A chegada da primeira geração de mulheres pesquisadoras aos laboratórios foi um dos marcos do segundo quarto de século do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), de 1925 a 1950. Neste perÃodo, o IOC também foi pioneiro na microscopia eletrônica e contribuiu de forma decisiva para o controle da bouba, uma endemia rural negligenciada. Para abrigar a expansão das atividades, foram construÃdos novos pavilhões, de estilo modernista, ampliando o patrimônio arquitetônico do campus de Manguinhos. Confira na segunda reportagem da série especial Linha do tempo: IOC 125 anos.
Acima, a partir da esquerda: Zenaide Block, Maria Isabel Mello, Maria Deane, Alina Perlowagora-Szumlewicz e Jane Lenzi. Abaixo, a partir da esquerda: Rita Alves Cardoso, Bertha Lutz e Peggy Pereira. Fotos: Acervos Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e Instituto de Informação CientÃfica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz). Arte: João Veras
Cientistas pioneiras abriram as portas dos laboratórios do IOC para as mulheres, que hoje são cerca de 60% da força de trabalho do Instituto, ocupando 55% dos cargos de chefia. Uma das primeiras foi Bertha Lutz, que aceitou ser contratada como tradutora, em 1918, para atuar em pesquisas ao lado do pai, Adolpho Lutz, antes de ingressar por concurso no Museu Nacional.
Nos anos 1920, o 'Curso de Aplicação' recebeu as primeiras mulheres. Zenaide Block foi a pioneira, em 1926. O ingresso da primeira geração de pesquisadoras nos laboratórios ocorreu nos anos 1930. Entre elas, a médica patologista Rita Alves Cardoso, que se tornou chefe do Museu do IOC, e a farmacêutica Maria Isabel Mello, que alcançou o cargo de chefe da Seção de Endocrinologia.
Outras mulheres nascidas no começo do século XX marcaram a trajetória do Instituto. A polonesa Alina Perlowagora-Szumlewicz chegou ao Rio de Janeiro fugindo do nazismo, atuou no laboratório da Fundação Rockfeller e no Instituto Nacional de Endemias Rurais (Ineru), que foi integrado à Fiocruz em 1970, concluindo sua carreira no IOC.
Mulheres expoentes da ciência ingressaram no Instituto na retomada cientÃfica dos anos 1980: Maria Deane assumiu o Departamento de Protozoologia; Marguerite (Peggy) Pereira atuou na virologia, especialmente nos estudos do HIV, e Jane Lenzi foi chefe do Laboratório de Patologia, contribuindo na recuperação do Museu da Patologia.
Abaixo, vista do campus entre 1960 e 1970: o Pavilhão Arthur Neiva em primeiro plano e, ao fundo, o Pavilhão Carlos Chagas, de estilo modernista, próximo ao Quinino e ao Pavilhão Mourisco, de estilo eclético. Acima, observam-se o mural de azulejos e paisagismo criados por Burle Marx. Fotos: Acervo COC/Fiocruz. Arte: João Veras
Nos anos 1940 e 1950, construções modernistas foram erguidas no campus de Manguinhos para abrigar a expansão das atividades do IOC. Projetado pelo arquiteto Jorge Ferreira, o Pavilhão Arthur Neiva, também conhecido como Pavilhão de Cursos, conta com mural de azulejos e paisagismo concebidos por Burle Marx. Até hoje, abriga auditório, atividades de ensino e laboratórios.
O mesmo arquiteto foi responsável pelo projeto do Pavilhão do Refeitório Central, que recebeu painel de azulejos do artista Paulo Osir Rossi e foi premiado com menção do júri na 1ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, em 1951. Os dois edifÃcios foram tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) do Rio de Janeiro.
Completam o conjunto modernista: o Pavilhão Carlos Chagas, chamado de Pavilhão de Patologia, que foi projetado pela arquiteta Olenka Freire Greve e sedia diversos laboratórios do IOC, e o Pavilhão Henrique Aragão, identificado como Pavilhão da Febre Amarela, que foi projetado pelo arquiteto Roberto Nadalutti e atualmente integra a estrutura do Instituto de Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).
Reprodução de artigo publicado em 'Memórias', em 1955, e imagens recentes de microscopia eletrônica, coloridas artificialmente, do verme Diomedenema tavaresi (à esquerda) e do parasito Trypanosoma janseni. Autores: Marcelo Knoff, Delir Corrêa Gomes, Jeannie Nascimento dos Santos, Elaine Guerreiro Giese e Ângela Teresa Silva-Souza (D. tavaresi) e Rubem Menna-Barreto (T. janseni). Arte: João Veras
Instalado em 1947, o primeiro microscópio eletrônico do IOC foi também um dos primeiros do Brasil. Com poder de resolução muito superior aos microscópios óticos, o aparelho permitia observar detalhes de estruturas no interior das células e contribuiu, por exemplo, com estudos sobre o bacilo da hansenÃase. Embora este equipamento tenha permanecido pouco tempo em funcionamento, um acordo de cooperação, nos anos 1970, consolidou a atuação do IOC na microscopia eletrônica.
A criação do Centro de Microscopia Eletrônica (CME), em parceria com o Instituto Bernhard Nocht, da Alemanha, incluiu instalação de equipamentos e treinamento de profissionais. A iniciativa está na origem da Plataforma de Microscopia Eletrônica Rudolf Barth, que atualmente atende os laboratórios do Instituto e instituições de todo o paÃs. A estrutura faz parte do conjunto de plataformas multiusuários do IOC, que contam com equipamentos de alto desempenho e equipes especializadas.

Primeiro antibiótico descoberto, a penicilina revolucionou o tratamento das infecções bacterianas. Em 1943, três anos depois da primeira aplicação da terapia na Inglaterra, pesquisadores começaram a produzir o fármaco no IOC. No ano seguinte, publicaram o primeiro artigo sobre tratamento de uma endemia rural negligenciada: a bouba. A doença altamente contagiosa afeta a pele, cartilagem e ossos e era combatida com isolamento dos pacientes em barracões.
De 1945 a 1955, o IOC realizou um programa de tratamento no interior do Rio de Janeiro, que conseguiu controlar a doença protegendo cerca de 30 mil pessoas. Os resultados impressionaram o autor da descoberta da penicilina, Alexander Fleming, durante o congresso promovido pelo cinquentenário do IOC, no Rio, em 1950, e foram apresentados em simpósio internacional da OMS, em 1952, contribuindo para a construção do programa de erradicação do agravo.
No Brasil, a campanha contra a bouba foi coordenada pelo pesquisador do IOC, Felipe Nery Guimarães. Nos anos 1970, a doença deixou de ser registrada no paÃs. Segundo a OMS, a infecção permanece endêmica em 15 paÃses. A meta atual é extinguir a bouba até 2030.
Em seu terceiro quarto de século, de 1950 a 1975, o IOC teve papel fundamental para a erradicação da varÃola, mas foi duramente atingido pela ditadura militar, que cassou pesquisadores da casa. A criação da Fiocruz deu inÃcio a uma nova fase do Instituto. Saiba mais na próxima reportagem da série especial ‘Linha do tempo: IOC 125 anos’.
:: Veja as principais referências bibliográficas consultadas para a produção das reportagens.
:: Confira outras matérias sobre os 125 anos do IOC na página especial do Jubileu Secular de Prata.
A chegada da primeira geração de mulheres pesquisadoras aos laboratórios foi um dos marcos do segundo quarto de século do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), de 1925 a 1950. Neste perÃodo, o IOC também foi pioneiro na microscopia eletrônica e contribuiu de forma decisiva para o controle da bouba, uma endemia rural negligenciada. Para abrigar a expansão das atividades, foram construÃdos novos pavilhões, de estilo modernista, ampliando o patrimônio arquitetônico do campus de Manguinhos. Confira na segunda reportagem da série especial Linha do tempo: IOC 125 anos.Â
Acima, a partir da esquerda: Zenaide Block, Maria Isabel Mello, Maria Deane, Alina Perlowagora-Szumlewicz e Jane Lenzi. Abaixo, a partir da esquerda: Rita Alves Cardoso, Bertha Lutz e Peggy Pereira. Fotos: Acervos Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e Instituto de Informação CientÃfica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz). Arte: João Veras
Cientistas pioneiras abriram as portas dos laboratórios do IOC para as mulheres, que hoje são cerca de 60% da força de trabalho do Instituto, ocupando 55% dos cargos de chefia. Uma das primeiras foi Bertha Lutz, que aceitou ser contratada como tradutora, em 1918, para atuar em pesquisas ao lado do pai, Adolpho Lutz, antes de ingressar por concurso no Museu Nacional.
Nos anos 1920, o 'Curso de Aplicação' recebeu as primeiras mulheres. Zenaide Block foi a pioneira, em 1926. O ingresso da primeira geração de pesquisadoras nos laboratórios ocorreu nos anos 1930. Entre elas, a médica patologista Rita Alves Cardoso, que se tornou chefe do Museu do IOC, e a farmacêutica Maria Isabel Mello, que alcançou o cargo de chefe da Seção de Endocrinologia.
Outras mulheres nascidas no começo do século XX marcaram a trajetória do Instituto. A polonesa Alina Perlowagora-Szumlewicz chegou ao Rio de Janeiro fugindo do nazismo, atuou no laboratório da Fundação Rockfeller e no Instituto Nacional de Endemias Rurais (Ineru), que foi integrado à Fiocruz em 1970, concluindo sua carreira no IOC.
Mulheres expoentes da ciência ingressaram no Instituto na retomada cientÃfica dos anos 1980: Maria Deane assumiu o Departamento de Protozoologia; Marguerite (Peggy) Pereira atuou na virologia, especialmente nos estudos do HIV, e Jane Lenzi foi chefe do Laboratório de Patologia, contribuindo na recuperação do Museu da Patologia.Â
Abaixo, vista do campus entre 1960 e 1970: o Pavilhão Arthur Neiva em primeiro plano e, ao fundo, o Pavilhão Carlos Chagas, de estilo modernista, próximo ao Quinino e ao Pavilhão Mourisco, de estilo eclético. Acima, observam-se o mural de azulejos e paisagismo criados por Burle Marx. Fotos: Acervo COC/Fiocruz. Arte: João Veras
Nos anos 1940 e 1950, construções modernistas foram erguidas no campus de Manguinhos para abrigar a expansão das atividades do IOC. Projetado pelo arquiteto Jorge Ferreira, o Pavilhão Arthur Neiva, também conhecido como Pavilhão de Cursos, conta com mural de azulejos e paisagismo concebidos por Burle Marx. Até hoje, abriga auditório, atividades de ensino e laboratórios.
O mesmo arquiteto foi responsável pelo projeto do Pavilhão do Refeitório Central, que recebeu painel de azulejos do artista Paulo Osir Rossi e foi premiado com menção do júri na 1ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, em 1951. Os dois edifÃcios foram tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) do Rio de Janeiro.
Completam o conjunto modernista: o Pavilhão Carlos Chagas, chamado de Pavilhão de Patologia, que foi projetado pela arquiteta Olenka Freire Greve e sedia diversos laboratórios do IOC, e o Pavilhão Henrique Aragão, identificado como Pavilhão da Febre Amarela, que foi projetado pelo arquiteto Roberto Nadalutti e atualmente integra a estrutura do Instituto de Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).Â
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Reprodução de artigo publicado em 'Memórias', em 1955, e imagens recentes de microscopia eletrônica, coloridas artificialmente, do verme Diomedenema tavaresi (à esquerda) e do parasito Trypanosoma janseni. Autores: Marcelo Knoff, Delir Corrêa Gomes, Jeannie Nascimento dos Santos, Elaine Guerreiro Giese e Ângela Teresa Silva-Souza (D. tavaresi) e Rubem Menna-Barreto (T. janseni). Arte: João Veras
Instalado em 1947, o primeiro microscópio eletrônico do IOC foi também um dos primeiros do Brasil. Com poder de resolução muito superior aos microscópios óticos, o aparelho permitia observar detalhes de estruturas no interior das células e contribuiu, por exemplo, com estudos sobre o bacilo da hansenÃase. Embora este equipamento tenha permanecido pouco tempo em funcionamento, um acordo de cooperação, nos anos 1970, consolidou a atuação do IOC na microscopia eletrônica.
A criação do Centro de Microscopia Eletrônica (CME), em parceria com o Instituto Bernhard Nocht, da Alemanha, incluiu instalação de equipamentos e treinamento de profissionais. A iniciativa está na origem da Plataforma de Microscopia Eletrônica Rudolf Barth, que atualmente atende os laboratórios do Instituto e instituições de todo o paÃs. A estrutura faz parte do conjunto de plataformas multiusuários do IOC, que contam com equipamentos de alto desempenho e equipes especializadas. Â
 
Primeiro antibiótico descoberto, a penicilina revolucionou o tratamento das infecções bacterianas. Em 1943, três anos depois da primeira aplicação da terapia na Inglaterra, pesquisadores começaram a produzir o fármaco no IOC. No ano seguinte, publicaram o primeiro artigo sobre tratamento de uma endemia rural negligenciada: a bouba. A doença altamente contagiosa afeta a pele, cartilagem e ossos e era combatida com isolamento dos pacientes em barracões.
De 1945 a 1955, o IOC realizou um programa de tratamento no interior do Rio de Janeiro, que conseguiu controlar a doença protegendo cerca de 30 mil pessoas. Os resultados impressionaram o autor da descoberta da penicilina, Alexander Fleming, durante o congresso promovido pelo cinquentenário do IOC, no Rio, em 1950, e foram apresentados em simpósio internacional da OMS, em 1952, contribuindo para a construção do programa de erradicação do agravo.
No Brasil, a campanha contra a bouba foi coordenada pelo pesquisador do IOC, Felipe Nery Guimarães. Nos anos 1970, a doença deixou de ser registrada no paÃs. Segundo a OMS, a infecção permanece endêmica em 15 paÃses. A meta atual é extinguir a bouba até 2030.Â
Em seu terceiro quarto de século, de 1950 a 1975, o IOC teve papel fundamental para a erradicação da varÃola, mas foi duramente atingido pela ditadura militar, que cassou pesquisadores da casa. A criação da Fiocruz deu inÃcio a uma nova fase do Instituto. Saiba mais na próxima reportagem da série especial ‘Linha do tempo: IOC 125 anos’.
:: Veja as principais referências bibliográficas consultadas para a produção das reportagens.
:: Confira outras matérias sobre os 125 anos do IOC na página especial do Jubileu Secular de Prata.
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)