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Schatzmayr: uma contribuição para a ciência e a história

O legado do eminente virologista, falecido em 2010, é lembrado pela comunidade científica do IOC durante a segunda edição do Simpósio que leva seu nome
Por Jornalismo IOC16/05/2013 - Atualizado em 10/12/2019

O legado do eminente virologista, falecido em 2010, é lembrado pela comunidade científica do IOC durante a segunda edição do Simpósio que leva seu nome


Responsável pela implantação de um importante polo de estudo de virologia na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o pesquisador Hermann Schatzmayr chefiou o Departamento de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) durante 26 anos. Sua atuação, no entanto, não esteve restrita aos muros da instituição: Hermann participou de comitês internacionais, foi assessor da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1982, e publicou mais de 200 trabalhos científicos.

Rodrigo Mexas

As pesquisadoras Monika Barth, esposa de Hermann Schatzmayr, Elba Lemos, coordenadora do evento, e Rita Nogueira, durante o II Simpósio Hermann Schatzmayr de Virologia

Para lembrar o legado do eminente virologista, falecido em 2010, a comunidade científica do IOC e de outras instituições se reuniu entre os dias 13 e 15 de maio para o II Simpósio Hermann Schatzmayr de Virologia.

Coordenadora do evento e pesquisadora do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do IOC, Elba Lemos, enfatizou que as atividades do Simpósio foram uma oportunidade importante para intensa troca de conhecimento e experiências. O evento serviu para estimular o intercâmbio entre os participantes, além de permitir aos alunos a oportunidade de mostrarem os resultados de suas pesquisas para a comunidade científica, avaliou.

Cientista e humanista

A contribuição de Hermann Schatzmayr para o estudo do vírus Influenza e o isolamento do vírus da poliomielite foi destacada pelo pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Tadeu Moraes Figueiredo. O conferencista relembrou uma frase dita por Hermann na qual afirmava ter sido um pesquisador que trabalhou pautado por problemas reais, visando a contribuir para o desenvolvimento de soluções em saúde pública e completou: Hermann dedicou mais de 50 anos à pesquisa e foi um dos maiores cientistas acadêmicos que o Brasil já teve na área de virologia, concluiu.

Gutemberg Brito

O pesquisador Luiz Tadeu Moraes Figueiredo da USP apresentou ao público o legado de Hermann Schatzmayr

Já o pesquisador José Rodrigues Coura, chefe do Laboratório de Doenças Parasitárias do IOC, ressaltou a atuação de Schatzmayr no desenvolvimento de sistemas de qualidade nos Laboratórios. Tudo que temos hoje em relação à qualidade nos Laboratórios devemos à iniciativa do Hermann Schatzmayr, afirmou.

Além da atuação brilhante na pesquisa, o lado humano de Schatzmayr também foi lembrado pelo pesquisador Akira Homma, Presidente do Conselho Político e Estratégico de Bio-maguinhos (Fiocruz). Ele foi uma pessoa muito humana e que gostava de ajudar os alunos e vê-los seguir em frente. Esse é o grande legado de Hermann Schatzmayr, declarou Homma.

Poliomielite, influenza e dengue em debate

Durante o encontro, pesquisadores se reuniram na mesa-redonda ‘Situação atual e perspectivas de viroses causadas pelos vírus de influenza, da poliomielite e da dengue’. O chefe do Laboratório de Enterovírus do IOC, Edson Elias da Silva, falou sobre a situação atual da poliomielite no mundo. De acordo com o pesquisador, embora as pessoas acreditem que a doença não existe mais, ainda há regiões endêmicas como Nigéria, Paquistão e Afeganistão, responsáveis por transmitir o vírus selvagem para outras regiões.

Outro problema levantado pelo pesquisador é o poliovírus derivado vacinal que, através de mutações genômicas, pode causar a doença. O poliovírus foi identificado no Haiti e na República Dominicana, despertando a atenção da OMS sobre a possibilidade de novos surtos em áreas com baixa cobertura. Para esse problema, a solução é a própria vacina, que combaterá o vírus originado dela, explicou.

O especialista lembrou ainda que, na década de 90, as Américas ganharam da Organização Mundial de Saúde (OMS) o certificado de erradicação da doença e no Brasil o último caso foi identificado em 1989.

Gutemberg Brito

Discentes e docentes assistem à mesa-redonda 'Situação atual e perspectivas de viroses causadas pelos vírus de influenza, da poliomielite e da dengue’

O vírus da influenza e seu histórico foi o tema de debate da chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC, Marilda Siqueira. Segundo a especialista, a ocorrência vírus Influenza tem sido descrita em surtos de gripe de diferentes momentos da história, como a Gripe Espanhola, em 1918; a Asiática, em 1957; a Hong Kong, em 1968; e as mais recentes como a Aviária, em 2007; e Suína, em 2009.

A pesquisadora explicou, ainda, que as vacinas contra o vírus Influenza precisam ser revistas anualmente em função diferença das cepas circulantes em cada ano. Quando a Organização Mundial de Saúde libera as cepas a serem usadas nas vacinas do próximo ano, é uma corrida contra o tempo não só para quem está nos laboratórios pesquisando, mas também para quem faz a vigilância e para a indústria, explicou.

De acordo com Marilda Siqueira, o Brasil vem adotando modelos de vigilância de síndrome gripal e também de vigilância de síndrome respiratória aguda grave, que vai contar com 119 unidades de saúde para monitorar os pacientes com agravos respiratórios.

O pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e do Escritório Regional de Mato Grosso do Sul da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, apresentou a situação atual e perspectivas da dengue no Brasil, pontuou os determinantes sociológicos da doença e destacou as inovações tecnológicas que atuam na eliminação da dengue, como a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão do vírus da doença. O pesquisador afirmou ser inadmissível as mortes provocadas pela doença. Do ponto de vista epidemiológico, a doença é previsível, mas as mortes podem ser evitadas, finalizou.

Premiação

Durante o evento, estudantes apresentaram seus trabalhos, avaliados por bancas examinadoras que escolheram as melhores apresentações. Do total de premiados, 10 ganharam inscrição para os Congressos da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e da Sociedade Brasileira de Virologia e outros cinco receberam menção honrosa.


Vanessa Sol
16/05/2013


O legado do eminente virologista, falecido em 2010, é lembrado pela comunidade científica do IOC durante a segunda edição do Simpósio que leva seu nome
Por: 
jornalismo

O legado do eminente virologista, falecido em 2010, é lembrado pela comunidade científica do IOC durante a segunda edição do Simpósio que leva seu nome





Responsável pela implantação de um importante polo de estudo de virologia na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o pesquisador Hermann Schatzmayr chefiou o Departamento de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) durante 26 anos. Sua atuação, no entanto, não esteve restrita aos muros da instituição: Hermann participou de comitês internacionais, foi assessor da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1982, e publicou mais de 200 trabalhos científicos.

Rodrigo Mexas

As pesquisadoras Monika Barth, esposa de Hermann Schatzmayr, Elba Lemos, coordenadora do evento, e Rita Nogueira, durante o II Simpósio Hermann Schatzmayr de Virologia

Para lembrar o legado do eminente virologista, falecido em 2010, a comunidade científica do IOC e de outras instituições se reuniu entre os dias 13 e 15 de maio para o II Simpósio Hermann Schatzmayr de Virologia.

Coordenadora do evento e pesquisadora do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do IOC, Elba Lemos, enfatizou que as atividades do Simpósio foram uma oportunidade importante para intensa troca de conhecimento e experiências. O evento serviu para estimular o intercâmbio entre os participantes, além de permitir aos alunos a oportunidade de mostrarem os resultados de suas pesquisas para a comunidade científica, avaliou.



Cientista e humanista



A contribuição de Hermann Schatzmayr para o estudo do vírus Influenza e o isolamento do vírus da poliomielite foi destacada pelo pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Tadeu Moraes Figueiredo. O conferencista relembrou uma frase dita por Hermann na qual afirmava ter sido um pesquisador que trabalhou pautado por problemas reais, visando a contribuir para o desenvolvimento de soluções em saúde pública e completou: Hermann dedicou mais de 50 anos à pesquisa e foi um dos maiores cientistas acadêmicos que o Brasil já teve na área de virologia, concluiu.

Gutemberg Brito

O pesquisador Luiz Tadeu Moraes Figueiredo da USP apresentou ao público o legado de Hermann Schatzmayr

Já o pesquisador José Rodrigues Coura, chefe do Laboratório de Doenças Parasitárias do IOC, ressaltou a atuação de Schatzmayr no desenvolvimento de sistemas de qualidade nos Laboratórios. Tudo que temos hoje em relação à qualidade nos Laboratórios devemos à iniciativa do Hermann Schatzmayr, afirmou.

Além da atuação brilhante na pesquisa, o lado humano de Schatzmayr também foi lembrado pelo pesquisador Akira Homma, Presidente do Conselho Político e Estratégico de Bio-maguinhos (Fiocruz). Ele foi uma pessoa muito humana e que gostava de ajudar os alunos e vê-los seguir em frente. Esse é o grande legado de Hermann Schatzmayr, declarou Homma.



Poliomielite, influenza e dengue em debate



Durante o encontro, pesquisadores se reuniram na mesa-redonda ‘Situação atual e perspectivas de viroses causadas pelos vírus de influenza, da poliomielite e da dengue’. O chefe do Laboratório de Enterovírus do IOC, Edson Elias da Silva, falou sobre a situação atual da poliomielite no mundo. De acordo com o pesquisador, embora as pessoas acreditem que a doença não existe mais, ainda há regiões endêmicas como Nigéria, Paquistão e Afeganistão, responsáveis por transmitir o vírus selvagem para outras regiões.

Outro problema levantado pelo pesquisador é o poliovírus derivado vacinal que, através de mutações genômicas, pode causar a doença. O poliovírus foi identificado no Haiti e na República Dominicana, despertando a atenção da OMS sobre a possibilidade de novos surtos em áreas com baixa cobertura. Para esse problema, a solução é a própria vacina, que combaterá o vírus originado dela, explicou.

O especialista lembrou ainda que, na década de 90, as Américas ganharam da Organização Mundial de Saúde (OMS) o certificado de erradicação da doença e no Brasil o último caso foi identificado em 1989.

Gutemberg Brito

Discentes e docentes assistem à mesa-redonda 'Situação atual e perspectivas de viroses causadas pelos vírus de influenza, da poliomielite e da dengue’

O vírus da influenza e seu histórico foi o tema de debate da chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC, Marilda Siqueira. Segundo a especialista, a ocorrência vírus Influenza tem sido descrita em surtos de gripe de diferentes momentos da história, como a Gripe Espanhola, em 1918; a Asiática, em 1957; a Hong Kong, em 1968; e as mais recentes como a Aviária, em 2007; e Suína, em 2009.

A pesquisadora explicou, ainda, que as vacinas contra o vírus Influenza precisam ser revistas anualmente em função diferença das cepas circulantes em cada ano. Quando a Organização Mundial de Saúde libera as cepas a serem usadas nas vacinas do próximo ano, é uma corrida contra o tempo não só para quem está nos laboratórios pesquisando, mas também para quem faz a vigilância e para a indústria, explicou.

De acordo com Marilda Siqueira, o Brasil vem adotando modelos de vigilância de síndrome gripal e também de vigilância de síndrome respiratória aguda grave, que vai contar com 119 unidades de saúde para monitorar os pacientes com agravos respiratórios.

O pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e do Escritório Regional de Mato Grosso do Sul da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, apresentou a situação atual e perspectivas da dengue no Brasil, pontuou os determinantes sociológicos da doença e destacou as inovações tecnológicas que atuam na eliminação da dengue, como a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão do vírus da doença. O pesquisador afirmou ser inadmissível as mortes provocadas pela doença. Do ponto de vista epidemiológico, a doença é previsível, mas as mortes podem ser evitadas, finalizou.



Premiação



Durante o evento, estudantes apresentaram seus trabalhos, avaliados por bancas examinadoras que escolheram as melhores apresentações. Do total de premiados, 10 ganharam inscrição para os Congressos da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e da Sociedade Brasileira de Virologia e outros cinco receberam menção honrosa.





Vanessa Sol

16/05/2013




Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)