões de casos e mais de 6,5 milhões de mortes até outubro de 2022.

O vírus também prejudicou o atendimento de outras doenças e causa desafios devido à Covid-19 de longa duração. Além disso, o patógeno vem acumulando mutações, o que pode fazer com que, eventualmente, ele consiga escapar da resposta imune provocada pelas vacinas e por infecções anteriores. 

Segundo os cientistas, “apesar dos notáveis avanços científicos e médicos, a resposta do mundo à Covid-19 foi prejudicada por fatores políticos, sociais e comportamentais mais amplos, como informações falsas, hesitação em se vacinar, coordenação global inconsistente e distribuição desigual de equipamentos, vacinas e tratamentos”.

União contra a pandemia

Neste contexto, entre as recomendações com maior grau de consenso entre os especialistas estão: estratégias que envolvam toda a sociedade e todo o governo no enfrentamento da pandemia; a adoção de uma abordagem “vacinas mais”, que emprega medidas de saúde pública e apoio financeiro para complementar a vacinação; e a melhoria da comunicação para reconstruir a confiança do público e envolver as comunidades na gestão das respostas.

Para chegar às recomendações, os pesquisadores utilizaram a metodologia Delphi, que busca obter consenso sobre respostas para questões de pesquisa complexas. O painel de especialistas teve composição multidisciplinar, com diversidade geográfica e participação de especialistas acadêmicos, de instituições de saúde, governos, organizações não governamentais e outros.

Seguindo a metodologia, as declarações e recomendações foram submetidas a diversas rodadas de avaliação até alcançar um grau de consenso elevado. Das 57 recomendações, 51 tiveram 95% ou mais de aprovação e apenas seis apresentaram divergência superior a 5%. 

Além das recomendações, o artigo traz 41 declarações que expressam consensos sobre o estado atual e os desafios no enfrentamento da pandemia. 

Para os especialistas, “as declarações e recomendações de consenso resultantes podem servir como uma base sólida para a tomada de decisões para acabar com o Covid-19 como uma ameaça à saúde pública e permitir uma retomada mais durável das atividades sociais, culturais, religiosas, políticas, de saúde, econômicas e educativas, com menor ônus para as populações vulneráveis”.

Confira abaixo as 10 principais recomendações e acesse o artigo (em inglês) para ler a lista completa de recomendações e declarações.

1 – Área: Sistemas de saúde. Recomendação:  A preparação e o planejamento de resposta à pandemia devem adotar uma abordagem de toda a sociedade, que inclua várias disciplinas, setores e atores (por exemplo, negócios, sociedade civil, engenharia, comunidades religiosas, modelagem matemática, militares, mídia e psicologia). 

2 – Área: Comunicação. Recomendação: Líderes comunitários, especialistas científicos e autoridades de saúde pública devem colaborar para desenvolver mensagens de saúde pública que construam e aumentem a confiança individual e comunitária e usem os meios preferidos de acesso e comunicação para diferentes populações.

3 – Área: Prevenção. Recomendação: Todos os países devem adotar uma abordagem “vacinas mais”, que inclua uma combinação de vacinação contra a Covid-19, medidas de prevenção, tratamento e incentivos financeiros.

4 – Área: Iniquidades pandêmicas. Recomendação: A preparação e a resposta à pandemia devem abordar as iniquidades sociais e de saúde pré-existentes.

5 – Área: Comunicação. Recomendação: As autoridades de saúde pública devem fazer parcerias com indivíduos e organizações confiáveis em suas comunidades para fornecer informações precisas e acessíveis sobre a pandemia e informar as mudanças de comportamento. 

6 – Área: Vacinação. Recomendação: O financiamento governamental, filantrópico e da indústria deve incluir um foco no desenvolvimento de vacinas que forneçam proteção duradoura contra diversas variantes do SARS-CoV-2. 1

7 – Área: Comunicação. Recomendação: Os profissionais e autoridades de saúde pública devem combater proativamente informações falsas com base em mensagens claras, diretas e culturalmente responsivas, livres de jargões científicos desnecessários. 

8 – Área: Sistemas de saúde. Recomendação: As estratégias de preparação e resposta devem adotar abordagens de todo o governo (por exemplo, coordenação multiministerial) para identificar, revisar e abordar a resiliência nos sistemas de saúde. 

9 – Área: Iniquidades pandêmicas. Recomendação: As organizações globais de comércio e saúde devem se coordenar com os países para negociar a transferência de tecnologias que permitam aos fabricantes de países de baixa e média renda desenvolver vacinas, testes e terapêuticas de qualidade garantida e acessíveis.

10 – Área: Tratamento e cuidados. Recomendação: Promover a colaboração multissetorial para acelerar o desenvolvimento de novas terapias para todas as fases da Covid-19 (por exemplo, ambulatório, hospitalização e Covid longa).

Em artigo na ‘Nature’, 386 especialistas listam 57 medidas de consenso para combater a doença. Diretora do IOC é uma das autoras
Por: 
maira

Um artigo publicado na revista 'Nature' apresenta uma lista de 57 recomendações com alto grau de consenso entre especialistas para acabar com a ameaça à saúde pública causada pela Covid-19. O trabalho foi elaborado por um painel composto por 386 cientistas de 112 países.

Liderado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), o estudo conta com a participação de dez cientistas brasileiros, sendo seis da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A diretora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Tania Cremonini de Araujo-Jorge, é uma das autoras da pesquisa.

Divididas em seis áreas, as recomendações destacam a importância de desenvolver uma comunicação efetiva; fortalecer os sistemas de saúde; enfatizar a vacinação, mas não exclusivamente; promover medidas de prevenção; expandir os tratamentos e combater as desigualdades. 

Ameaça persistente e perigosa

Os cientistas listam uma série de fatores que fazem com que a Covid-19 permaneça como uma ameaça persistente e perigosa. Entre outros dados, os pesquisadores destacam que o SARS-CoV-2 provocou mais de 630 milhões de casos e mais de 6,5 milhões de mortes até outubro de 2022.

O vírus também prejudicou o atendimento de outras doenças e causa desafios devido à Covid-19 de longa duração. Além disso, o patógeno vem acumulando mutações, o que pode fazer com que, eventualmente, ele consiga escapar da resposta imune provocada pelas vacinas e por infecções anteriores. 

Segundo os cientistas, “apesar dos notáveis avanços científicos e médicos, a resposta do mundo à Covid-19 foi prejudicada por fatores políticos, sociais e comportamentais mais amplos, como informações falsas, hesitação em se vacinar, coordenação global inconsistente e distribuição desigual de equipamentos, vacinas e tratamentos”.

União contra a pandemia

Neste contexto, entre as recomendações com maior grau de consenso entre os especialistas estão: estratégias que envolvam toda a sociedade e todo o governo no enfrentamento da pandemia; a adoção de uma abordagem “vacinas mais”, que emprega medidas de saúde pública e apoio financeiro para complementar a vacinação; e a melhoria da comunicação para reconstruir a confiança do público e envolver as comunidades na gestão das respostas.

Para chegar às recomendações, os pesquisadores utilizaram a metodologia Delphi, que busca obter consenso sobre respostas para questões de pesquisa complexas. O painel de especialistas teve composição multidisciplinar, com diversidade geográfica e participação de especialistas acadêmicos, de instituições de saúde, governos, organizações não governamentais e outros.

Seguindo a metodologia, as declarações e recomendações foram submetidas a diversas rodadas de avaliação até alcançar um grau de consenso elevado. Das 57 recomendações, 51 tiveram 95% ou mais de aprovação e apenas seis apresentaram divergência superior a 5%. 

Além das recomendações, o artigo traz 41 declarações que expressam consensos sobre o estado atual e os desafios no enfrentamento da pandemia. 

Para os especialistas, “as declarações e recomendações de consenso resultantes podem servir como uma base sólida para a tomada de decisões para acabar com o Covid-19 como uma ameaça à saúde pública e permitir uma retomada mais durável das atividades sociais, culturais, religiosas, políticas, de saúde, econômicas e educativas, com menor ônus para as populações vulneráveis”.

Confira abaixo as 10 principais recomendações e acesse o artigo (em inglês) para ler a lista completa de recomendações e declarações.

1 – Área: Sistemas de saúde. Recomendação:  A preparação e o planejamento de resposta à pandemia devem adotar uma abordagem de toda a sociedade, que inclua várias disciplinas, setores e atores (por exemplo, negócios, sociedade civil, engenharia, comunidades religiosas, modelagem matemática, militares, mídia e psicologia). 

2 – Área: Comunicação. Recomendação: Líderes comunitários, especialistas científicos e autoridades de saúde pública devem colaborar para desenvolver mensagens de saúde pública que construam e aumentem a confiança individual e comunitária e usem os meios preferidos de acesso e comunicação para diferentes populações.

3 – Área: Prevenção. Recomendação: Todos os países devem adotar uma abordagem “vacinas mais”, que inclua uma combinação de vacinação contra a Covid-19, medidas de prevenção, tratamento e incentivos financeiros.

4 – Área: Iniquidades pandêmicas. Recomendação: A preparação e a resposta à pandemia devem abordar as iniquidades sociais e de saúde pré-existentes.

5 – Área: Comunicação. Recomendação: As autoridades de saúde pública devem fazer parcerias com indivíduos e organizações confiáveis em suas comunidades para fornecer informações precisas e acessíveis sobre a pandemia e informar as mudanças de comportamento. 

6 – Área: Vacinação. Recomendação: O financiamento governamental, filantrópico e da indústria deve incluir um foco no desenvolvimento de vacinas que forneçam proteção duradoura contra diversas variantes do SARS-CoV-2. 1

7 – Área: Comunicação. Recomendação: Os profissionais e autoridades de saúde pública devem combater proativamente informações falsas com base em mensagens claras, diretas e culturalmente responsivas, livres de jargões científicos desnecessários. 

8 – Área: Sistemas de saúde. Recomendação: As estratégias de preparação e resposta devem adotar abordagens de todo o governo (por exemplo, coordenação multiministerial) para identificar, revisar e abordar a resiliência nos sistemas de saúde. 

9 – Área: Iniquidades pandêmicas. Recomendação: As organizações globais de comércio e saúde devem se coordenar com os países para negociar a transferência de tecnologias que permitam aos fabricantes de países de baixa e média renda desenvolver vacinas, testes e terapêuticas de qualidade garantida e acessíveis.

10 – Área: Tratamento e cuidados. Recomendação: Promover a colaboração multissetorial para acelerar o desenvolvimento de novas terapias para todas as fases da Covid-19 (por exemplo, ambulatório, hospitalização e Covid longa).

Edição: 
Vinicius Ferreira

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)