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2000 a 2025: enfrentamento de emergências sanitárias e olhar para o futuro

Atuando na linha de frente das mais recentes crises de saúde pública, Instituto reafirma o compromisso com a ciência e a saúde
Por Maíra Menezes14/10/2025 - Atualizado em 31/10/2025

Completando 125 anos, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) atualizou democraticamente sua missão institucional, reafirmando o compromisso de “produzir ciência e promover a saúde em benefício da sociedade e do fortalecimento do SUS”. Entre os marcos do mais recente quarto de século, estão ações na linha de frente de diversas emergências sanitárias, incluindo H1N1, Zika, febre amarela e Covid-19. A quinta reportagem da série especial Linha do tempo: IOC 125 anos destaca ainda dados sobre a atuação do IOC, que mostram a potência da unidade nos seus diversos campos de atuação, incluindo pesquisa, inovação, ensino, divulgação científica, serviços de referência e coleções biológicas. Que venham mais 125 anos!

A partir da esquerda, em sentido horário: teste de método para controle de vetores das leishmanioses no Sudeste, pesquisa sobre malária e parasitoses intestinais em aldeia Yanomami no Amazonas e investigação sobre microrganismos no solo da Antártica. Fotos: Gutemberg Brito e Acervo pessoal. Arte: João Veras  

Nos anos 2000, o termo ‘Saúde Única’ ganhou força nas discussões globais reforçando a necessidade da abordagem integrada entre saúde humana, animal e ambiental. Presente na raiz das atividades do IOC, esta perspectiva permanece forte, como mostrou levantamento realizado em 2021, que mapeou atuação do Instituto em pesquisas de campo na interface entre ambiente e saúde em 25 estados, incluindo desde áreas rurais, indígenas e silvestres até grandes centros urbanos.

As zoonoses, doenças transmitidas de animais para seres humanos, são um tema importante destes estudos, que contemplam a interação entre patógenos, animais reservatórios, vetores, fatores ambientais, climáticos e socioeconômicos. No foco das pesquisas do IOC destacam-se, por exemplo, doenças zoonóticas como esquistossomose, hantaviroses e leptospirose, entre muitas outras.

Outras temáticas colocam o Instituto na vanguarda da Saúde Única, incluindo a atuação em malária, resistência bacteriana a antibióticos, contaminação ambiental e mudanças climáticas. 

 
Representantes do IOC, Fiocruz, Ministério da Saúde e Opas com profissionais de sete países capacitados para detecção do vírus Mpox em treinamento ministrado por especialistas do Instituto. Foto: Gutemberg Brito. Arte: João Veras

O Instituto teve papel destacado nas crises sanitárias mais recentes no Brasil, incluindo influenza A H1N1, Zika, febre amarela e Mpox, além da Covid-19. Esteve de prontidão ainda contra o vírus ebola, esclarecendo casos suspeitos do agravo no país. Além de desenvolver pesquisas científicas, o IOC atuou como referência no diagnóstico laboratorial e na vigilância de vetores, ministrando capacitações e desenvolvendo metodologias.

Em 2009, o IOC sequenciou os primeiros genomas do H1N1 no Brasil. Em 2015, realizou a primeira detecção do vírus Zika no líquido amniótico de gestantes em casos de microcefalia e confirmou o papel do mosquito Aedes aegypti como principal vetor do vírus no país. Em 2017, durante o maior surto de febre amarela em quase 80 anos, identificou os mosquitos silvestres transmissores do agravo e realizou o sequenciamento genético completo do vírus associado ao surto, identificando mutações inéditas. Frente à disseminação do Mpox em 2022, especialistas do Instituto implementaram as técnicas para diagnóstico laboratorial da infecção e isolaram o vírus, registrando em imagens de microscopia a sua estrutura detalhada. 

Amostra com fragmento do coronavírus identificado em Wuhan, na China, recebida pelo IOC em janeiro de 2020 para reforçar procedimentos de diagnóstico. Foto: Josué Damacena. Arte: João Veras 

O IOC esteve na linha de frente da resposta brasileira à pandemia de Covid-19. Reconhecido como referência para o Brasil e as Américas, o Instituto implementou e desenvolveu metodologias para diagnóstico e capacitou profissionais. Atuando no monitoramento do genoma do SARS-CoV-2, teve duas pesquisadoras nomeadas para o grupo consultivo técnico da OMS.

Pesquisas do IOC tiveram impacto nas políticas de saúde, abordando vigilância em esgotos, padrões de disseminação do coronavírus, eficácia das máscaras, medicamentos antivirais, efeitos da infecção no organismo e consequências da pandemia para a saúde mental, além de chamar atenção para o aumento na resistência bacteriana aos antibióticos. A Vitrine Tecnológica Covid-19 deu visibilidade às inovações desenvolvidas.

No campo da educação, o IOC reestruturou suas atividades de ensino no ambiente online e implantou uma plataforma para apoio a educadores. Assim como toda a sociedade, o Instituto sofreu perdas, com mortes de trabalhadores e estudantes devido à doença. O IOC se mantém ativo na vigilância da Covid-19, monitorando a circulação da doença e a emergência de variantes virais.  

 
Alguns números do IOC em 2025, na celebração de seu Jubileu Secular de Prata. Arte: João Veras

Em 25 de maio de 2025, em data de aniversário compartilhada com a Fiocruz, o IOC completou 125 anos, celebrando seu Jubileu Secular de Prata. Os números não contam toda a história, mas ajudam a vislumbrar a potência do IOC ao olhar para ao futuro.

São 66 laboratórios de pesquisa, submetidos ao processo periódico de credenciamento, com avaliação externa, para promover a excelência científica, além de dez plataformas tecnológicas, com equipamentos de alto desempenho e equipes especializadas. Nos últimos dez anos (de 2015 a 2024) foram mais de 6.800 artigos publicados em periódicos, incluindo trabalhos que descreveram 260 novas espécies e 13 novos gêneros. O processo de inovação resultou em 27 tecnologias protegidas, com 66 patentes concedidas e 47 pedidos de patentes em tramitação.

Vinte e três laboratórios do IOC desempenham serviços de referência para o Ministério da Saúde, sendo que nove atuam no âmbito internacional junto à Opas e à OMS. Dois ambulatórios especializados são mantidos por laboratórios de referência. 

Vinte coleções biológicas estão sob a guarda do Instituto, preservando milhões de espécimes microbiológicos, zoológicos e materiais biológicos de patologia. No ensino, são mais de 4 mil mestres e doutores formados e 855 estudantes matriculados em sete programas de pós-graduação Stricto sensu, além de quatro cursos de especialização Lato sensu e dois de nível médio, com 112 alunos atualmente inscritos. Ultrapassando a marca de 115 anos, a revista ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’ publicou mais de 7 mil artigos.  

Atualizada de forma democrática em abril, através de debates no '7º Encontro do IOC' e votação pelo Conselho Deliberativo, a missão do Instituto afirma: produzir ciência e promover a saúde em benefício da sociedade e do fortalecimento do SUS.

Viva o IOC! Viva a Fiocruz! Viva o SUS!

:: Confira as principais referências bibliográficas consultadas para a produção da série especial 'Linha do tempo: IOC 125 anos'.

:: Veja outras matérias sobre os 125 anos do IOC na página especial do Jubileu Secular de Prata.

Atuando na linha de frente das mais recentes crises de saúde pública, Instituto reafirma o compromisso com a ciência e a saúde
Por: 
maira

Completando 125 anos, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) atualizou democraticamente sua missão institucional, reafirmando o compromisso de “produzir ciência e promover a saúde em benefício da sociedade e do fortalecimento do SUS”. Entre os marcos do mais recente quarto de século, estão ações na linha de frente de diversas emergências sanitárias, incluindo H1N1, Zika, febre amarela e Covid-19. A quinta reportagem da série especial Linha do tempo: IOC 125 anos destaca ainda dados sobre a atuação do IOC, que mostram a potência da unidade nos seus diversos campos de atuação, incluindo pesquisa, inovação, ensino, divulgação científica, serviços de referência e coleções biológicas. Que venham mais 125 anos!

A partir da esquerda, em sentido horário: teste de método para controle de vetores das leishmanioses no Sudeste, pesquisa sobre malária e parasitoses intestinais em aldeia Yanomami no Amazonas e investigação sobre microrganismos no solo da Antártica. Fotos: Gutemberg Brito e Acervo pessoal. Arte: João Veras  

Nos anos 2000, o termo ‘Saúde Única’ ganhou força nas discussões globais reforçando a necessidade da abordagem integrada entre saúde humana, animal e ambiental. Presente na raiz das atividades do IOC, esta perspectiva permanece forte, como mostrou levantamento realizado em 2021, que mapeou atuação do Instituto em pesquisas de campo na interface entre ambiente e saúde em 25 estados, incluindo desde áreas rurais, indígenas e silvestres até grandes centros urbanos.

As zoonoses, doenças transmitidas de animais para seres humanos, são um tema importante destes estudos, que contemplam a interação entre patógenos, animais reservatórios, vetores, fatores ambientais, climáticos e socioeconômicos. No foco das pesquisas do IOC destacam-se, por exemplo, doenças zoonóticas como esquistossomose, hantaviroses e leptospirose, entre muitas outras.

Outras temáticas colocam o Instituto na vanguarda da Saúde Única, incluindo a atuação em malária, resistência bacteriana a antibióticos, contaminação ambiental e mudanças climáticas. 

 
Representantes do IOC, Fiocruz, Ministério da Saúde e Opas com profissionais de sete países capacitados para detecção do vírus Mpox em treinamento ministrado por especialistas do Instituto. Foto: Gutemberg Brito. Arte: João Veras

O Instituto teve papel destacado nas crises sanitárias mais recentes no Brasil, incluindo influenza A H1N1, Zika, febre amarela e Mpox, além da Covid-19. Esteve de prontidão ainda contra o vírus ebola, esclarecendo casos suspeitos do agravo no país. Além de desenvolver pesquisas científicas, o IOC atuou como referência no diagnóstico laboratorial e na vigilância de vetores, ministrando capacitações e desenvolvendo metodologias.

Em 2009, o IOC sequenciou os primeiros genomas do H1N1 no Brasil. Em 2015, realizou a primeira detecção do vírus Zika no líquido amniótico de gestantes em casos de microcefalia e confirmou o papel do mosquito Aedes aegypti como principal vetor do vírus no país. Em 2017, durante o maior surto de febre amarela em quase 80 anos, identificou os mosquitos silvestres transmissores do agravo e realizou o sequenciamento genético completo do vírus associado ao surto, identificando mutações inéditas. Frente à disseminação do Mpox em 2022, especialistas do Instituto implementaram as técnicas para diagnóstico laboratorial da infecção e isolaram o vírus, registrando em imagens de microscopia a sua estrutura detalhada. 

Amostra com fragmento do coronavírus identificado em Wuhan, na China, recebida pelo IOC em janeiro de 2020 para reforçar procedimentos de diagnóstico. Foto: Josué Damacena. Arte: João Veras 

O IOC esteve na linha de frente da resposta brasileira à pandemia de Covid-19. Reconhecido como referência para o Brasil e as Américas, o Instituto implementou e desenvolveu metodologias para diagnóstico e capacitou profissionais. Atuando no monitoramento do genoma do SARS-CoV-2, teve duas pesquisadoras nomeadas para o grupo consultivo técnico da OMS.

Pesquisas do IOC tiveram impacto nas políticas de saúde, abordando vigilância em esgotos, padrões de disseminação do coronavírus, eficácia das máscaras, medicamentos antivirais, efeitos da infecção no organismo e consequências da pandemia para a saúde mental, além de chamar atenção para o aumento na resistência bacteriana aos antibióticos. A Vitrine Tecnológica Covid-19 deu visibilidade às inovações desenvolvidas.

No campo da educação, o IOC reestruturou suas atividades de ensino no ambiente online e implantou uma plataforma para apoio a educadores. Assim como toda a sociedade, o Instituto sofreu perdas, com mortes de trabalhadores e estudantes devido à doença. O IOC se mantém ativo na vigilância da Covid-19, monitorando a circulação da doença e a emergência de variantes virais.  

 
Alguns números do IOC em 2025, na celebração de seu Jubileu Secular de Prata. Arte: João Veras

Em 25 de maio de 2025, em data de aniversário compartilhada com a Fiocruz, o IOC completou 125 anos, celebrando seu Jubileu Secular de Prata. Os números não contam toda a história, mas ajudam a vislumbrar a potência do IOC ao olhar para ao futuro.

São 66 laboratórios de pesquisa, submetidos ao processo periódico de credenciamento, com avaliação externa, para promover a excelência científica, além de dez plataformas tecnológicas, com equipamentos de alto desempenho e equipes especializadas. Nos últimos dez anos (de 2015 a 2024) foram mais de 6.800 artigos publicados em periódicos, incluindo trabalhos que descreveram 260 novas espécies e 13 novos gêneros. O processo de inovação resultou em 27 tecnologias protegidas, com 66 patentes concedidas e 47 pedidos de patentes em tramitação.

Vinte e três laboratórios do IOC desempenham serviços de referência para o Ministério da Saúde, sendo que nove atuam no âmbito internacional junto à Opas e à OMS. Dois ambulatórios especializados são mantidos por laboratórios de referência. 

Vinte coleções biológicas estão sob a guarda do Instituto, preservando milhões de espécimes microbiológicos, zoológicos e materiais biológicos de patologia. No ensino, são mais de 4 mil mestres e doutores formados e 855 estudantes matriculados em sete programas de pós-graduação Stricto sensu, além de quatro cursos de especialização Lato sensu e dois de nível médio, com 112 alunos atualmente inscritos. Ultrapassando a marca de 115 anos, a revista ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’ publicou mais de 7 mil artigos.  

Atualizada de forma democrática em abril, através de debates no '7º Encontro do IOC' e votação pelo Conselho Deliberativo, a missão do Instituto afirma: produzir ciência e promover a saúde em benefício da sociedade e do fortalecimento do SUS.

Viva o IOC! Viva a Fiocruz! Viva o SUS!

:: Confira as principais referências bibliográficas consultadas para a produção da série especial 'Linha do tempo: IOC 125 anos'.

:: Veja outras matérias sobre os 125 anos do IOC na página especial do Jubileu Secular de Prata.

Edição: 
Vinicius Ferreira
Renata Silva da Fontoura

Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)