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Prontos para o diagnóstico de chikungunya

Com crescimento de casos importados no país, Instituto integra Rede de Vigilância do Ministério da Saúde. Identificação rápida é fundamental para conter disseminação da doença
Por Maíra Menezes21/07/2014 - Atualizado em 06/12/2024

Com crescimento de casos importados no país, Instituto integra Rede de Vigilância do Ministério da Saúde. Identificação rápida é fundamental para conter disseminação da doença

Referência regional para dengue e febre amarela, o Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) foi designado pelo Ministério da Saúde para realizar também o diagnóstico laboratorial de casos suspeitos de febre chikungunya no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. Comum na África e na Ásia, o vírus começou a se espalhar no Caribe em dezembro do ano passado e, desde então, vem causando epidemias na região. No dia 17 de julho, autoridades americanas divulgaram o primeiro caso de transmissão da doença ocorrido nos Estados Unidos.

A chefe do Laboratório de Flavivírus do IOC, Rita Nogueira, explica que o vírus tem capacidade de se disseminar rapidamente. Por isso, a detecção precoce dos casos é fundamental para conter o avanço da doença. A infecção é considerada de notificação compulsória no Brasil, o que torna obrigatório que os casos suspeitos sejam informados pelos serviços de saúde às autoridades para a adoção de medidas preventivas. Ainda não há transmissão autóctone no país e, até o momento, 20 casos importados foram registrados de acordo com dados do Ministério da Saúde.

 

Gutemberg Brito

 

  Segundo Rita Nogueira, a equipe do Laboratório de Flavivírus do IOC
   se prepara desde 2010 para lidar com a possível chegada do vírus
                                   chikungunya ao Brasil

 

Em sete meses, 300 mil casos no Caribe
Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), até o dia 3 de julho, foram registrados 300 mil casos suspeitos da doença na região do Caribe, com epidemias na República Dominicana, Haiti, Martinica e Guadalupe, além de países da América Central. “O vírus já circula em áreas de fronteira brasileira, como Guiana, Guiana Francesa e Venezuela. Considerando que temos a presença de vetores capazes de transmitir a doença no país, podemos admitir que existe um risco importante”, afirma a virologista, lembrando que um estudo coordenado pelo IOC/Fiocruz em parceria com o Instituto Pasteur, da França, mostrou que os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopicuts presentes no Brasil são altamente capazes de propagar a infecção.

A transmissão da febre chikungunya ocorre quando mosquitos se alimentam do sangue de pessoas doentes, contraindo o vírus e, em seguida, picam outros indivíduos. “Na situação atual do Brasil, a vigilância é o fator mais importante. Logo que um caso é diagnosticado, medidas para combate aos vetores devem ser intensificadas na localidade de residência do paciente no sentido de interromper a transmissão do vírus. Se não for possível impedir a disseminação do chikungunya no Brasil, pelo menos podemos trabalhar para diminuir o impacto sobre a população”, avalia Rita.

Fase de preparação
O interesse dos pesquisadores do Laboratório de Flavivírus do IOC pelo vírus chikungunya teve início em 2010, após a confirmação de um caso importado no país. Devido à similaridade em relação aos sintomas da dengue e de relatos na literatura médica sobre a coinfecção envolvendo dengue e chikungunya, o caso serviu como alerta para a equipe, que passou a acompanhar a disseminação da doença em outros países e buscou apoio de instituições internacionais para implantar os métodos de diagnóstico.

As técnicas moleculares para detectar o material genético do vírus em amostras de pacientes de casos suspeitos foram implantadas no laboratório ainda em 2012. Atualmente os pesquisadores contam também com métodos sorológicos – tanto os chamados testes ‘in house’, elaborados localmente, quanto kits comerciais para avaliação dos níveis de anticorpos IgM e IgG. “Esse tipo de preocupação precisa vir antes da epidemia. Sempre tivemos o compromisso de nos antecipar para conseguir realizar o diagnóstico das infecções que possam vir a acontecer no país no âmbito da abrangência do Laboratório”, ressalta a pesquisadora.

Histórico
O vírus chikungunya foi isolado pela primeira vez na Tanzânia, na África, em 1952. Por três décadas, ele causou surtos esporádicos em países africanos e asiáticos. A partir de 1980, o número de casos tornou-se relativamente baixo. Esse cenário começou a mudar em 2004, quando uma epidemia iniciada na África se espalhou por ilhas do Oceano Índico, afetando cerca de 500 mil pacientes em dois anos. Em 2006, o surto chegou à Índia, onde 1,39 milhões de pessoas foram infectadas. Um ano depois, a transmissão da doença foi identificada na Europa, com 197 casos registrados em um vilarejo na costa da Itália. Informações detalhadas estão disponíveis em

Com crescimento de casos importados no país, Instituto integra Rede de Vigilância do Ministério da Saúde. Identificação rápida é fundamental para conter disseminação da doença
Por: 
maira

Com crescimento de casos importados no país, Instituto integra Rede de Vigilância do Ministério da Saúde. Identificação rápida é fundamental para conter disseminação da doença

Referência regional para dengue e febre amarela, o Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) foi designado pelo Ministério da Saúde para realizar também o diagnóstico laboratorial de casos suspeitos de febre chikungunya no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. Comum na África e na Ásia, o vírus começou a se espalhar no Caribe em dezembro do ano passado e, desde então, vem causando epidemias na região. No dia 17 de julho, autoridades americanas divulgaram o primeiro caso de transmissão da doença ocorrido nos Estados Unidos.

A chefe do Laboratório de Flavivírus do IOC, Rita Nogueira, explica que o vírus tem capacidade de se disseminar rapidamente. Por isso, a detecção precoce dos casos é fundamental para conter o avanço da doença. A infecção é considerada de notificação compulsória no Brasil, o que torna obrigatório que os casos suspeitos sejam informados pelos serviços de saúde às autoridades para a adoção de medidas preventivas. Ainda não há transmissão autóctone no país e, até o momento, 20 casos importados foram registrados de acordo com dados do Ministério da Saúde.

 

Gutemberg Brito

 

  Segundo Rita Nogueira, a equipe do Laboratório de Flavivírus do IOC
   se prepara desde 2010 para lidar com a possível chegada do vírus
                                   chikungunya ao Brasil

 

Em sete meses, 300 mil casos no Caribe
Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), até o dia 3 de julho, foram registrados 300 mil casos suspeitos da doença na região do Caribe, com epidemias na República Dominicana, Haiti, Martinica e Guadalupe, além de países da América Central. “O vírus já circula em áreas de fronteira brasileira, como Guiana, Guiana Francesa e Venezuela. Considerando que temos a presença de vetores capazes de transmitir a doença no país, podemos admitir que existe um risco importante”, afirma a virologista, lembrando que um estudo coordenado pelo IOC/Fiocruz em parceria com o Instituto Pasteur, da França, mostrou que os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopicuts presentes no Brasil são altamente capazes de propagar a infecção.

A transmissão da febre chikungunya ocorre quando mosquitos se alimentam do sangue de pessoas doentes, contraindo o vírus e, em seguida, picam outros indivíduos. “Na situação atual do Brasil, a vigilância é o fator mais importante. Logo que um caso é diagnosticado, medidas para combate aos vetores devem ser intensificadas na localidade de residência do paciente no sentido de interromper a transmissão do vírus. Se não for possível impedir a disseminação do chikungunya no Brasil, pelo menos podemos trabalhar para diminuir o impacto sobre a população”, avalia Rita.

Fase de preparação
O interesse dos pesquisadores do Laboratório de Flavivírus do IOC pelo vírus chikungunya teve início em 2010, após a confirmação de um caso importado no país. Devido à similaridade em relação aos sintomas da dengue e de relatos na literatura médica sobre a coinfecção envolvendo dengue e chikungunya, o caso serviu como alerta para a equipe, que passou a acompanhar a disseminação da doença em outros países e buscou apoio de instituições internacionais para implantar os métodos de diagnóstico.

As técnicas moleculares para detectar o material genético do vírus em amostras de pacientes de casos suspeitos foram implantadas no laboratório ainda em 2012. Atualmente os pesquisadores contam também com métodos sorológicos – tanto os chamados testes ‘in house’, elaborados localmente, quanto kits comerciais para avaliação dos níveis de anticorpos IgM e IgG. “Esse tipo de preocupação precisa vir antes da epidemia. Sempre tivemos o compromisso de nos antecipar para conseguir realizar o diagnóstico das infecções que possam vir a acontecer no país no âmbito da abrangência do Laboratório”, ressalta a pesquisadora.

Histórico
O vírus chikungunya foi isolado pela primeira vez na Tanzânia, na África, em 1952. Por três décadas, ele causou surtos esporádicos em países africanos e asiáticos. A partir de 1980, o número de casos tornou-se relativamente baixo. Esse cenário começou a mudar em 2004, quando uma epidemia iniciada na África se espalhou por ilhas do Oceano Índico, afetando cerca de 500 mil pacientes em dois anos. Em 2006, o surto chegou à Índia, onde 1,39 milhões de pessoas foram infectadas. Um ano depois, a transmissão da doença foi identificada na Europa, com 197 casos registrados em um vilarejo na costa da Itália. Informações detalhadas estão disponíveis em

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)