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IOC visita Instituto Nacional de Doenças Parasitárias da China

Estão abertas as possibilidades de cooperação com a entidade, que atua em pesquisa, inovação, referência e coleções biológicas
Por Jornalismo IOC18/02/2011 - Atualizado em 06/12/2024

Do outro lado do mundo, mas com muitas coisas em comum. O Instituto Nacional de Doenças Parasitárias (National Institute for Parasitic Diseases - NIPD-CCDC) da República Popular da China é uma entidade congênere ao Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua em pesquisa, inovação, referência e coleções biológicas na temática das doenças parasitárias. A diretoria do IOC, Tania Araújo-Jorge, foi convidada para conhecer as instalações e atividades do Instituto chinês durante a reunião de trabalho do Tropical Disease Research (TDR) – programa especial de pesquisa e treinamento sobre doenças tropicais da Organização Mundial da Saúde (OMS) – que prepara um relatório global sobre a pesquisa em doenças infecciosas da pobreza.  Em entrevista, ela informa sobre as possibilidades de cooperação.

 

 

 

O Museu de Parasitologia mantido pelo Instituto Nacional de Doenças Parasitárias, na China, foi um dos locais visitados pela diretoria do IOC, Tania Araújo-Jorge, durante a reunião de trabalho do Tropical Disease Research (TDR)

 

Qual o significado dessa visita?

Foi muito interessante aproveitar a oportunidade de trabalho em Xangai e conhecer o Instituto. Eles acumulam a função de pesquisa e de controle de doenças. Se chamam Instituto Nacional de Doenças Parasitárias – Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças – ou Chinese CDC, como eles se referem. O diretor do Instituto, professor Xiao-Nong Zhou, e eu somos membros do mesmo comitê do TDR, e há dois anos já havíamos demonstrado interesse em uma cooperação interinstitucional. Durante a visita, conheci os laboratórios de pesquisa, o biotério, os insetários e o museu de parasitologia que eles mantêm aberto ao público. Acompanhei sua dinâmica de trabalho e sua estrutura. Somos meio século mais velhos, pois o IOC tem 110 anos e eles têm 60. Essa interação entre instituições similares é muito importante, pois permite a percepção dos desafios de gestão que são comuns a diferentes contextos geográficos, políticos e sanitários.

Quais as perspectivas de cooperação?

Como para todas as instituições congêneres, temos que interagir no plano das relações entre os pesquisadores. Conhecer o que eles vêm produzindo, identificar pontos de interesse comum e explorar possibilidades que se apresentam nas parcerias Norte-Sul, ou via BRICs [rede Brasil-Rússia-Índia-China]. O TDR-WHO está justamente fazendo um esforço de defesa do fomento à pesquisa em redes, nas doenças infecciosas da pobreza. Creio que teremos boas oportunidades para interação com o NIPD-CCDC. As portas estão abertas. Já estamos em diálogo sobre o assunto com o Centro de Relações Internacionais da Fiocruz [CRIS/Fiocruz].

O Instituto Nacional de Doenças Parasitárias chinês é muito diferente do Instituto Oswaldo Cruz ou existem similaridades?

As funções de referência e de pesquisa são totalmente imbricadas. Eles funcionam com dez departamentos, sendo três focados nas doenças em que atuam como Centro Colaborador da OMS: esquistosomose; malária; leishmaniose, filariose e equinococose (hidatidose). Os demais departamentos incluem temas como helmintoses transmitidas por solo e alimentos, além de um departamento administrativo e um departamento editorial, focado na publicação de duas revistas: o ‘Chinese Journal of Parasitology and Parasitic Diseases’ e o ‘International Journal of Medical Parasitic Diseases’. O Instituto também conta com alguns laboratórios centrais do Ministério da Saúde chinês, como o Laboratório de Biologia de Vetores e Parasitas. A instituição funciona em dois prédios, bem no centro de Xangai, um mais antigo e um mais recente, numa dimensão muito menor do que a do IOC, pois tem apenas 176 pessoas – sendo 151 profissionais, dos quais 46 titulados e 15 orientadores de teses. Eles trabalham com um volume de 200 projetos. Quando pensamos no IOC, com 250 doutores e 150 orientadores ativos em seis programas de pós-graduação, a diferença fica clara. Mas, justamente pela menor dimensão e maior foco de ação e responsabilidade governamental, eles têm uma estrutura muito racional. Todos os equipamentos são compartilhados entre os diversos laboratórios. Um dos andares concentra essas salas de equipamentos comuns e plataformas instrumentais, especialmente uma para diagnóstico de doenças parasitárias, outra para triagem de drogas e uma rede de informação. O NIPD-CCDC concentra dois Comitês de especialistas consultores do Ministério para Doenças Parasitárias e para Esquistosomose, e também abriga a Sociedade de Parasitologia Médica e a Associação chinesa de Medicina Preventiva. 

A história do Instituto Nacional de Doenças Parasitárias da China possui pontos convergente em relação à trajetória do IOC?

O NIPD-CCDC teve origem a partir do ramo asiático do NIH (National Institute of Health) norte-americano, que se estabeleceu em Nanquim em 1950. Em 1956, o Instituto passou a integrar a Academia Chinesa de Ciências Médicas e hoje é parte do CDC chinês. Depois, ele foi renovado, renomeado, reestruturado e deslocado para Xangai para ser o Instituto Nacional de Doenças Parasitárias - Centro de Controle e Prevenção de Doenças, com orientação global e função nacional, fazendo parte do CDC chinês, que é uma agencia do Ministério da Saúde da China com sede em Pequim.

Como se dá a atividade de um Instituto de Pesquisa em ações de controle de doenças?

Isso é realmente muito diferente, pois no Brasil essa á uma atribuição da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e o IOC integra a rede de apoio e referência da SVS, sendo por ela acionado, mas não o responsável direto. No caso chinês, o Instituto assume a responsabilidade por alguns programas de controle e interage com todo o país para isso, assumindo desafios e recebendo os louros do sucesso das iniciativas que promove. Eles falam em política para integrar pesquisa científica com práticas de controle: a mesma intenção do nosso Ministério da Saúde, mas que encontra dificuldades de outra natureza em nosso país. A integração que eles fazem entre pesquisa de laboratório e de campo é muito similar à que nós fazemos aqui, mas lá os objetivos são resultados práticos, assumidos em nível de governo. Vigilância, condução técnica de atividades de controle, capacitação técnica e intercâmbio, educação em saúde e promoção da saúde: todas são funções descritas para nossos laboratórios de referência, no IOC, e que se mostram similares às que o NIPD-CCDC exerce. As atividades do Instituto chinês inclui as respostas emergenciais a surtos e o suporte técnico para a formulação de estratégias nacionais de planejamento e programas de controle de doenças parasitárias, a implementação e avaliação de programas piloto de educação e de controle, a avaliação dos processos de implementação de medidas de controle – tudo muito similar ao que o IOC faz. A diferença é o nível de inserção, mais direto no âmbito governamental, enquanto o IOC funciona sob demanda do Ministério da Saúde, e com isso diversifica mais sua pesquisa. Lá, como aqui, os profissionais do Instituto estão na vanguarda das ações de campo para as políticas de controle, em todas as partes do país, em barcos, cavalos e outros meios de transporte, conhecendo o coração do país. Como a China também é imensa, os desafios são semelhantes. 

O NIPD-CCDC contabiliza muitos sucessos nas ações de controle?

Em seus 60 anos, eles destacam alguns resultados importantes, como a interrupção de transmissão de esquistossomose nas grandes capitais e nas cidades autônomas em que a doença era endêmica, baixando de 11 milhões para 400 mil casos. Eliminaram a filariose na China. Completaram dois inquéritos nacionais sobre doenças parasitárias para formular políticas com base em indicadores. Geohelmintoses caíram de 5,35 milhões para 1,2 milhões de pessoas, e reduziram as áreas endêmicas para Leishmaniose (Calasar). Também incluem entre suas ações o objetivo de evitar epidemias após desastres naturais e o suporte técnico para assegurar o ambiente seguro e saudável para atividades internacionais de peso, como os Jogos Olímpicos de Pequim e a Exposição Mundial de Xangai. Assim como nós, eles também contabilizam como resultados a captação de recursos nacionais e internacionais para projetos de pesquisa, o depósito de patentes (78, sendo 13 de drogas classe 1), e os diversos prêmios recebidos. Em seus 60 anos, o NIPD-CCDC totaliza 1860 artigos científicos publicados. O IOC totalizou 2600 nos últimos 6 anos. O que me salta aos olhos com a percepção dessas duas realidades é a necessidade imperiosa de articular mais e melhor a produção do IOC com as ações de controle das doenças que estudamos. A Portaria nº 75 de 29/8/2008, da SVS, que reconhece o Instituto Oswaldo Cruz como Centro de Referência Nacional geral para a SVS pode, e deve, ser o ponto de partida para a elaboração de planos integrados de pesquisa e intervenção, algo que permanece a nos desafiar.

E sobre o Museu de Parasitologia mantido pelo Instituto, quais são as suas impressões?

É muito interessante. O museu é o espaço de interlocução do Instituto com a sociedade e de exposição de parte do acervo de suas coleções de parasitas e vetores – são 35 mil espécimes, identificados eletronicamente. Num espaço relativamente pequeno, de 120 m2, no andar térreo do prédio antigo do Instituto, eles organizaram em 2003 um pequeno museu, com os grandes filos de protozoários dos diversos reinos de parasitas humanos. Apresentam em paineis algumas informações e mostram ao público espécimes variados de parasitas humanos, protozoários, trematódeos, cestódeos, nematódeos e artrópodes. No que se refere à disseminação de informação, são apresentados indicadores de prevalência, distribuição e risco das doenças parasitárias, além de um vídeo sobre as estratégias e programas de controle e resultados. Associam os ciclos de transmissão e difundem medidas educativas. O espaço também oferece painéis interativos e material para levar para casa, como um baralho com parasitas e medidas educativas para evitar a contaminação oral e ambiental, além de um cristal com uma imagem de Schistosoma japonicum. Não temos essa vertente no Museu da Vida e me pergunto se não deveríamos nos basear em nossas coleções biológicas para estruturar também um setor de educação focado em doenças infecciosas, ampliando o exemplo da experiência bem sucedida da Sala Costa Lima  para o campo da parasitologia e para nossas outras coleções biológicas.

21/02/11

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Estão abertas as possibilidades de cooperação com a entidade, que atua em pesquisa, inovação, referência e coleções biológicas
Por: 
jornalismo

Do outro lado do mundo, mas com muitas coisas em comum. O Instituto Nacional de Doenças Parasitárias (National Institute for Parasitic Diseases - NIPD-CCDC) da República Popular da China é uma entidade congênere ao Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua em pesquisa, inovação, referência e coleções biológicas na temática das doenças parasitárias. A diretoria do IOC, Tania Araújo-Jorge, foi convidada para conhecer as instalações e atividades do Instituto chinês durante a reunião de trabalho do Tropical Disease Research (TDR) – programa especial de pesquisa e treinamento sobre doenças tropicais da Organização Mundial da Saúde (OMS) – que prepara um relatório global sobre a pesquisa em doenças infecciosas da pobreza.  Em entrevista, ela informa sobre as possibilidades de cooperação.

 

 

 

O Museu de Parasitologia mantido pelo Instituto Nacional de Doenças Parasitárias, na China, foi um dos locais visitados pela diretoria do IOC, Tania Araújo-Jorge, durante a reunião de trabalho do Tropical Disease Research (TDR)

 

Qual o significado dessa visita?

Foi muito interessante aproveitar a oportunidade de trabalho em Xangai e conhecer o Instituto. Eles acumulam a função de pesquisa e de controle de doenças. Se chamam Instituto Nacional de Doenças Parasitárias – Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças – ou Chinese CDC, como eles se referem. O diretor do Instituto, professor Xiao-Nong Zhou, e eu somos membros do mesmo comitê do TDR, e há dois anos já havíamos demonstrado interesse em uma cooperação interinstitucional. Durante a visita, conheci os laboratórios de pesquisa, o biotério, os insetários e o museu de parasitologia que eles mantêm aberto ao público. Acompanhei sua dinâmica de trabalho e sua estrutura. Somos meio século mais velhos, pois o IOC tem 110 anos e eles têm 60. Essa interação entre instituições similares é muito importante, pois permite a percepção dos desafios de gestão que são comuns a diferentes contextos geográficos, políticos e sanitários.

Quais as perspectivas de cooperação?

Como para todas as instituições congêneres, temos que interagir no plano das relações entre os pesquisadores. Conhecer o que eles vêm produzindo, identificar pontos de interesse comum e explorar possibilidades que se apresentam nas parcerias Norte-Sul, ou via BRICs [rede Brasil-Rússia-Índia-China]. O TDR-WHO está justamente fazendo um esforço de defesa do fomento à pesquisa em redes, nas doenças infecciosas da pobreza. Creio que teremos boas oportunidades para interação com o NIPD-CCDC. As portas estão abertas. Já estamos em diálogo sobre o assunto com o Centro de Relações Internacionais da Fiocruz [CRIS/Fiocruz].

O Instituto Nacional de Doenças Parasitárias chinês é muito diferente do Instituto Oswaldo Cruz ou existem similaridades?

As funções de referência e de pesquisa são totalmente imbricadas. Eles funcionam com dez departamentos, sendo três focados nas doenças em que atuam como Centro Colaborador da OMS: esquistosomose; malária; leishmaniose, filariose e equinococose (hidatidose). Os demais departamentos incluem temas como helmintoses transmitidas por solo e alimentos, além de um departamento administrativo e um departamento editorial, focado na publicação de duas revistas: o ‘Chinese Journal of Parasitology and Parasitic Diseases’ e o ‘International Journal of Medical Parasitic Diseases’. O Instituto também conta com alguns laboratórios centrais do Ministério da Saúde chinês, como o Laboratório de Biologia de Vetores e Parasitas. A instituição funciona em dois prédios, bem no centro de Xangai, um mais antigo e um mais recente, numa dimensão muito menor do que a do IOC, pois tem apenas 176 pessoas – sendo 151 profissionais, dos quais 46 titulados e 15 orientadores de teses. Eles trabalham com um volume de 200 projetos. Quando pensamos no IOC, com 250 doutores e 150 orientadores ativos em seis programas de pós-graduação, a diferença fica clara. Mas, justamente pela menor dimensão e maior foco de ação e responsabilidade governamental, eles têm uma estrutura muito racional. Todos os equipamentos são compartilhados entre os diversos laboratórios. Um dos andares concentra essas salas de equipamentos comuns e plataformas instrumentais, especialmente uma para diagnóstico de doenças parasitárias, outra para triagem de drogas e uma rede de informação. O NIPD-CCDC concentra dois Comitês de especialistas consultores do Ministério para Doenças Parasitárias e para Esquistosomose, e também abriga a Sociedade de Parasitologia Médica e a Associação chinesa de Medicina Preventiva. 

A história do Instituto Nacional de Doenças Parasitárias da China possui pontos convergente em relação à trajetória do IOC?

O NIPD-CCDC teve origem a partir do ramo asiático do NIH (National Institute of Health) norte-americano, que se estabeleceu em Nanquim em 1950. Em 1956, o Instituto passou a integrar a Academia Chinesa de Ciências Médicas e hoje é parte do CDC chinês. Depois, ele foi renovado, renomeado, reestruturado e deslocado para Xangai para ser o Instituto Nacional de Doenças Parasitárias - Centro de Controle e Prevenção de Doenças, com orientação global e função nacional, fazendo parte do CDC chinês, que é uma agencia do Ministério da Saúde da China com sede em Pequim.

Como se dá a atividade de um Instituto de Pesquisa em ações de controle de doenças?

Isso é realmente muito diferente, pois no Brasil essa á uma atribuição da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e o IOC integra a rede de apoio e referência da SVS, sendo por ela acionado, mas não o responsável direto. No caso chinês, o Instituto assume a responsabilidade por alguns programas de controle e interage com todo o país para isso, assumindo desafios e recebendo os louros do sucesso das iniciativas que promove. Eles falam em política para integrar pesquisa científica com práticas de controle: a mesma intenção do nosso Ministério da Saúde, mas que encontra dificuldades de outra natureza em nosso país. A integração que eles fazem entre pesquisa de laboratório e de campo é muito similar à que nós fazemos aqui, mas lá os objetivos são resultados práticos, assumidos em nível de governo. Vigilância, condução técnica de atividades de controle, capacitação técnica e intercâmbio, educação em saúde e promoção da saúde: todas são funções descritas para nossos laboratórios de referência, no IOC, e que se mostram similares às que o NIPD-CCDC exerce. As atividades do Instituto chinês inclui as respostas emergenciais a surtos e o suporte técnico para a formulação de estratégias nacionais de planejamento e programas de controle de doenças parasitárias, a implementação e avaliação de programas piloto de educação e de controle, a avaliação dos processos de implementação de medidas de controle – tudo muito similar ao que o IOC faz. A diferença é o nível de inserção, mais direto no âmbito governamental, enquanto o IOC funciona sob demanda do Ministério da Saúde, e com isso diversifica mais sua pesquisa. Lá, como aqui, os profissionais do Instituto estão na vanguarda das ações de campo para as políticas de controle, em todas as partes do país, em barcos, cavalos e outros meios de transporte, conhecendo o coração do país. Como a China também é imensa, os desafios são semelhantes. 

O NIPD-CCDC contabiliza muitos sucessos nas ações de controle?

Em seus 60 anos, eles destacam alguns resultados importantes, como a interrupção de transmissão de esquistossomose nas grandes capitais e nas cidades autônomas em que a doença era endêmica, baixando de 11 milhões para 400 mil casos. Eliminaram a filariose na China. Completaram dois inquéritos nacionais sobre doenças parasitárias para formular políticas com base em indicadores. Geohelmintoses caíram de 5,35 milhões para 1,2 milhões de pessoas, e reduziram as áreas endêmicas para Leishmaniose (Calasar). Também incluem entre suas ações o objetivo de evitar epidemias após desastres naturais e o suporte técnico para assegurar o ambiente seguro e saudável para atividades internacionais de peso, como os Jogos Olímpicos de Pequim e a Exposição Mundial de Xangai. Assim como nós, eles também contabilizam como resultados a captação de recursos nacionais e internacionais para projetos de pesquisa, o depósito de patentes (78, sendo 13 de drogas classe 1), e os diversos prêmios recebidos. Em seus 60 anos, o NIPD-CCDC totaliza 1860 artigos científicos publicados. O IOC totalizou 2600 nos últimos 6 anos. O que me salta aos olhos com a percepção dessas duas realidades é a necessidade imperiosa de articular mais e melhor a produção do IOC com as ações de controle das doenças que estudamos. A Portaria nº 75 de 29/8/2008, da SVS, que reconhece o Instituto Oswaldo Cruz como Centro de Referência Nacional geral para a SVS pode, e deve, ser o ponto de partida para a elaboração de planos integrados de pesquisa e intervenção, algo que permanece a nos desafiar.

E sobre o Museu de Parasitologia mantido pelo Instituto, quais são as suas impressões?

É muito interessante. O museu é o espaço de interlocução do Instituto com a sociedade e de exposição de parte do acervo de suas coleções de parasitas e vetores – são 35 mil espécimes, identificados eletronicamente. Num espaço relativamente pequeno, de 120 m2, no andar térreo do prédio antigo do Instituto, eles organizaram em 2003 um pequeno museu, com os grandes filos de protozoários dos diversos reinos de parasitas humanos. Apresentam em paineis algumas informações e mostram ao público espécimes variados de parasitas humanos, protozoários, trematódeos, cestódeos, nematódeos e artrópodes. No que se refere à disseminação de informação, são apresentados indicadores de prevalência, distribuição e risco das doenças parasitárias, além de um vídeo sobre as estratégias e programas de controle e resultados. Associam os ciclos de transmissão e difundem medidas educativas. O espaço também oferece painéis interativos e material para levar para casa, como um baralho com parasitas e medidas educativas para evitar a contaminação oral e ambiental, além de um cristal com uma imagem de Schistosoma japonicum. Não temos essa vertente no Museu da Vida e me pergunto se não deveríamos nos basear em nossas coleções biológicas para estruturar também um setor de educação focado em doenças infecciosas, ampliando o exemplo da experiência bem sucedida da Sala Costa Lima  para o campo da parasitologia e para nossas outras coleções biológicas.

21/02/11

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Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)