Alunos da Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular foram premiados por estudos sobre tratamento para doença de Chagas crônica. Outros três discentes receberam menções honrosas
Com resultados complementares que apontam para a possibilidade de reversão dos danos cardÃacos na fase crônica da doença de Chagas, os projetos de pesquisa do doutorando Roberto Rodrigues Ferreira e da mestranda Rayane da Silva Abreu receberam o Prêmio Zigman Brener, concedido pela Sociedade Brasileira de Protozoologia (SBPz). Desenvolvidos no Programa de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), os trabalhos foram destacados na seção de pôsteres da 32ª edição da Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Protozoologia. Realizado de forma integrada à 43ª edição da Reunião Anual da Pesquisa Básica em Doença de Chagas, de 07 a 09/11, em Caxambu, Minas Gerais, o encontro contou com mais de 300 estudos apresentados. Outras três pesquisas de alunos do IOC também foram reconhecidas com menções honrosas.
Foto: Alex Gomes

Roberto e Rayane receberam os prêmios das categorias doutorado e mestrado, respectivamente, na área de biologia da interação parasito-hospedeiro
Realizadas em camundongos, considerados modelos de estudo para a doença de Chagas, as pesquisas indicam que inibir a ação de uma substância inflamatória, chamada de TGF-&946;, pode melhorar o funcionamento do coração, revertendo a fibrose e promovendo a regeneração do tecido cardÃaco na fase crônica do agravo. “Utilizamos um inibidor de TGF-&946;, a molécula GW788388, aplicado em diversas pesquisas e observamos que o tratamento reduziu a deposição de colágeno no coração, que caracteriza a fibrose do tecido. Em exames de eletrocardiografia e ecocardiografia, verificamos a melhora da função cardÃaca dos animais, com aumento da frequência cardÃaca, redução de arritmias e aumento da fração de ejeção ventricular, o que indica maior capacidade de bombeamento do sangue”, explicou Roberto. “Após o tratamento, identificamos um aumento de moléculas consideradas marcadores de novos cardiomiócitos [células musculares cardÃacas] no coração dos animais. Isso indica que a terapia estimula a regeneração do tecido cardÃaco”, contou Rayane.
O caráter complementar das pesquisas foi destacado pela chefe do Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática do IOC, Mariana Caldas Waghabi, orientadora dos estudos. “Enquanto Roberto demonstrou a capacidade de reversão da fibrose cardÃaca, Rayane conseguiu decifrar alguns dos possÃveis mecanismos envolvidos no processo”, enfatizou Mariana. Para os estudantes, o reconhecimento representa um estÃmulo na carreira cientÃfica. “A premiação é muito gratificante e reforça a importância do trabalho desenvolvido no laboratório. Atualmente, não há tratamento para doença de Chagas crônica. A busca por uma terapia é fundamental para os pacientes”, comentou Roberto. “Precisamos lembrar que a doença de Chagas é negligenciada. Nossa pesquisa tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas por esse agravo”, completou Rayane.
Além do Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática, os Laboratórios de Biologia das Interações e de Inovações em Terapias, Ensino e Bioprodutos do IOC e o Instituto de Saúde e Ciências Médicas da França (Inserm, na sigla em francês) colaboraram com as pesquisas premiadas.
Menções honrosas
Três estudantes do IOC também foram reconhecidos com menções honrosas no Prêmio Zigman Brener deste ano. A mestranda Ana Cristina Bombaça foi destacada pelo projeto que investiga a interação entre o mosquito Aedes aegypti e o protozoário Strigomonas culicis, encontrado no interior do intestino do inseto. Realizado na Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular, o estudo é orientado pelo pesquisador Rubem Figueiredo Sadok Menna Barreto, do Laboratório de Biologia Celular. Doutoranda do mesmo programa e técnica do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Samara Graciane da Costa recebeu menção honrosa pelo trabalho de identificação e caracterização dos genes relacionados à enzima digestiva glicosidase no inseto Lutzomyia longipalpis, vetor da leishmaniose. A pesquisa é orientada pelo pesquisador Fernando Ariel Genta, do Laboratório de BioquÃmica e Fisiologia de Insetos. Já o mestrando Leonardo da Silva Lara foi reconhecido pelo estudo que analisa a atividade de compostos derivados da substância naftoquinona contra o parasito Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. O estudo é realizado no Programa de Pós-graduação em Biologia Parasitária e orientado pela pesquisadora Mirian Claudia de Souza Pereira, chefe do Laboratório de Ultraestrutura Celular.
Sobre o prêmio
Concedido desde 2004, o Prêmio Zigman Brener destaca os melhores painéis cientÃficos apresentados durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Protozoologia. Para a premiação, os trabalhos são divididos em três áreas: biologia da interação parasito-hospedeiro, biologia de protozoários e seus vetores e biologia translacional. Em cada área, são selecionados quatro vencedores, considerando as categorias graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, totalizando doze premiados. O número de menções honrosas concedidas varia anualmente. Em 2016, quinze estudos receberam esse reconhecimento.
Reportagem: MaÃra Menezes Edição: Cristiane Albuquerque e VinÃcius Ferreira 18/11/2016
Alunos da Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular foram premiados por estudos sobre tratamento para doença de Chagas crônica. Outros três discentes receberam menções honrosas
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Com resultados complementares que apontam para a possibilidade de reversão dos danos cardÃacos na fase crônica da doença de Chagas, os projetos de pesquisa do doutorando Roberto Rodrigues Ferreira e da mestranda Rayane da Silva Abreu receberam o Prêmio Zigman Brener, concedido pela Sociedade Brasileira de Protozoologia (SBPz). Desenvolvidos no Programa de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), os trabalhos foram destacados na seção de pôsteres da 32ª edição da Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Protozoologia. Realizado de forma integrada à 43ª edição da Reunião Anual da Pesquisa Básica em Doença de Chagas, de 07 a 09/11, em Caxambu, Minas Gerais, o encontro contou com mais de 300 estudos apresentados. Outras três pesquisas de alunos do IOC também foram reconhecidas com menções honrosas.
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Foto: Alex Gomes

Roberto e Rayane receberam os prêmios das categorias doutorado e mestrado, respectivamente, na área de biologia da interação parasito-hospedeiro
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Realizadas em camundongos, considerados modelos de estudo para a doença de Chagas, as pesquisas indicam que inibir a ação de uma substância inflamatória, chamada de TGF-&946;, pode melhorar o funcionamento do coração, revertendo a fibrose e promovendo a regeneração do tecido cardÃaco na fase crônica do agravo. “Utilizamos um inibidor de TGF-&946;, a molécula GW788388, aplicado em diversas pesquisas e observamos que o tratamento reduziu a deposição de colágeno no coração, que caracteriza a fibrose do tecido. Em exames de eletrocardiografia e ecocardiografia, verificamos a melhora da função cardÃaca dos animais, com aumento da frequência cardÃaca, redução de arritmias e aumento da fração de ejeção ventricular, o que indica maior capacidade de bombeamento do sangue”, explicou Roberto. “Após o tratamento, identificamos um aumento de moléculas consideradas marcadores de novos cardiomiócitos [células musculares cardÃacas] no coração dos animais. Isso indica que a terapia estimula a regeneração do tecido cardÃaco”, contou Rayane.
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O caráter complementar das pesquisas foi destacado pela chefe do Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática do IOC, Mariana Caldas Waghabi, orientadora dos estudos. “Enquanto Roberto demonstrou a capacidade de reversão da fibrose cardÃaca, Rayane conseguiu decifrar alguns dos possÃveis mecanismos envolvidos no processo”, enfatizou Mariana. Para os estudantes, o reconhecimento representa um estÃmulo na carreira cientÃfica. “A premiação é muito gratificante e reforça a importância do trabalho desenvolvido no laboratório. Atualmente, não há tratamento para doença de Chagas crônica. A busca por uma terapia é fundamental para os pacientes”, comentou Roberto. “Precisamos lembrar que a doença de Chagas é negligenciada. Nossa pesquisa tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas por esse agravo”, completou Rayane.
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Além do Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática, os Laboratórios de Biologia das Interações e de Inovações em Terapias, Ensino e Bioprodutos do IOC e o Instituto de Saúde e Ciências Médicas da França (Inserm, na sigla em francês) colaboraram com as pesquisas premiadas.
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Menções honrosas
Três estudantes do IOC também foram reconhecidos com menções honrosas no Prêmio Zigman Brener deste ano. A mestranda Ana Cristina Bombaça foi destacada pelo projeto que investiga a interação entre o mosquito Aedes aegypti e o protozoário Strigomonas culicis, encontrado no interior do intestino do inseto. Realizado na Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular, o estudo é orientado pelo pesquisador Rubem Figueiredo Sadok Menna Barreto, do Laboratório de Biologia Celular. Doutoranda do mesmo programa e técnica do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Samara Graciane da Costa recebeu menção honrosa pelo trabalho de identificação e caracterização dos genes relacionados à enzima digestiva glicosidase no inseto Lutzomyia longipalpis, vetor da leishmaniose. A pesquisa é orientada pelo pesquisador Fernando Ariel Genta, do Laboratório de BioquÃmica e Fisiologia de Insetos. Já o mestrando Leonardo da Silva Lara foi reconhecido pelo estudo que analisa a atividade de compostos derivados da substância naftoquinona contra o parasito Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. O estudo é realizado no Programa de Pós-graduação em Biologia Parasitária e orientado pela pesquisadora Mirian Claudia de Souza Pereira, chefe do Laboratório de Ultraestrutura Celular.
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Sobre o prêmio
Concedido desde 2004, o Prêmio Zigman Brener destaca os melhores painéis cientÃficos apresentados durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Protozoologia. Para a premiação, os trabalhos são divididos em três áreas: biologia da interação parasito-hospedeiro, biologia de protozoários e seus vetores e biologia translacional. Em cada área, são selecionados quatro vencedores, considerando as categorias graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, totalizando doze premiados. O número de menções honrosas concedidas varia anualmente. Em 2016, quinze estudos receberam esse reconhecimento.
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Reportagem: MaÃra Menezes Edição: Cristiane Albuquerque e VinÃcius Ferreira 18/11/2016
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Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)