A bem-sucedida campanha de erradicação da varÃola contou com a contribuição fundamental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), principal responsável pela produção da vacina no Brasil. No entanto, o terceiro quarto de séculoda instituição também foi marcado pelo ataque da ditadura militar à ciência, com a cassação de dez pesquisadores. Uma nova fase institucional se iniciou com a criação da Fiocruz, que integrou órgãos da saúde pública. Saiba mais sobre estes marcos históricos na terceira reportagem da série especial Linha do tempo: IOC 125 anos, que aborda os anos de 1950 a 1975.
Registros da campanha de vacinação que mobilizou o paÃs: mulher sendo vacinada em São LuÃs, Maranhão, e multidão reunida para imunização em ItajaÃ, Santa Catarina, em 1970. Fotos: Acervo COC/Fiocruz. Arte: João Veras
A varÃola foi a primeira doença erradicada no planeta e, até hoje, a única. No Brasil, o IOC foi o maior responsável pela produção da vacina contra o agravo. O imunizante era um produto antigo, fabricado no paÃs desde os tempos do Instituto VacÃnico, do barão de Pedro Affonso, primeiro diretor do IOC. Porém, a produção precisava ser modernizada para dar conta da campanha nacional de vacinação em massa.
Com novos equipamentos comprados por meio de convênio com a Opas e técnicas aprimoradas a partir de experiências de outros paÃses e pesquisas locais, o IOC passou a contar com duas linhas de produção da vacina, utilizando vitelos e ovos. Testes de campo confirmaram que os produtos preparados pelo Instituto eram tão eficazes quanto os dos Estados Unidos. Em nove anos, de 1962 a 1971, o IOC produziu cerca de 200 milhões de doses da vacina. A varÃola foi extinta no Brasil em 1971 e declarada globalmente erradicada em 1980.
NotÃcias jornais sobre a cassação dos pesquisadores do IOC e a mobilização a favor dos cientistas, reunidas pelo pesquisador Herman Lent, autor do livro 'O massacre de Manguinhos'. Foto: Acervo COC/Fiocruz. Arte: João Veras
Em 1º de abril de 1970, com base no Ato Institucional nº 5 (AI-5), oito pesquisadores do IOC tiveram seus direitos polÃticos cassados pela Ditadura Militar. No dia 6 de abril, o decreto que determinou a aposentadoria dos cientistas incluiu mais dois nomes no grupo, elevando para dez o total de atingidos pelo ‘massacre de Manguinhos’.
Foram cassados: Augusto Perissé, Domingos Arthur Machado, Fernando Braga Ubatuba, Haity Moussatché, Herman Lent, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Moacyr Vaz de Andrade, Sebastião José de Oliveira e Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.
O IOC perdeu 14% do seu quadro de pesquisadores. Mais que isso, os cientistas afastados eram lÃderes de grupos de pesquisa, ultrapassando 20 ou 30 anos de atuação. A perseguição polÃtica extinguiu linhas de estudo, afetou a formação de estudantes e desmantelou coleções biológicas, mergulhando o IOC numa profunda crise institucional e financeira. O episódio ficou conhecido como 'massacre de Manguinhos', termo cunhado por Herman Lent no livro homônimo, lançado em 1978.
A cassação dos pesquisadores do IOC se deu num contexto de ataques da ditadura militar à ciência, que incluiu prisões, exÃlios e desestruturação de universidade e instituições cientÃficas. A Comissão Nacional da Verdade estima entre 800 e mil o número de pesquisadores perseguidos pelo regime.
Também conhecido como Castelo da Fiocruz, o Pavilhão Mourisco tornou-se o sÃmbolo da instituição. Foto: Peter Ilicciev/Fiocruz Imagens. Arte: João Veras
Em 22 de maio de 1970, a Fundação de Recursos Humanos para a Saúde foi transformada em Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). A nova instituição reuniu diversos órgãos do Ministério da Saúde: o IOC, considerado como cellula mater da Fiocruz; o Serviço de Produtos Profiláticos e os Institutos Fernandes Figueira, Evandro Chagas, de Leprologia e Nacional de Endemias Rurais. Em 1974, a instituição passou a se chamar Fundação Oswaldo Cruz (mantendo o acrônimo Fiocruz).
Inicialmente marcado pela carência de recursos, o cenário da instituição começou a mudar na segunda metade da década, quando a epidemia de meningite deixou clara a vulnerabilidade do paÃs na saúde pública e foi iniciada uma nova polÃtica de ciência e tecnologia, que colocou a recuperação de Manguinhos como prioridade.
Os anos seguintes foram marcados pela retomada cientÃfica, a volta da democracia e a atuação central em novos desafios da saúde pública, como a chegada da dengue e do HIV ao Brasil. Confira na próxima reportagem da da série especial ‘Linha do tempo: IOC 125 anos’.
:: Veja as principais referências bibliográficas consultadas para a produção das reportagens.
:: Confira outras matérias sobre os 125 anos do IOC na página especial do Jubileu Secular de Prata.
A bem-sucedida campanha de erradicação da varÃola contou com a contribuição fundamental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), principal responsável pela produção da vacina no Brasil. No entanto, o terceiro quarto de séculoda instituição também foi marcado pelo ataque da ditadura militar à ciência, com a cassação de dez pesquisadores. Uma nova fase institucional se iniciou com a criação da Fiocruz, que integrou órgãos da saúde pública. Saiba mais sobre estes marcos históricos na terceira reportagem da série especial Linha do tempo: IOC 125 anos, que aborda os anos de 1950 a 1975. Â
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Registros da campanha de vacinação que mobilizou o paÃs: mulher sendo vacinada em São LuÃs, Maranhão, e multidão reunida para imunização em ItajaÃ, Santa Catarina, em 1970. Fotos: Acervo COC/Fiocruz. Arte: João Veras
A varÃola foi a primeira doença erradicada no planeta e, até hoje, a única. No Brasil, o IOC foi o maior responsável pela produção da vacina contra o agravo. O imunizante era um produto antigo, fabricado no paÃs desde os tempos do Instituto VacÃnico, do barão de Pedro Affonso, primeiro diretor do IOC. Porém, a produção precisava ser modernizada para dar conta da campanha nacional de vacinação em massa.
Com novos equipamentos comprados por meio de convênio com a Opas e técnicas aprimoradas a partir de experiências de outros paÃses e pesquisas locais, o IOC passou a contar com duas linhas de produção da vacina, utilizando vitelos e ovos. Testes de campo confirmaram que os produtos preparados pelo Instituto eram tão eficazes quanto os dos Estados Unidos. Em nove anos, de 1962 a 1971, o IOC produziu cerca de 200 milhões de doses da vacina. A varÃola foi extinta no Brasil em 1971 e declarada globalmente erradicada em 1980.Â
NotÃcias jornais sobre a cassação dos pesquisadores do IOC e a mobilização a favor dos cientistas, reunidas pelo pesquisador Herman Lent, autor do livro 'O massacre de Manguinhos'. Foto: Acervo COC/Fiocruz. Arte: João Veras
Em 1º de abril de 1970, com base no Ato Institucional nº 5 (AI-5), oito pesquisadores do IOC tiveram seus direitos polÃticos cassados pela Ditadura Militar. No dia 6 de abril, o decreto que determinou a aposentadoria dos cientistas incluiu mais dois nomes no grupo, elevando para dez o total de atingidos pelo ‘massacre de Manguinhos’.
Foram cassados: Augusto Perissé, Domingos Arthur Machado, Fernando Braga Ubatuba, Haity Moussatché, Herman Lent, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Moacyr Vaz de Andrade, Sebastião José de Oliveira e Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.Â
O IOC perdeu 14% do seu quadro de pesquisadores. Mais que isso, os cientistas afastados eram lÃderes de grupos de pesquisa, ultrapassando 20 ou 30 anos de atuação. A perseguição polÃtica extinguiu linhas de estudo, afetou a formação de estudantes e desmantelou coleções biológicas, mergulhando o IOC numa profunda crise institucional e financeira. O episódio ficou conhecido como 'massacre de Manguinhos', termo cunhado por Herman Lent no livro homônimo, lançado em 1978.
A cassação dos pesquisadores do IOC se deu num contexto de ataques da ditadura militar à ciência, que incluiu prisões, exÃlios e desestruturação de universidade e instituições cientÃficas. A Comissão Nacional da Verdade estima entre 800 e mil o número de pesquisadores perseguidos pelo regime.
Também conhecido como Castelo da Fiocruz, o Pavilhão Mourisco tornou-se o sÃmbolo da instituição. Foto: Peter Ilicciev/Fiocruz Imagens. Arte: João Veras
Em 22 de maio de 1970, a Fundação de Recursos Humanos para a Saúde foi transformada em Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). A nova instituição reuniu diversos órgãos do Ministério da Saúde: o IOC, considerado como cellula mater da Fiocruz; o Serviço de Produtos Profiláticos e os Institutos Fernandes Figueira, Evandro Chagas, de Leprologia e Nacional de Endemias Rurais. Em 1974, a instituição passou a se chamar Fundação Oswaldo Cruz (mantendo o acrônimo Fiocruz). Â
Inicialmente marcado pela carência de recursos, o cenário da instituição começou a mudar na segunda metade da década, quando a epidemia de meningite deixou clara a vulnerabilidade do paÃs na saúde pública e foi iniciada uma nova polÃtica de ciência e tecnologia, que colocou a recuperação de Manguinhos como prioridade.
Os anos seguintes foram marcados pela retomada cientÃfica, a volta da democracia e a atuação central em novos desafios da saúde pública, como a chegada da dengue e do HIV ao Brasil. Confira na próxima reportagem da  da série especial ‘Linha do tempo: IOC 125 anos’.
:: Veja as principais referências bibliográficas consultadas para a produção das reportagens.
:: Confira outras matérias sobre os 125 anos do IOC na página especial do Jubileu Secular de Prata.
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)